segunda-feira, maio 07, 2007

Protesto

"A gente tem mais é q imobilizar a sociedade mesmo!"
(Rodoviário em Salvador, se solidarizando com as paralisações q têm ocorrido em São Paulo esses dias.)



Tudo bem q a sociedade anda 'quebrada' realmente, mas o q eu achei mais intrigante é q, pelo discurso, não dá pra descobrir se o dito motorista é durkheimiano ou marxista.


Snow, abastecida.

Créditos

Ok, estou com as emoções à flor da pele.
A lua. Talvez a lua ter estado tão redondinha ontem à noite tenha a ver com isso lá no fundo... no fundo negro do céu q faz um tempão q eu não via.
Tem chovido em Salvador por esses dias. E eu tenho passado tanto tempo em salas, dentro de ônibus e sobre os livros q nem lembrava mais q o céu existia.
Ainda ontem entreguei um artigo sobre sexualidade feminina no século XVIII. Sete laudas. Parece mentira. Mas ficou muito bom. Sei lá, eu gostei.
(Também, li 3 artigos, 1 livro, 4 textos e assisti a um filme para produzi-lo! A discussão em grupo com os meus colegas também foi bastante produtiva... Sobre isso amadureci alguns dias e escrevi em uma madrugada o q, só depois, com a digitação ditada e a revisão imprescindível de alguns componentes do grupo, posso dizer, finalmente, q ficou lindíssimo.)
É uma pena q eu não queira mostrar a vcs aqui pq, apesar de tudo, eu reconheço q o q tá escrito ali é algo q não interessa a quem não vive num mesmo contexto. É uma pena q um trabalho acadêmico, por mais expansivo q seja, verse ainda sobre temas q não possam alcançar além das paredes da biblioteca a q se destina ( E se, com sorte, se destina!). É uma pena q a beleza q eu vi no escrito, tanto pela sua construção, pela idéia e formato, seja por isso mesmo, tão inacessível. É realmente uma pena q este universo universitário tenha objetos e objetivos tão restritos.
Meu corpo anda trêmulo por ter dormido pouco.
Minha cabeça anda doendo por ter me alimentado mal.
Meus olhos andam irritados pelas coisas q eu tenho/não tenho visto.
O rapaz do mercadinho foi gentil comigo.
O motorista do ônibus foi gentil comigo.
O garçon do restaurante chic dos pais de minha amiga... foi tão gentil comigo...
Deve haver algo errado, eu pensei comigo.
Qnd eu disse q não tinha mais uma gota de força, ele deitou a cabeça no meu colo pra descansar... e eu achei aquilo tudo muito lindo. Mas excluí a fotografia tirada com o celular. Com uma dor in...cognocível.
O melhor psicólogo do mundo, com o seu olhar clínico número 32, abriria um largo sorriso.
Mas essas coisas eu não conto assim sobre tantos escombros. A não ser qnd eu preciso ver algo q me faça sentir bem qnd eu acho q já não há mais muito o q se queira ver... É só nesse momento q eu consigo.
De manhã, lá pelas oito eu chego na aula com os olhos inchados, os cabelos lá em cima e menos pelo menos dois centímetros. Avaliação sobre emoções, memória, inteligência, esquecimento, velhice...
Agora mais essa! A faculdade conseguindo a proeza de me deixar insatisfeita comigo - como se fosse preciso!
Olhei no espelho e estava me sentindo ridícula, um lixo.
E aquele trabalho ali... tão perfeitinho...!
Pra completar ainda tive q reassistir "Closer - Perto demais" essa semana, por ocasião de uma resenha q terei q entregar na semana seguinte... E eu q pensei q nunca mais fosse rever aquele filme! Mas nem isso.
"-Qnd tudo isso acabar eu provavelmente irei sentir muita falta de não ter passado mais tempo com vc. E talvez já seja tarde demais. Eu peciso ir.
-Acabar o q? Espera! O q é 'tudo isso'? Fica...
-Não pede por favor. Eu tô muito cansada, tenho coisas pra estudar, já tá tarde... preciso ir indo..."
Tô pensando em chamar a resenha de "estranha intimidade".
Ou de "momento líqüido".


Snow (esgotada), Skiner, Freud, minha prova de Neurociências, a de PPB, o trabalho de Ética, os textos da CienteFico, a carona, esse frio q tô sentindo, Desenvolvimento, Piaget, Vigotsky e o vínculo afetivo, Max Weber, um desapaixonamento, Rollo May, meu grupo de Antropologia, a turma... e mais um monte de gente.

Semi-pisicologia

"-Q legal, vc faz Psicologia! Tava mesmo precisando ser analisado.
-A recíproca não é verdadeira. Mas vc estuda o q?
-Eu faço nutrição.
-Rs. continua não sendo.
-Psicologia é um curso q eu gostaria de fazer, sabia?
-Vc e metade da humanidade.
-Sério?!
-Não em números. Mas q responde q 'gostaria de fazer', é uma quantidade considerável. Muita gente se seduz pela idéia de 'entender a mente humana'."

"-Mas vc não tá me analisando não, né?
-Não. Eu não tô te analisando.
- ;) "

Amores, não queiram saber o q passa pela cabeça de alguém qnd diz "não, eu não tô te analisando". Pelo bem do diálogo civilizado.


Snow, %$#@&¤*!

Revolução líquida

Cadê a paixão q tava aqui...?
A praticidade comeu.
Ninguém chorou. A lógica desordenada das emoções se sentiria patética e não quis se expor. Ao invés, um risinho de qse dor tomava o lugar do espanto... e ninguém lamentou.
Talvez pq não fosse o momento - faz tempo q não é mais chegada a hora. Faz tanto tempo q só o tempo passa q o passado se perdeu lá com as suas razões.
Disseram q o presente tem mais graça. Admitiram e estão aí tentando provar o tempo todo.
Validar-se, encontrar-se, firmar-se.
Humanos/Homens/Mulheres.
Empregar-se, trabalhar-se, qualificar-se.
Máquinas/Viris/Múltiplas.
O afeto perdeu em qualidade. A confiança ficou pela metade. A construção virtualizou-se...
O preço da não-ansiedade não pode mais ser adiado por compromisso. E as parcelas não são suaves. E vêm acrescidas dos juros da cada vez mais estranha intimidade...
Capitalismo de guardar-se ao máximo e oferecer migalhas?
Socialização da frustração particular?
Medo antigo? Receio de arriscar?

Há o momento de decidir começar a preencher-se do outro. Permeá-lo de si. Há o momento de escolher construir...
E o contrário é encher-se de vazios.

Sem fim.
(Snow, 2007)*

*Fonte insegura.

segunda-feira, abril 30, 2007

Pauta sobre o ofício

Acabo de descobrir qual o papel do estudante acadêmico de Psicologia no mercado.
E é o A4.
Xerocado.


Snow, mas pode chamar de resma.

Catálogo

Penso periodicamente q eu deveria ligar pra vc conforme prometi faz tempo, mas não consigo encontrar seu telefone... e não consigo encontrar uma forma de te dizer isto.
Não fosse eu ser assim tão atada a promessas, como imagino q vc já fez, tb teria esquecido.
Outra coisa q me incomoda é q, no lugar em minha mente responsável por guardar as promessas não há espaço pros motivos. Sinceramente, não lembro pq lhe prometi isto.
É provável q nunca uma coisa seja internalizada em mim por um único motivo. Geralmente é por vários. A maior parte, subjetivos. Daí no processo de elencá-los eu vou me perdendo em um ou outro e a conta fica sempre inacabada. Nessa fase eles vão pra minha "quarentena cerebral" de onde nunca mais serão resgatados nem por vontade, nem por outra força.
Vão-se os motivos, subsistem as promessas.

Outro dia eu me peguei lendo uma letra inteira da lista telefônica... quem sabe eu pudesse me livrar daquela dívida.
Dei pra andar olhando pros lados... quem sabe mesmo morando tão distante vc não passasse num ônibus q passa por mim...!
Deixei um lembrete outro dia na agenda: telefonar. Mas nem precisava, eu não esqueço.
Outro dia, alguém passou por mim com seu perfume, qse o segui... obstinada pelo desejo de lhe mandar um recado...

Certa noite não resisti, peguei o telefone, escolhi o préfixo do seu antigo bairro, combinei com sua data de aniversário e ouvi a voz do outro lado:
-Alô.
-Oi, vc pediu pr'eu te ligar... qual era mesmo o motivo?
-Eu?!Não sei, não lembro. Quem tá falando?!
-Já esperava. Bom, então outro dia a gente se fala, tá. Té mais.
-Ei, espera! Quem?!Do q... -
-Nada, eu prometi q ligaria, fiz uma promessa... mas esqueça.
Já ia voltar pra cama, qnd o telefone toca.
-Alô?
-Olha, vc já tá bem grandinha pra passar trote, ok? Mas isso é só pra te avisar q eu tenho bina!
Tum-tum-tum...

Moral da história: sempre escreva um post antes de testar uma hipótese. Até pq, tem coisas q... só acontecem com vc!


Snow, da coletânia "Textos fictícios sobre histórias verídicas".

Versos Inacabados de Poemas Incompletos

Era a ilegitimidade da não pertinência
Das palavras de amor não ditas
Dos telefonemas não feitos
Das cartas q não foram escritas

Era a imaterialidade do subjetivo
As datas importantes em branco
Os presentes sem caixa, sem fita
Os cartões q não existiram

Era a substancialidade das idas sucessivas
Cada encontro uma partida
Cada abraço uma despedida
E o adeus nosso de todos os dias

Não era mais uma questão de acabar
Era mais pra descontinuar
O q há muito não existia
Nem seguia seu caminho

Então ele tomou coragem
E com apenas uma passagem
A deixou ali em suas distâncias
Junto aos seus finais intermináveis

E foi assim q, sem saber,
Ele começou a acabar
Sozinho.


Snow, revisto várias vezes.

segunda-feira, abril 23, 2007

Coincidência

100%
Duro
-seguido de uma seta apontando para baixo-

(Estampa de camiseta estilo machão em Guaibim)


Snow, q não perguntou o preço do souvenir por imaginar q esses mimos assim, personalizados, costumam sair mais caro q a encomenda.

segunda-feira, abril 16, 2007

Promoção

"Tá duro?
Sexo grátis por um ano!"
(Propaganda de motel em João Pessoa)

P.S.(Ou conclusão preciptada).: Supondo-se q este tipo de prêmio não pode ser conquistado por mérito, tão pouco por antigüidade... resta apenas a modalidade do sorteio.


Snow, q geralmente não tem sorte no jogo.

Embrulhada pra Viagem

Esta semana eu quis escrever. Quis muito. Quis tanto q aqui estou, não sei como, mas sei o pq.
Este tempo, por exemplo, furtivo no laboratório, num intervalo entre as aulas de Desenvolvimento e PPB... não existe. Poiseh. Eis um tempo imaginário. Mas eu precisava desse tempo - e vou continuar precisando.
Li bastante essa semana. Coisas q vou esquecer daqui há algumas semanas... Ia dizer q "li como nunca" mas pensando bem "li como sempre" é a expressão que mais se adequa.
Marx, Malinovski, Freud, Diderot, Laplanche, Piaget... nossa! Sabe qnd se lê tanto q a gente fica sem palavras...? Deve ser. E eu q sou verborrágica e mais recentemente adquiri o título de prolixa, senti por vezes o desejo incontido de escrever. Mas contive. Até pq o Sol achou de nascer nas horas mais impróprias esta semana. E eu tive q também amanhecer.
Estou dolorida de tanto ler... Meus músculos, os últimos q ainda restam, estão todos doridos. Coxa, pescoço, canela, olhos, braços, dedos, barriga e pés. Os da cabeça tb estão doendo. Sinto-me uma massa - pouca massa - de dores musculares e, por enquanto, parece q o único remédio seria uma eventual greve... (A terrível bênção das públicas. Não é o caso.)
O fato é q a minha vida acadêmica é esmagadora e muito frustrante às vezes. Passo muito tempo em ônibus e nem sempre chego. Os textos, as faltas, as notas, os trabalhos, as provas... nossa! Estou qse chegando à conclusão q é impossível a um ser humano sobreviver ao (ou às queimaduras do) terceiro grau. E, pra q isso ocorra, restam apenas poucas opções: ou ele não faz bem a faculdade, ou ele "morre" tentando fazer algo q preste, ou ele não é um ser humano. E diante dessas prerrogativas, ainda não me enquadrei.
(E olha q eu nem trabalho! Aliás, eu me espanto muito com isso tudo.)
Não q eu ache q 9 disciplinas seja pra qlq um. Não, eu não acho. Mas q eu preciso trabalhar é uma verdade científica! E a faculdade tem conseguido atrapalhar meus planos de passar num concurso.
Queria ter lido o regimento interno do tribunal lá, ter revisto a Constituição, repassado os códigos, memorizado uns artigos... e não tive tempo pras leis... Mas eu vou lá fazer. Desistir é sempre o caminho mais fácil e eu costumo preferir os mais complicados. E vai q anulem! rs
E virão outras provas. Chesf, IBGE - o famigerado -, a Câmara, o Mapa... um dia eu arrumo as malas e deixo pra trás o desemprego. Ele e as suas portas fechadas.
(Olhando pra essa conclusão, sonho de pobre é mesmo muito f!)
E eu q queria contar da delícia q é ler Diderot... Ah! Q doce carícia q é ler tamanha perspicácia, coragem, articulação, encadeamento e graça! Senti muita vontade de contar um pouco, resumir, mas não dá. É tão bom q é irresumível. Cada frase tem um valor q não pode ser substituído por abreviações, não dá pra cortar nada.
Senhoras e senhores, leiam Diderot pelo menos uma vez na vida! Sei q estamos todos atrelados aos nossos estilos e funções nessa vida, atividades acadêmicas, funções, famílias, além da dificuldade de encontrar os clássicos, além da escassez deles em bibliotecas, além do mais da nossa vida social, mas se puderem, leiam Diderot, leiam!
( O nosso Machado de Assis lia. Mas nem por ele ou por essa reles aprendiz mas pelo indescritível prazer q dá a junção da inteligência com o humor compondo a emoção.)
Essa semana eu começaria a escrever meu pequeno ensaio sobre o não-saber, q eu pretendia q virasse um tratado sobre a ignorância.
Outra coisa q queria ter escrito era sobre a "expressão", sobre o "expressar-se". Também sobre a "sedução" e por último sobre a "inconsistência"... Velhos temas sobre os quais eu tinha coisas, nem sei se novas a acrescentar, tirar. E já nem sei se ainda tenho.
Num mundo onde tenho q amarrar tudo a fontes seguras, aqui termina sendo o único espaço seguro onde eu posso citar a mim mesma.
Mas se o tempo continuar passando desta maneira eu posso estar em outra em algumas semanas.
Ou talvez não esteja mais entre nós.

Snow, atada.

segunda-feira, abril 09, 2007

de lá

(By Audrey Furlaneto in Ela na janela)

"Tenho todos os desejos e um coração que ora cabe num haicai ora numa epopéia.
Todo dia eu sou muito.
Se uma nuvem me começa, viro delírio.
Gosto de adivinhar nuvens. Fico nelas um dia inteirinho.
Acho bonito grama esmeralda e prédio comprido com espelho grande que reflete nuvem.
Um céu também me começa. Pra não pegar delírio, tem hora eu ando de cabeça baixa.
Outro dia, descobri vocação pra flor. De manhã, eu era copo-de-leite e, à tarde, girassol. Uma abelha se apaixonou. Foi bonito.
Gosto de mudar o nome das coisas e de ser todas elas.
Tenho um amigo que domina um leão e uma amiga que deixou o esmalte vermelho do dedo do pé sair sozinho. Quando saiu, ela virou estrela e foi embora.
Prefiro gente que tem coração de pássaro.
Amo bem forte que até dói de bom que é.
O que eu mais gostei de fazer na vida foi pisar em ovos de madrugada.
Pra mim, mais lindo no mundo é poesia.
Não faz muito tempo, eu entrei em estado de fada."
(Audrey Furlaneto)


Snow... encantada.

domingo, abril 08, 2007

Vírus

Acabo de fazer um documento no Word, mando pro meu próprio endereço de e-mail e vou verificar a caixa.
O e-mail chega, mas o texto não abre.
Motivo: Minhas configurações de segurança atuais não permitem o download deste arquivo.

É, ninguém mais acredita em ninguém mesmo.


Snow, detected.

sábado, abril 07, 2007

Citação da semana

"Infelizmente a gente tem q ter esperança."
(Uma amiga, me incentivando)


Snow, e a semana por acaso era santa.

domingo, abril 01, 2007

Primeiro de abril

É assim q termina março.
Qnd acaba.


Snow, se não me engano.

sábado, março 31, 2007

Algemas

Nada nem ninguém acredita estar mais liberta q a ilegitimidade.
Ela não tem receios, vergonha, entende?
Envolta em sua máscara pode andar por aí, expôr-se, desfilar sorrateira e evidente como se ninguém a percebesse.
Ela olha pela janela, ergue a cabeça, cumprimenta conhecidos, sorri... Como se fosse dela, sabe? Como se pudesse, tivesse todo o direito de estar ali.
A ilegitimidade de certa forma sabe do perigo q corre. Mas é preciso mostrar q está disposta a enfrentar.
No fundo ela não gosta muito dessa sua condição e não a escolheria se, de certa forma, não tivesse 'ido parar' por lá.
Ela sorri confiante, mas tem medo.
E olha a legalidade com despeito.
Raiva onde pretendia sentir desprezo.
Indiferença é o nome q ela dá forçosamente ao tremor q lhe vem ao peito.
Fugitiva, sabe q não se pode demorar e vangloria-se das esquivas... cada vez mais sofisticadas!
Ela ri das pistas q deixa, sair e entrar sem ser notada...
E faz desse jogo de mostrar/esconder-se sua sobrevivência.

A ilegitimidade sente um frio bastardo pela manhã
E no fundo gostaria mesmo era que alguém, alguma autoridade
Na forma da lei, a enquadrasse.

E a prendesse.


Snow, sobre folhas q se desprendem da árvore e vão por onde sopra o vento sem se perceberem secas.
Sobre o acaso, a aleatoriedade e coisas outras.
Sob influências de Cassiano à luz de Foucault
E uma certa escuridão por ainda ser março...
Uma escuridão às luzes acesas.

Cacos

Aquele copo não quebrou sozinho. Não deslizou, não simplesmente escorregou, não foi dessa maneira.
Caiu pq ela tremia.
Na verdade ela o soltou. Qse arremessou contra o piso frio da cozinha...
Podia ter se cortado, sangrado, já nem sabe se preferia.
Só não queria mesmo aquela angústia, aquela dor sem lugar no corpo, sem caber, sem ter aonde, por onde sofrer... Se ao menos alguma parte em seu corpo estivesse ferida, machucada... Se ao menos cortasse, queimasse, adoecesse...!
Mas nada! Permanecia saudável. Há qnt tempo mesmo não pegava uma gripe... não tinha uma dorzinha de barriga sequer, uma dor de cabeça...? Nem lembrava.
E pq diabos mesmo havia tanta dor naqueles olhos cansados...? Tanto não entender naqueles pensamentos, tanto penar naquela alma exausta...?
Se ao menos isso tudo a enlouquecesse, a fizesse perder a razão... o norte...! Mas não! Permanecia lúcida. Aliás, aquele seu juízo forte mais parecia uma praga. Como invejava os tolos!
Podia ter metido a porra daquele copo na parede, ter apertado contra o peito, o pescoço, cortado os pulsos... Mas nem pra isso prestava. Escapuliu. Nem se pode dizer q foi de propósito.
Não foi nada. Ela própria há muito não estava inteira. Já não era transparente, já não tinha forma... vazio recipiente.
Nisto seu corpo e aquele copo estavam ligados. No fundo, ninguém é mesmo de ferro.
Juntou tudo, pôs num saco. Destinaria depois à coleta seletiva ou doaria pras criancinhas com câncer.
Por hora, não pôde disfarçar aquela inveja do objeto tão não-mais-copo agora q caíra, enqnt q ela em pé depois de tantas quedas, ainda corpo. Ainda q em pedaços, ainda gente, ainda viva...
Ele se fez afiado e ela opaca, sofrida.
Ele dispersou-se, quedou-se, espalhou-se... e o mais era uma fragilidade rígida.
Ele copo, ela corpo.
Ela escorreu dor por todos os lados.
Ele sólido, desprendido do formato, divido numa ânsia incontinente por multiplicar-se...
E ela ali, ao seu lado.
Líqüida.


Snow, e ainda é março.

P.S. "Caco" é como se chamam as emendas q os atores vão colocando às falas originais do roteiro.

sexta-feira, março 30, 2007

Entidade

De repente te incorporo
E não sou mais eu.


Snow, 21.06.04
Gosto disso.
E é isso.

terça-feira, março 27, 2007

Entre Vistas

Ela deveria ser uma espécie de analista de perfis de um banco de dados de recursos humanos, ou talvez estivesse exercendo apenas provisoriamente esta função pra uma contratação específica. Só sei q estávamos num mesmo ônibus e q ela ocupava o banco da frente no mesmo lado q eu e sentido oposto, o q me permitia certa descrição ao "folhear" os papéis q ela manuseava.
Fichas. Uma série de documentos grampeados por grupos, cada um pertencente a um individuo, dentre os quais se via um curriculum com foto - só vi fotos de mulheres -,uma ficha dessas de "completar", preenchida à mão, um questionário de perguntas abertas, uma folha com um gabarito, uma folha usada como rascunho e cálculos e, o q mais me chamou àtenção, ao final, uma folha de redação com o seguinte tema/título: 'Quem sou eu?'.
Como o caminho do ônibus era longo e a moça passou diversas vezes essas páginas semelhantes, não pude deixar de me ocupar daquele pequeno e interessante detalhe dentre o maço de papel com a etiqueta: "convocar para dinâmica".
-E nesse momento me deu vontade de falar do aparente (desrespeito/desprezo) descaso com q ela analisava as fichas, sem se ater a elas, com uma notável pressa, sem ler com o cuidado q se espera da parte de quem lida com um dos mais cruciais problemas atuais da nossa sociedade: o desemprego.
Ela, certamente empregada, não deu sinais de q isto a afetava mais q se estivesse revendo um desses catálogos de cosméticos na hora de julgar quem ia pro final da fila - unico juízo aparente de sua "avaliação psico-social" do itinerário.-
Eu, do meu canto, olhava pela janela, colocava uns números num Sudoku e tentava recapitular meu papel na apresentação de Ética e Comunicação Acadêmica II q, rs, nesse caso, não vem ao caso.
Como é sabido q entre prestar atenção à minha vida e à dos outros eu, por vezes, tb prefiro ler blogs, vou compartilhar essas minhas observações por aqui.

Quem sou eu?

"Pense numa pessoa estudiosa, que gosta de ler um bom livro e..."
(Rafaelle, 20 anos)

-("Pense"?!) Minha total aversão ao uso excessivo de expressões modais raramente me enganou qnt a tipos simplórios.
Machado de Assis passou longe dessa daí, certamente. -

"Eu sou uma garota que gosta muito de fazer amigos e me relacionar com as pessoas.(...)"
(Flávia, 21 anos)

-("Garota"?!) Não, essa não foi a melhor expressão possível. Tsc,tsc,tsc.-

"Sou uma pessoa simples, dizem que sou inteligente, meus amigos me acham legal.(...)"
(Izis, 21 anos)

-(rs) Essa aqui não engana ninguém, nem a ela mesma direito. Mas parece q pode ser facilmente enganada...-

"Eu tenho 19 anos, sou simpática, gosto muito de fazer coisas alegres e me relacionar com pessoas inteligentes..."
(Essa eu li tanto q nem vi o nome)

- Me pareceu ter certa prática em redações para correios sentimentais...(rs) Só faltou completar com: "Estou a procura de um homem carinhoso, fiel e que tenha desejo de crescer." Recalque q Freud identificaria num piscar de olhos: "Crescer aonde minha filha?" Ora!-

Ao q tudo indica, todas aquelas pessoas passaram/passariam por mais uma etapa de triagem além daquela olhadela da moça no ônibus, além do meu olhar de quem está à parte, além de todas as fases pelas quais já passaram.
Por falar em fases, eu q já escrevi tantas vezes redações para candidatar-me a vagas de emprego/estágio não sei mais se as minhas respostas estão tão diferentes das q li por eu estar já tão mais acima de forma q não se possa comparar com quem está iniciando ou por estar tão abaixo em competências quantificáveis q tive q elevar cada vez mais o nível da lábia pra competir com o talento dos meus concorrentes. Não sei, não sei. Sinceramente.
Mas seja lá como for, depois dessa decidi q vou reescrever meu 'about me' profissional q deve agora começar assim: "Sou diferente." Ponto. Parágrafo.
Se isto servir pra q a atendente passe à segunda linha da minha carta de apresentação, mesmo q ela não me admita - como eu mesma, às vezes não me admito - por descobrir, ao fim, q somos todos humanamente muito parecidos, será tarde demais e ela já terá se atido à minha ficha no meio da multidão e eu já vou me dar por satisfeita.
Se ela chegar ao final de minha redação, a julgar pela forma como são as correções, já vou estar na vantagem.


Snow, setor pessoal.

P.S. Os nomes foram trocados pq minha memória de trabalho é insuficiente mesmo.

Elementos

Choveu a noite inteira.
Os pingos da chuva acalentando a noite turva despudoradamente, ora com força, ora de mansinho, como quem está mais interessado no molhar e no romper das gotas sobre o chão q no verter-se, precipitando-se sobre tudo q existe do ar ao subterrâneo, num inevitável caminho.
Chuva q afaga, chuva q refresca, chuva q invade, chuva q fertiliza...
A chuva q dissolve os sais e os transforma em seiva e enverdece a superfície desse outono q começa... Chuva q reúne a matéria bruta e substancializa a vida.
A chuva quer mais, quer o seio da terra, quer sua pele, correr sobre seus rios, suas veias, suas entranhas, seu mar... A chuva quer fluir sobre a solidez, acariciar, abrir-lhe os poros.
Mas q chover, a chuva quer umedecer... e a terra responde.
Essa madrugada, a chuva rompeu a barreira do ar e jogou-se à terra. E ela a acolheu e bebeu toda a sua água, reteve seus flúidos. Como se dentro de si houvesse perene fogo a desejar refrescar-se.
Como se esta união fosse mutuamente concreta e cósmica e esta ânsia de saciar fosse possível e desejável feito um realimetar ciclíco e dinâmico.
E todo o jogo universal fosse, em sua estrutura mais simples e molecular, um beijo.

Ou o entrelaçar de corpos q se completam
Num encontro romântico.


Snow, março e seus imensos dias e noites, cujo refúgio é o delírio.

segunda-feira, março 26, 2007

Tácitos

Ela não o chamou... mas ele veio.
Não chamou pq prefere tê-lo assim,
Sem ter q dizer pra si mesma q pode não ter...
Sem ter q pensar q já não pode não querer.
Ele qse foi, isso é o q ela acha.

Mas na verdade, ninguém sabe mais de nada.


Snow, comentário encontrado entre os posts rascunhos.


www.fotolog.terra.com.br/elanajanela
E no Tipos é:
http://audrey.tipos.com.br/

domingo, março 25, 2007

Momentos

Um dia, ele pegou a máquina e disse: "Hj, eu vou tirar fotos de vc." Apertou o botão e viu, desconcertado, seu sorriso se desmanchar junto com a minha cara... Havia gasto a capaciadde da câmera com as fotos da festa q tinha ido sem me convidar e a máquina não tinha nem mais bateria pra descarregá-las.
"Vai pegar o carregador, eu espero!"
"Demora um tempinho pra recarregar. Só q o carregador não tá comigo."
Eu quis apagar esse momento da memória...
Mas essa parte não foi possível.


Snow, relembrando q faz dois meses q tenta tirar fotos do seu cabelo curto e loiro... q já desbotou e perdeu o corte.


P.S.Desnecessário.: É difícil substituir uma coisa qnd não se tem nada pra colocar no lugar, né? Poiseh. Um dia, eu vou comprar uma câmera e vai ficar tudo bem.

sexta-feira, março 23, 2007

Curtinhas

- Adorei esse teu decote.
- Ham?! Eu tô de blusão.
- O da saia.
- Ah.
- :)


Snow, num modelo econômico.

quinta-feira, março 22, 2007

500!

Eu pretendia postar algum dos meus algos, mas aí vi q essa seria a postagem de número 500, achei q merecia uma pausa.
Tudo bem q qnd o Brasil fez lá seus 500 anos de "descobrimento" - como se o Brasil fosse mais novo que a Terra, como se a terra precisasse ser descoberta, mas essa discussão é velha, prossigamos -, a caravela afundou e tal, mas eu resolvi q ainda assim é uma situação que não merece passar despercebida, no meio desse emaranhado de textos que não dizem coisa com coisa que se vê por aí, por aqui, eu posso dizer q gosto de alguns dentre esse número q se arredonda hj.
Afinal, são meus. São a minha percepção, meus pontos cegos e de foco, meu jeito de não dizer, minha escrita feminina.
Por falar em escrita feminina, não é nem q eu aprove de todo esse contexto, essas minhas palavras, esses meus diminutivos, recalques, esse meu cuidado todo... É verdade, por vezes gostaria de ser mais desleixada. Mas estou atrelada até o pescoço a esta questão de gênero, essa linguagem, esse contexto de mim, fêmea, mulher, moça, menina...feminina. Até o pescoço, repito. Resta-me ainda a cabeça. E esta, vez por outra consegue escapar dessas esquinas.
A minha alma está toda espalhada por aqui.
Por vezes coberta, por vezes nua, por vezes olhando do canto, um cantinho qse imperceptível... por vezes solta. E, como eu me releio aqui, me vejo assim... com os meu pudores de escritora e não escritor, menos poeta que poetisa.
Menos genérica do que íntima.
Eu, particularmente, tenho restrições a ler blogs de mulheres. Tem q ser muito mulher pra me fazer ler alguma coisa. E isso significa não estar nitidamente gravitando em torno de mundos q não são os seus. Tarefa díficil à algumas. Fotos e letras de música tb, não é a minha. E tb não tenho lá muita tolerância com as que ficam tentando emplacar uma frase de efeito. Resta-me alguns modelos masculinos.
"É uma pena que as frases de efeito não sirvam para serem enfiadas no cu." É realmente uma pena.
É uma pena mesmo q essa frase seja minha. (Confesso q gostaria mais de citá-la se fosse de outro autor, e de preferêcia de autoria masculina. Mas fazer o q? Gosto é tb uma questão q não se discute.)
É uma pena q muitos desses 500 textos estejam lá pelo final, num calabouço labiríntico... As vezes eu gosto bem mais de um dizer mais antigo. Mas há q se dar uma ordem às coisas e a daqui, é a de chegada... Nesse caso, tb prefiro as ordens de saídas.
Qnt a isso eu tenho uma solução guardada pra quando passar um vento fresco: vou imprimir os "melhores" textos e editá-los num livro. (Alias, idéia q tive desde o dia em q mandei por e-mail o endereço do meu blog a um amigo e a resposta veio imediata, qse como aquelas respostas prontas: "Não obrigado, blogs me dão sono.". Pensei de cara em torná-lo um dia um material q pudesse ser acessível a pessoas q... enfim, essa foi uma das poucas vezes q uma resposta negativa não me desanimou. Quem sabe um dia esse dia aí não mude toda a minha vida? rs. O livro terá uma página no final, com o q eu vou chamar de contrário de agradecimentos, dedicada por este insite, a todos q não lêem blogs, nem comentam, sequer são meus conhecidos.
Mas esse post era pra ser pequeno.
Era pra lamentar minha escrita peculiar.
Era pra lembrar q quinhentos é um bom número.
Era pra dizer q eu gosto desse espaço aqui. Não de todo, mais de alguns... na vedade gosto muito.
Era pra 'ficar alegre' polianamente por esse qlq motivo.
E vai terminando assim, sem réplicas cabrálicas, sem remontagem histórica, sem fogos de artificio.
Apenas um post comemorativo.

SnowFlake, um floquinho emotivo.

terça-feira, março 20, 2007

Visita

Nem deu tempo, peguei no flagra.
Ontem à noite, já tarde, ao abrir a porta, a primeira coisa q vejo é uma esperança brincando sobre meus lençóis.
Logo-logo eu riria sozinha, de mim e da coitada. Ora, é muita petulância desse frágil serzinho verde estar aqui, a uma hora dessas, passeando no lugar dos meus sonhos! É muita ousadia dessa danada!
Cheguei a tempo de vê-la dançar em verde-balé ainda, aquela mescla entre o prender das pernas e o bater de asas...
Mas quem ela pensa q é pra chegar assim, sorrateira e vir bagunçando, deitando e rolando no meu lugar de descanço? Será q não percebeu q meus dias estão pra lá de cinza? Q, apesar de eu não ter lá uma criação de grilos, minha casa anda cheia de... lagartixas?!
Pobre esperança esmaecida... eu nem gosto de fazer essas coisas, mas num instinto irreristivel me ative atrelada à realidade: Escolhi o instrumento mais à mão, e naquele ritual qse religioso, conduzi ela porta à fora, delicadamente... a vassouradas.

Mas tarde, mais gentil e cansada, ela voltaria pelo trinco... destravando a fechadura, por conhecer dos seus segredos, por ter a chave, por não se deter em ferrolhos, cadeados e travas.

É verdade q suas idas não são de todo suaves. Mas a esperança, em visitas inesperadas, serão sempre bem-vindas.

E, diga-se depassagem, muito bem amadas.


Snow, passarinhos verdes e coisas do tipo.

sábado, março 17, 2007

Dever de Casa

Na banca de acerolas:

-Titia, posso comer um?
-Não, q tá sujo!
-Mas qnd chegar em casa eu escovo os dentes!
-NÃO!!!!


No cabeçalho:

Centro Educacional Seinhora de Paula.
-Caio, pq esse "i" aqui?
-Ãhm?!


No boletim

E lá tem um négocio de nota por comportamento.
No primeiro dia ele tirou 10.
No segundo, 9 e meio.
Terceiro, 8.

É, o muleque tá progredindo. Se continuar assim, ninguém passa ele.



Snow, q passa longe de ser uma boa aluna em Desenvolvimento I.

terça-feira, março 13, 2007

Dúvida

A chuva de ontem me deixou resfriada...
Ou terá sido a diferença de temperatura entre frio das meias e o edredon de solteiro
...e o calor de um beijo tímido sob a mesma sombrinha (guarda-chuva/sombreiro)...?!


Snow, ah-ah-actchim!
(Mas quanta saúde!)
E adeus à escova da semana.

sexta-feira, março 09, 2007

Terapia

Esse ano, março me prometeu que passaria mais rápido.
E assim, mesmo a contra-gosto, chateado e de cara feia
Não é q tá passando...!


Snow, só por hoje.

quinta-feira, março 08, 2007

Feminina

Eu queria ser mulher pra me poder estender
Ao lado dos meus amigos, nas banquettes dos cafés.
Eu queria ser mulher para poder estender
Pó de arroz pelo meu rosto, diante de todos, nos cafés.

Eu queria ser mulher pra não ter que pensar na vida
E conhecer muitos velhos a quem pedisse dinheiro -
Eu queria ser mulher para passar o dia inteiro
A falar de modas e a fazer «potins» - muito entretida.

Eu queria ser mulher para mexer nos meus seios
E aguçá-los ao espelho, antes de me deitar -
Eu queria ser mulher pra que me fossem bem estes enleios,
Que num homem, francamente, não se podem desculpar.

Eu queria ser mulher para ter muitos amantes
E enganá-los a todos - mesmo ao predilecto -
Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais esbelto,
Com um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes...

Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,
Eu queria ser mulher pra me poder recusar...

(...)

(Mário de Sá-Carneiro)


Narrado por Abujamra, em provocações, ontem.

Snow, sem quaisquer comentários.

segunda-feira, março 05, 2007

Coisas q eu não te disse

Antes, respire. Esse é o seu instinto mais primitivo.
Agora bora lá.
Filmes de sexo não ensinam a fazer sexo.
É, são só movimentos.
Legal movimento, mas movimento é o meio. Qnd muito o fim. E fim por fim, enfim, aqueles movimentos ali, no fundo, a gente já nasce sabendo.
É uma pena q não se façam filmes de sexo para as mulheres. É realmente uma pena. No dia em q a indústria produtora deste tipo de cinema se der conta disso esse mercado terá muito mais movimentação.
Outra coisa, preliminar não é a boca lá.
A boca é mais q meio, é mais q fim. A boca já é. E o q é mesmo não é bem assim.
E tem mais, a boca na boca também não é.
Beijo é começo e preliminar é o q vem antes, né?
Poiseh.
Mas se vc me perguntar o q vem a ser essa tal de preliminar eu confesso q não saberei discriminar.
Talvez o olhar.
Talvez uma palavra, uma meia palavra, um silêncio.
Talvez o leve roçar dos dedos no rosto tentando afastar os cabelos movidos pelo vento em direção aos lábios...

Mas eu só tô te falando isso pq o mundo agora é um verdadeiro espetáculo de luzes e sons sinestésicos q convulsivamente não nos deixa tempo entre as cenas e seqüências espasmáticas para podermos distinguir entre as performances e os efeitos especiais.
Na maioria das vezes os protagonistas desses filmes são tb super-mulheres/super-homens em seus super-poderes, onde o mundo é a tela, e o real perde para os dublês.

Assim sendo, entre uma e outra, vai haver sempre a mesma vontade de impressionar.
O mesmo vácuo, a mesma ânsia de ser matéria - só q agora com uma pressão muito mais coercitiva, até pela força q tem q fazer para disfarçar. Vontade de prender a ela, de reter tudo q a adentrar.
E nesse bombardeio de quantidade, tempo, posição/disposição, vigor, ação, cada ato é um número, um show.
No fundo são sempre corpos e têm, senão suas aberturas, suas passagens secretas.

Mas entre o bis e as palmas, qnd as cortinas se abrem e as luzes se apagam, tudo o q querem mesmo não é conhecer das tuas técnicas e métodos infalíveis e eficazes, e passa longe do q vc conhece como gozar.
Há algo sobre esse mercado nervoso, amplo e qse inesgotável e sua relação de troca q eu gostaria q vc ouvisse e ponderasse com bastante calma.
Fazer sexo não ensina a fazer sexo.
E se vc quer saber o q elas desejam, agora eu posso falar.

Elas querem sua alma.


Snow, sincera como não se pode ser.

sexta-feira, março 02, 2007

Cinzas

Quando amanheceu tinha o mar da Ondina.
E o sal da água lavou junto com a chuvinha fina o biquine colorido...
Tal qual a alma da menina.


Snow, queimada.

Campanhas

No trânsito:
"Todo poste beija mal"
Poste de eletricidade na seqüência:
"Tem coisa melhor pra se beijar nesse Carnaval"
Se beber, não dirija.

Uma q me comoveu:
"O trabalho infantil vai dançar no Carnaval de Salvador"
Um repórter sensacionalista daqui narrou um episódio em q viu uma turista bater na cabeça de uma criança com a latinha q esta veio lhe pedir...
...Pra juntar com as outras latinhas catadas, amassadas, entre lixos e empurrões, pra colocar num saco sujo, pra levar num carrinho cheio de outros sacos cheios, pra vender num ferro velho, por $3,00 o quilo do alumínio... aproximadamente o preço da lata com o líquido.

Entenderam pq me comoveu?
Esse tipo de trabalho, deveria dançar mesmo.

A do preservativo, não foi das mais criativas, mas criatividade é o q não falta nessas horas:
"Com camisinha, a alegria continua durante e depois da festa".
Vista-se!

Uma para identificar crianças perdidas:
"Nesse Carnaval, seja qual for a fantasia, não pode faltar a pulseira: Identifique seu filho. Ele ficará muito mais seguro e vc muito mais tranqüilo."
Excetuando-se o negão q eu encontrei com uma camisa branca e uma tarja preta escrita: "Estou perdido, leve-me para casa.", não vi crianças sozinhas, nem chorando... todas estavam acompanhadas.

E a q eu daria um prêmio pela criatividade e humanidade: a campanha da doação de alimentos das Voluntárias Sociais:
"Como fome não se brinca"
Legal, né?

Snow, cidadã.

Baixas

Voz zero. Escova zero. Solado do tênis, zero.
Dor nas pernas a começar da junção do tremer as cadeiras até o miudinho lá na última falangeta! rs
Menos dois prendedores de cabelo, se é q isso conta já q, dizem, eu os perco desde antes mesmo de ter cabelos.
E bolhas, trocentas bolhas. A maior parte entre os dedos.

E ainda um inusitado sampoo anti-capas q... creiam, foi preciso.


Snow, no bloco da limpeza.

Quinta

Faz já alguns anos q o Carnaval de Salvador tem tema, coisa do Marque-tingue, mas vá lá.
O desse ano foi o samba e o principal homenageado especial foi o cantor Riachão. Vivo, graças a Deus! Não cabia em si de contentamento. E não é pra menos.
Sei q agora já tá mais q na cara q tõ fazendo dissaqui meu programa de tv, mas como não tenho tanto ibope assim, sei da minha amplitude de ondas curtas como aquelas radiozinhas de AM e, por isso mesmo, quero deixar um salve aqui, ao samba!
Pra galera do Alerta Geral, do Amor e Paixão, da Mudança do Garcia...q eu imaginei q ecreveria outros tantos post sobre tudo o q rolou por lá na segunda feira mas, sinceramente, não tava mais na onda da "primeira vez", posto q já havia passado o domingo e as bolhas e o corpo dorido como se houvesse passado por mim um rolo compressor, enfim... ao samba da quinta feira!!!! (Ouve-se um grito no meio dos escritos q há muito ninguém mais tá lendo).
Pra toda galera do sambão, do miudinho, do pagode, do povo de Cachoeira... e pra tudo de bom q tem na minha terra na ponta do pé e na palma da mão!

"O importante é ser feveriro e ter Carnaval pra gente sambar...!"


Snow, bba.

Alegóricos

Cláudia Leite tava de noiva, dizendo "aceita casar comigo?"
Durval Lélis de Caramulino, uma mistura de Caramuru com Durvalino, meu rei. Não sei de onde ele tira tudo isso.
Ivete de... de q mesmo? Deusa, de certo! Não sei o q era não mas Ivete é coisa de Deus!
Cid Guerreiro de metaleiro?!
Sandra de Sá de Sandra de Sá mesmo.
Xandy de short, Xandy de pernas de fora, Xandy de peito aberto, Xandy de prata... Nessa hora só tinha Xandy ofuscando a massa.
Sebastian da C&A jogou uma garrafinha na minha direção... ele tava de dourado, mas eu não peguei. Sou péssima nesses lances de agarrar.
Bel do Chiclete pra grudar no seu juízo com seu cabelo enrolado, fazendo a paz, fazendo amor fazendo o som.
O Terra Samba... aí de mim, aí de mim... tudo me lembra vc... É o dendê, só pode ser!
O Santo Márcio Vitor q já nasceu abençoado de... batboy?!
Ricardo Chaves desceu no elevador do trio e ficou qse no mesmo nível da galera! - A propósito, um solzinho ali caia bem.
O trio de Daniela com seus três andares, o da Skol em forma de super latinha latinha, o do Camaleão era o Tiranossauro Rex, o mais potente, aliás.
E o maior trio do planeta...

Snow, na ala das baianas.

Balaio de Gato

Uma das muquiranas mexeu os bigodes pra mim. rs
Mas aí veio outra e agarrou ela por trás e a levou... sorrateiramente.
Passou uma rechonchuda dizendo q tava grávida.
Arte do Batman, só pode.
Apesar da fantasia desse ano ter tido um tom escuro, Muquiranas é um bloco engraçado e alegre por tradição.
Taí, Muquiranas é um dos blocos q eu sairia - isto, é claro, se eu fosse macho.


Snow, qse ronronando.


P.S.
Por falar em Muquiranas, umas piadinhas de gaúchos q me mandaram:

Dois gaúchos num hotel dormindo no mesmo quarto. De madrugada, um deles arriscou:
-Preciso dar uma trepadinha, senão não durmo.
-É mesmo... eu também!
Então eles fizeram um acordo:
-Eu te faço uma pergunta. Se tu errares, te como; se acertar, me comes.
-Pode mandar....
-O que é peludo, anda no telhado e faz miau??
-Jacaré!
-Acertou, acertou, acertou!


Você sabe qual a diferença entre um gaúcho e uma roseira?
Molhe o pé dos dois, o que der o botão primeiro é o gaúcho.


Os dois gaúchos acabaram de chegar ao restaurante, quando um deles comentou:
-Estou com tanta fome que seria capaz de comer um boi.
E o outro:
-Muuuuuuuuuuuuu!


Dois gaúchos estavam transando, quando um começa a gemer:
-Por que gemes?
-Porque dói.
-Mas bah, e por que não choras?
-Porque eu sou é MACHO the!


P.S. Como eu ia dizendo, poiseh...