quinta-feira, setembro 04, 2008

Caríssimos

"Eu estou precisando urgentemente de um abraço.
E a dor é tamanha que acho que esse tipo de tratamento deveria ser coberto pelo SUS. No meu caso, iria pra uma UTI.
Mas a você que está lendo, já não é mais permitido ofertar o remédio para este meu sofrimento. Porque o abraço que eu preciso tem que vir sem ser pedido, protocolado, requisitado. E tem que vir de graça, sem ônus, impostos, sem que seja um pequeno investimento... Não pode ser tarifado.
É paradoxo isso de não servir. Eu também acho.
Mas realmente não serve. Da mesma forma que não serve o analgésico do qual se sabe placebo. Em caso isolados, colateralmente, já foi observado até agravamentos.
Só os desabraçados podem imaginar como eu me sinto... Com esses meus dois bracinhos que me parecem imensos. Inativos, posto que não me satisfazem. Sequer tentam.
E um abraço não se encontra numa esquina. E eu não quero nada que não seja expontâneo. Nem pediria. Porque não peço nada cujo prêmio esteja além do próprio pedido... como pedir desculpas, por exemplo. Isso eu peço.
Acredito que o máximo que posso fazer é o pedido. Mas não posso pedir que me peçam, assim como também não aceitaria tal pedido.
O mínimo que peço é desculpas por não poder pedir um abraço e por não aceitar se, de alguma forma, já o houver pedido.
Abraço é dado. Lançado. Na certeza que o maior número de pontos será alcansado."

***

Engraçado, comecei esse texto ano passado, e até hoje não sei como terminá-lo.
Este último não me abraçava pra dormir.
Fechava os braços em posição de guarda como fazem os lutadores e eu ficava do meu canto, indefesa, olhando ele fechar também os olhos, a boca, o corpo, o punho... Ficava imaginando o que faria caso ele acordasse com os meus soluços. Enxugava o rosto, adormecia.
Dia desses revi aquela pegadinha manjada do abraço em que um rapaz sai com um placa escrita "Abraços Grátis" e passeia por uma avenida movimentada. No começo pensamos que ninguém atenderá ao seu chamado, mas no final a gente percebe que a soma dos que se dispuseram foi satisfatória. E ficamos com aquela sensação humana de que, apesar de tudo, valeu a pena.
Há alguns dias meu sobrinho me avistou na rua. Soltou-se das mãos que o conduziam e correu em minha direção pra me abraçar, sorrindo.
Crianças não precisam de placas. Nem as entenderiam.
Mas ontem à noite me senti como aquele homem da pegadinha, andando pelas ruas, pegando filas, esperando ônibus, sempre com a minha plaquinha...

A única diferença entre a minha vida real e a tv é que, por onde eu passava, as pessoas, eu acho, eram todas adultas.
E não sabiam ler.

***

Como esse foi um péssimo jeito de terminar um escrito, vou continuar.
Eu não ando muito bem, deve ser por isso. E sei que ninguém pode ser culpado por não ter aprendido a entender um código que não ensinei...
Vivemos diferenciando as pessoas por não saberem aquilo que aprendemos, por não terem valores semelhantes aos que temos... Somos tão egoístas que por pouco que nos damos acreditamos que deveríamos ser recompensados...
A vida não é assim. Ghandy foi assassinado, Cristo crucificado, Tiradentes foi enforcado... E eu nem sei o que foi feito de Zumbi.
Tive uma conversa difícil ontem pela manhã, um dia pesado, uma noite de pesadelos. Faz já um tempo eu tô querendo um pouco de calma, mas a calma não veio.
Esse texto entre os escritos do ano passado, tava guardando pra concluir de forma otimista, esperançosa... alegre, ao menos. Mas vou guardar agora apenas a minha plaquinha de "Abraços Grátis", ou melhor, atualizá-la para "Abraços Muito Caros", e tentar esquecer um pouco essa minha busca.
(Achar que esquecerei mesmo é querer me enganar, e eu me conheço.)

Vou esperar que alguém que possa pagar,
Um dia me pergunte quanto custa.


SnowFlake.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Cotidiano

As estações mudam
As canções também
E até eu mesma...

Vez em quando me calo.


Snow

Novela

A favorita era a assassina. Tive a infelicidade de ver esta cena e, mesmo não tendo acompanhado o folhetim moderno, sentir a infame brincadeira do autor de tentar surpreender a audiência... Como todos os outros autores, a todo o tempo.
Mas este foi mais ousado, pois geralmente o assassino é escolhido dentre os que pouco participavam das cenas e que estava entre os tantos que poderiam ter gravado a cena do crime. Desta vez, a assassina era a que foi feita pra ser julgada injustiçada, e as vitimas, os expectadores que acreditavam que não podia ter sido a que já fora condenada.
Eu, num quarto de hospital, acompanhante de um amigo com suspeita de hepatite, tendo raras opções além da TV, vi com desdém o ridículo ter a audácia de nos fazer sentir ridículos.
Há muito que não assisto novelas. Parei no início da adolescência, período em que não lembrava mais das que vira na infância e de lá pra cá não registrei quase nada. Depois até tentei me habituar à dose de emoção esmigalhada gratuita diária que nos oferecem as emissoras de canal aberto, mas não consegui.
Queria até que tivesse sido por um motivo nobre e intelectual como a soberba de dizer que não assisto porque isso tudo é porcaria, é alienação, é perda de tempo e eu gosto é de cultura, de algo com conteúdo, que me faça crescer intelectualmente, mas não. Meu motivo é bem menos rebuscado.
Não assisto por causa dos autores mesmo. Os mesmos.
Estou cansada das Helenas e Dinorás e Brancas, das que vão ter câncer e raspar a cabeça, dos amores que vão chorar todos os capítulos pra ficarem juntos no final – e agora até que isso ta mudando. Eles podem até ficar separados, como amores para serem resolvidos em outra vida... rs. Nessa onipotência ressurreitiva da repetição -. Estou cansada das crianças trabalhando em papéis quase nunca infantis, das vilãs morrendo queimadas ou indo pra um hospício, como se ficar louco fosse conseqüência esperada por ter sido ruim desde o início. Não agüento mais as gêmeas idênticas, uma boa e outra má, os clones de si mesmos fazendo se passar, os mutantes e tanta gente de olhos azuis e os pretos domésticos, solícitos, escravos ou ladrões...
Eu tenho pena de todos eles. Parece que os autores não.
Meu coração lamenta pelos personagens ali, em cada tomada à mercê da caneta – hoje em dia dos bytes – de um escritor que pouco está aí pra os que garantem a audiência, que dirá pra o elenco... que vai se envolver com drogas, cometer delitos, chorar amores perdidos, se decepcionar, ser injustiçado...
E é sempre assim, se se apaixonam no início eu penso cá comigo “coitados”, eu já sei o que lhes reservam os próximos capítulos. Se se esforçam pra fazer uma maldade atrás da outra, jurar que irão se vingar a qualquer custo, que os antagônicos protagonistas hão de os pagar, eu lamento até mais. Fantoches da caoticidade criativa dos autores nacionais, amigos e rivais.
Faz pouco tempo vi capítulos de uma novela estrangeira, (argentina, o Google me disse), que passou no SBT, pela tentativa do autor de fazer diferente. A trama girava em torno de um homem hetero que por meio de um feitiço, que lhe foi jogado por uma ex-amante, ganhou o corpo de uma mulher e conheceu o que na realidade, apesar das transexualidades, nunca será possível: ver por um outro ângulo permanecendo do mesmo lado e poder imaginar como é um “lado de lá” sem sair do lugar.
Do meio pra o final ela já não queria mais voltar a ser ele e ter o seu verdadeiro corpo de volta e temia, como todos, que o feitiço tal qual começara, alheio à sua vontade se desfizesse. E Lolo não fosse mais Lala...
Não vi o final. Melhor. Posso imaginar o quanto quiser que tudo deu certo (sem consultar o Google, claro.), e que todos, conforme os feitos foram recompensados.
Prefiro isto à certeza de que nada valeu a pena. À consciência de que, de tudo o que foi feito, nada pôde ser aproveitado. Prefiro isto às evidências de que o meu castelo de sentimentos fora construído sem alicerces e sem fundamentos e que, ao sopro dos primeiros ventos tornou-se em escombros, tijolos sem cimento, soltos, sem direção... Ilusões desesperançadas.
Dia seguinte levei pro meu amigo o meu aparelho de DVD comprado há apenas quinze dias da data e ainda não inaugurado. Assistimos a alguns filmes piratas. Levei também um livro pra gente estudar pro TRT, dúvidas e o edital. Chega de TV!

De frustrações, enganos, decepções e traições, basta-me a vida real.


Snow, reprisando-se.

Confissão

Faz já um tempo que eu não te amo.
Porém, só me dei conta disso ontem
Quando a solidão
Sussurrou ao meu ouvido.


Snow

Liquído

Eu queria já ter tido as aulas práticas de psicologia com o ratinho.
Não q eu goste da idéia de deixar o pobre do animal em abstinência só pra fazê-lo puxar cordinhas e tocar bastões, essa parte eu odeio! Mas eu gosto de pensar sobre o valor q damos pras coisas e acredito q uma vida está sempre baseada nos valores q se aprendeu a dar pras vivências das experiências q se teve, no tempo q existiram.
Isso do rato sentir tanta sede a ponto de fazer tudo o que estiver a seu alcance para conseguir água me desperta para um mundo tão complexo e íntimo de abstinências e saceios (é assim q escreve? O Word não reconhece.) que chego a achar que é injusto que eu aprenda mais que ele, a cobaia que de fato sente.
Todos nós temos sedes.
Lembrei agora do que uma amiga me contou certa vez sobre sua infância difícil e da primeira vez que sentiu vontade de comer um biscoito Negresco. Aí depois de um tempo uma colega deu pra ela uma bolachinha do seu pacote e a que há muito desejava provar, maravilhou-se com o sabor e alimentou o sonho de um dia poder comprar um pacote inteiro e comê-lo sozinha.
Isso explicou porque ninguém entendeu quando, adolescente, já trabalhando, pegou seu primeiro salário e comprou vários pacotes de Negresco e, ao abrir o primeiro, saboreou-o deliciosamente como se fora um manjar. Àquela época já havia se passado tanto tempo desde o primeiro desejo, que o biscoito não era mais novidade pros outros e já não estava mais na moda. Já existiam tantos que pareciam melhores que ele e aquele, na verdade, já tinha mudado até de nome...
Eu tenho receios de falar das minhas sedes. Mesmo quando o lugar me parece meu, prefiro dar um exemplo alheio. Falar de um anônimo me parece mais válido do dizer do quanto era precioso para mim aquele detalhe.
Talvez o medo de me ver obrigada a redimensionar as coisas que vejo, da maneira como eu vejo. E ver o quanto a minha sede me impede de observar que a água é um dos recursos mais abundantes do planeta... Mas esse é o meu medo mais modesto.
O concreto é saber – e sei mesmo – que as pessoas outras, tais como os nadadores, os pescadores, os mergulhadores, os navegadores e mesmo aqueles que apenas abrem a geladeira e se servem de um copo d’água quando têm sede, estes jamais entenderão o que eu sinto quando olho pra ela... Nunca poderão compreender o valor que tem pra mim cada gota.
E há ainda o motivo mais egoísta e covarde de todos. O meu medo de que, ao revelar minha sede, estes que ouvem ainda me façam chorar...

E eu seque.


Snow, sobre chuvas de madrugada.

sábado, julho 26, 2008

Receita

(Nicolas Behr)

Ingredientes

2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles

Modo de preparar

Dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração.

Leve a mistura ao fogo,
adicionando dois conflitos
de gerações às esperanças perdidas.

Corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos
beatles o mesmo processo usado
com os sonhos eróticos, mas desta
vez deixe ferver um pouco mais e
mexa até dissolver.

Parte do sangue pode ser
substituído por suco de
groselha, mas os resultados
não serão os mesmos.

Sirva o poema simples
ou com ilusões.

(Do livro Restos Vitais)

Mérito ou Antiguidade

Embora eu acredite q os meus problemas sejam bastante incomuns com relação aos q me fazem saber dos outros, não acho q minha vida renderia um livro. Há palavras q não pronuncio. E há histórias q não merecem ser contadas.
No mais, uma órfã de tutores q sai adotando entidades e pessoas q passarão o tempo ocupando-se de provar q não merecem tal adoção. (E algumas vezes conseguirão.).
Eu, trato bem a todos. Mesmo os q não merecem ser bem tratados.
Há os q esperneiam feito criança estranhando o colo alheio.
Há os q, sorrateiros, procuram por algo errado. Um desvio, um beneficio ilícito, um interesse oculto... Esses, não acham nada.
Há os q cavam a falta. – Nesse caso eu não hesito em cair. Fora.
Há os pegam o q querem e seguem viagem.
Há os q deixam rastros. Cicatrizes, no caso.
E eu continuo. Não sei como nem por que. Muitos, por muito menos, morrem.
Fico olhando pra tudo como quem sobrevive a uma bomba... q não deixa nada.
Passo dias e noites curando a memória castigada. Já nem sei mais em q ano foi q tirei férias dessas imagens ruins q se renovam.
O psicólogo até tentou. Mas avisaram q eu atraio problemas. E é verdade.
Deve ser pq eu sou boa. Sou simples. De inofensiva aparência. E me recuso a ser áspera e contradizer minha essência.
Trinta anos de ver toda tentativa de construção desmantelada...
Eu não defendo ideais nem ideologias.
Essas coisas perfeitas não existem e, além do mais, eu gosto da existência dos erros.
Errar é característica humana. Só sendo humano pra dar a algo este significado.
Eu defendo pessoas. Já defendi até indefensáveis.
Pessoas são semelhantes. Ideais são de outro naipe.
No passado, em nome de ideais pessoas iam pra fogueira, pra forca, tinham seus pescoços cortados.
Eu defendo os inocentes. Mesmo q tenham pecados.
Eu me baseio em valores. A vida. A paz. A diferença.
A justiça é relativa. E não acredito nela.
Acredito na cor do sangue. Igual em toda raça.
Acredito no sorriso, no abraço.
Eu creio em assinaturas q não têm fé pública.
Eu gosto do sol e da chuva.
E tem um monte de gente q não gosta de gente como eu. Q só ta ali... Não quero vantagens.
No trabalho alguém me elogia por lhe ter tratado bem. E eu tenho receio q esse comentário gere uma sindicância. Pra apurar se eu sou boa mesmo no trato. Ou se é só fachada. Ou melhor, verificar o q eu devo estar querendo ganhar com essa bondade toda...
Estou presa.
Um ano de cadeados e grades.
Faz já um tempão q eu só faço inimizades. Qualquer tentativa extra gera um transtorno tão grande q eu me fecho, cada vez mais.
Esta semana irei a um psiquiatra. Tirar licença médica.

Entrarei para o grupo dos remédios controlados.


Snow, desprovendo-se.

quarta-feira, maio 28, 2008

Margem

Gostava de ler livros antigos.
Não apenas por serem mais baratos, podendo ser comprados em sebos, mas em especial pela sensação de conforto q lhe vinha sempre q podia conhecer algo q já era conhecido. Pela surpresa de abrir numa página uma frase sublinhada a lápis ou a tinta, uma marcação discreta, um desenho, um rabisco...
Poderia dizer mais, que não sentia o mesmo prazer nas páginas virgens. Talvez por isso nunca lesse sem caneta, sem poder arrancar este estigma das palavras q ainda não foram lidas. Desta forma, relia-se, e acalmava sua necessidade de experimentar o q existe, o q é real ou q, pelo menos, já foi possível.
Certa vez, lera um livro todo grifado, cheio de adendos e pequenos comentários, círculos, flechas, subscritos – aliás, isso é muito comum em bibliotecas públicas e de faculdades, o q é incomum é o tempo para estas leituras extracurriculares – então experimentou um prazer até então inexplorado... e foi daí q nasceu sua paixão por este aspecto dos livros usados. Tanto q esquecera o autor, o verdadeiro, o q escrevera o livro, do qual também já não recorda o titulo. Mas lembra perfeitamente da grafia reta, com letras finas, harmoniosamente articuladas e feitas à tinta.
Esses rabiscos anônimos encantara-na como quando pouco importa que os defeitos se agravem ou q as qualidades se ressaltem, pq tudo é ingrediente indispensável da confecção daquele sorriso...
Ela gostava de ler livros velhos por tantas razões q era difícil lembrar qual q poderia ser mencionada sem muito receio se um dia lhe fosse perguntado o verdadeiro motivo.
No início emprestava os seus. Tinha a pretensão que q lessem-na junto com o livro. Mas isso não deu certo. Percebera no fim de tantas perdas q perdera-se nas entrelinhas, do mesmo modo em q perdiam e não devolviam mais seus livros. Era, dessa forma, autora ágrafa de uma linguagem desconhecida.
Depois começou ela própria a anotar, afim de não deixar impresso apenas o autor, q imaginava, incomentado, com frio e sozinho. Pensava q talvez o autor se sentiria feliz se pegasse por acaso um exemplar antigo e constatasse q, como às vezes parece qnd se escreve, não estava mais sozinho. Imaginou o leve sorriso q o autor esboçaria... e esboço, é tb como chamamos o rascunho, a idéia, o pré-livro.
Lhe excitava tanto a idéia de descobrir o q pensavam os outros no momento em q era lido o q agora só ela lia q divertia-se com isso. Como qnd teve vontade de rir ao observar numa biblioteca, uma estudante folheando A Casa dos Budas Ditosos, tentando manter o ar de sobriedade... ar q ela sabia impossível.
Esse gosto peculiar tornava-se tão ressaltado, q chegou a folhear exemplares apenas com a finalidade de encontrar anônimos grifos... E como se quisesse do mar, nada mais q a garrafa com a carta de alguém q naufragara, ela buscava endereços, telefones, uma declaração, um bilhete... essas coisas q só os q lêem, de alguma forma, gostariam de encontrar por entre as páginas, de um livro perdido.
Às vezes pulava para um grifo e esquecia a folha inteira, ou o capítulo. E no citado caso grave, já não sabia qual tinha sido o livro.
Um dia, lendo poemas, comprados de segunda mão, lágrimas escorreram pela segunda vez na mesma obra, quando, páginas adiante do primeiro “eu te amo”, com outras letras e tinta, percebeu o “eu também”, revelando q o primeiro leitor fora correspondido.
Foi neste momento q se deu conta de q o seu prazer só poderia existir de uma dor. Ou de um abandono, de uma tentativa de limpeza, de um gesto de desapego q é também desamor, descaso ou desperdício... Como quem admira o produto, mas descarta, pq já é lixo.
Nesse dia observou, sem saber se fazia o certo, envergonhada pq se intrometia... E acrescentou na contra-capa qse com quem retira:

Nunca deveriam ter se desfeito deste livro.


Snow, amarelada, riscada e cheia de digitais desconhecidas.

quinta-feira, abril 24, 2008

Anonimia

Quero que sáiba que não faço nada porque não posso.
E que não digo nada porque não há nada que consiga falar.
Evito tudo o que poderia fazer mal.
Só não consegui barrar o pensamnto...

Aliás, nos últimos tempos,
Lembrar se tornou tão inevitável quanto o ato de respirar.


Snow, num bilheite de náufrago, desses de garrafa, pelo mar...

Receita para se esquecer um grande amor

(Marcelo Maroldi)

Às vezes eu fecho os olhos, inspiro e procuro sentir a presença de quem já não está por perto. É um método que eu inventei tempos atrás..., e uso sempre quando o amor se transforma em saudade.
Os grandes amores existem. As grandes paixões existem. Eles existem. Eles simplesmente existem. Eu desejo que todo ser humano possa sentir o que eu um dia já senti. Somente uns poucos minutos daquele entorpecimento juvenil, daquela inundação de sentimentos que enlouquecem, daquela loucura toda que te envolve, te amedronta, aquela confusão monstruosa que vivi quando amei. E quando fui amado. Uma paixão avassaladora que me fez acreditar que eu ainda permanecia vivo. Vivo e amando. E amado. Mas, agora, eu fecho os olhos para dormir. A cama cresceu tanto de tamanho, o meu peito cada vez está menor. E muito mais vazio. Ninguém a me ninar. A minha mão não encontra a sua. Quem foi que viu a minha Dor chorando?! (Augusto dos Anjos, "Queixas Noturnas". Mas, no meu caso, diurnas também). Eu quero uma receita para se esquecer um grande amor, o senhor tem aqui para vender? O preço não me interessa, eu só quero poder seguir em frente. Nem precisa ser em frente..., basta seguir. Porque A minha vida sentou-se/ E não há quem a levante (Mário de Sá-Carneiro, "Serradura").

E o vazio logo aparece, não dá um minuto de folga (“meter a cara no trabalho” é algo que também não tem funcionado). O telefone não toca naquela hora, a minha caixa de e-mails não tem pena de mim, já não tem novidade boa a me contar. Uma sensação leve e prematura de derrota logo se apodera da gente. Depois ela cresce. Já não é mais sensação, é derrota mesmo. Eu não tenho mais para quem escrever os meus defeituosos poemas, a quem dedicar meus pensamentos, quem vai me acalmar quando a agonia aparece sem avisar? Eu me sinto tão sozinho. Por vezes eu nem me sinto. Meus olhos não vertem lágrimas, o meu coração não dispara. Será mesmo que estou vivo? Ainda nem maldisse toda a minha sina e mazela, nem afoguei minhas (agora) crônicas mágoas na cachaça libertadora, também não há outro perfume no meu corpo. Viver é amar, um dia me explicaram direitinho. Eu era inocente e acreditei. Só inocentes e tolos crédulos aprendem isso, eu tive o azar de ser um deles. Nem ouso reclamar.

Quando acordei foi em você que eu pensei. Provavelmente pensei em ti durante toda a noite também, mas dessa vez tive a sorte de não recordar. Não importa como minha vida esteja seguindo, é sempre em seu sorriso que meus pensamentos se convergem. Não há fuga nem plano B. Eu aprendi que não é te esquecendo que irei me livrar de você. Não importa quanto tempo transcorra, jamais me esquecerei daquela noite, aquela, quando estupefata você ouviu minha curtíssima e derradeira declaração de amor. Metade do tempo eu reflito sobre o que ela significou e o que ela irá se tornar em alguns parcos anos. Logo, meu coração será de outra, as suas coisas queimarei no quintal (afastando a cachorra para que não se queime) e essa frase eu voltarei a dizer. Mas não para ti, jamais para ti, nunca mais para ti... Você será apenas uma lembrança, feito tantas outras, e eu serei apenas uma lembrança para você... feito tantas outras. Já não me amas? Basta! Irei, triste, e exilado/ Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho (Olavo Bilac, "Desterro").

Quem errou mais? Isso não importa agora, logo, posso ficar com toda culpa pelo nosso fracasso. Sempre sonhei com algo diferente, como nos contos de fadas e nos pagodes de três notas (e se me perguntam Que era mesmo que eu queria?/ ”Eu queria uma casinha/ Com varanda para o mar/ Onde brincasse a andorinha/ E onde chegasse o luar”, Vinicius de Moraes, "Sombra e Luz"). A realidade foi deveras distinta disso, só Deus é testemunha das minhas queixas. Mas, nesse momento, nada disso importa, nada do que doeu agora importa. Eu vou ficar aqui, sozinho, com minhas lembranças e nosso fracasso. Vou lembrar das partes boas, para me emocionar com a saudade. Não lembrarei de nenhuma briga, nem nada disso! Eu quero uma receita para esquecer dos momentos ruins, dos bons eu não preciso. Não preciso e não quero. Para que esquecer do que me orgulho? Do que me fez feliz? Deixa a saudade me machucar, meu anjo, uma hora ela se cansa. Eu não abro mão de recordar o quanto fomos felizes. Acabou, mas não sem muito amor. É o fim, mas não antes de muitas promessas de eterna felicidade. É isso o que vale, afinal. Eu busco isso a cada instante de minha vida.

Mas agora ele está lá e eu aqui. Ele está lá seguindo a vida dele, e eu estou aqui, seguindo a minha. Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte (Neruda, "Aqui eu te amo"). Ela esta lá vivendo a vida dela como se nada tivesse acontecido. Acho, realmente não sei dizer (Teus olhos são duas silabas/ Que me custam soletrar./ Teus lábios são dous vocábulos/ Que não posso,/ Que não posso interpretar Fagundes Varela, "Canção Lógica"). Eu aqui, não triste, mas saudoso. Às vezes eu olho para os céus para descobrir se sinto algo de novo. Quem sabe um daqueles meus suspiros. Passo horas olhando as estrelas, sem entender por que elas brilham. Elas deveriam fazê-lo somente quando você fosse minha, não em qualquer situação. Mas você segue a sua vida, almoça feliz e se diverte enquanto procuro a receita para te esquecer. Sei que não irei sofrer, o que me castiga é a saudade. Não irei chorar, nem lamentar, tampouco desejar a morte. Irei apenas seguir em frente, sozinho agora, às vezes pensando: o que será que ela faz nesse momento?, agora que chove lá fora! O que será que ela faz? Será que pensa em mim? Será que sorri? Eu abro os braços para envolver a minha vida.

Lembra da música da Elis? Vou querer amar de novo e se não der eu não vou sofrer...? Preciso te dizer a verdade: se isso acontecer, eu vou sofrer sim, meu coração só existe para amar de novo, espero que você entenda. Eu sigo a minha vida por aqui, você continue a sua por aí. Se consegui a receita para se esquecer de um grande amor? Não, parece que isso não existe mesmo. A minha é seguir em frente, então, e quando não der, chorar, não há problema nenhum isso, quem aprende a amar, aprende a chorar também (Paulinho da Viola, "Amor Amor") . Eu aprendi, pratiquei contigo, jamais te esquecerei.

Cantemos a canção da vida,/ na própria luz consumida...

(Mario Quintana, "Inscrição para uma lareira")

"O ganhador", Lêdo Ivo (sempre ele!):

Tudo o que ganhei se desfez no ar como uma metáfora.
Agora só guardo o que perdi:
o vento que soprava na colina,
a neve que caía no aeroporto
e o teu púbis dourado, o teu púbis dourado.

Nota do Autor
Este texto faz parte da trilogia que começou com "Dos amores possíveis".

Marcelo Maroldi
São Carlos, 3/8/2006


Snow, sem comentários.

sábado, abril 12, 2008

Sobre o silêncio, sobre Neruda, sobre Leone, sobre mãos, bocas e perfumes...

Gosto quando te calas
(Pablo Neruda)

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.


SnowFlake

sexta-feira, abril 11, 2008

Edredon

Sinto bastante frio qnd chove.
São duas calças, duas blusas, dois pares de meias, dois cobertores...
Tudo isso apesar do banho quente e da sopa!
Também sempre passo o inverno sozinha...
Esse frio todo que sinto acho q é pq, no fundo eu tb devo ser como meus amores:
De verão.

Mas não se doa não.
Vc só não deve sentir tb pq tem músculos bem desenvolvidos.
E semana q vem eu vou pra academia nas segundas, quartas e sextas, já q as terças e quintas estão preenchidas pela Defesa Pessoal.

Quem sabe mais fortinha, não dou mais sorte no próximo temporal...


Snow, brrrrr!

Coisa de Pele

O teste de alergia deu positivo pra tudo. Isso significa falso positivo. O q também significa q a alergia verdadeira não pode ser detectada por teste de pele. Pq a pele referida é extra-sensível.
Doeu bem mais q o imaginado fazer o teste de alergia... e sair do laboratório com 36 manchinhas vermelhas nos braços, q deveriam ser apenas pequenas picadinhas de formigas.
Doeu mais ainda passar na clínica de depilação à laser e saber q custa $350,00 a sessão e q as manchinhas de gilete, cera, pinça, aparelho elétrico etc, ainda vão demorar pra deixar usar o biquíni PP. (E comprovar q o extra GG é resultado de uma pele extra-sensível...)
As pequenas dores não a fizeram chorar. Fizeram-na rir do resultado. Rir do remédio comprado com o fim de atenuar a sensibilidade e rir por ter tido um diagnóstico tão óbvio.
Talvez seja resultado desta extra-sensibilidade cutânea o frio q dá na espinha na eminência de prazer ou dor. O frio q é diferente do frio demasiado q sente no inverno e nas noites vazias, seja de frio ou calor.
Talvez explique pq a pele sente o toque da boca só de ver os olhos e lembrar a voz.
Talvez explique pq às vezes o corpo todo se converte em tecido epitelial e é todo tato, a cada simples contato...
Talvez explique as manchinhas extras de raiva, de abraços e de viagens de ônibus.
Talvez esse novo prontuário dermatológico explique a difusão imediata dos arrepios q vão da nuca aos pés num piscar de olhos e retornam, antes q os olhos se abram, dos pés ao pescoço.
Mas talvez tb seja o contrário, e esta extra sensibilidade venha confundir tudo, tornar cada sensação um falso positivo, um caso indiagnosticável.
E, dessa forma, aquele beijo inusitado, ocasionado pelo cabelo preso, q fez ver estrelas onde deveria haver lábios, e mãos onde existiu apenas o vento...
Talvez tenha sido de fato um sopro de alma no ar, sem toque, nem intento.
E qnd o corpo todo foi alma e o q preenchia o corpo era o sentimento,
Não tenha passado de uma confusão de peles
Pêlos, poros, suor e células
Em movimento.


SnowFlake, aula vaga, texto encontrado em caderno do ano passado.
P.S. O original era assinado por Snow, subcutânea. Mas como diria Rafael, já entrou mais um pouquinho.

segunda-feira, abril 07, 2008

Luto

Queria pensar em você, mas não consigo. Não há um assunto específico.
Você está espalhado por todos os conteúdos, todos os tópicos e já não posso reuni-lo.
Ademais, quando encontro algo sobre o qual posso pensar de ti, meu pensamento é interrompido pela lembrança do teu sorriso... tua voz, teu olhar incisivo...
Queria coligir esses insights, reuni-los, catalogá-los, arquivá-los, mas me parece impossível. É tudo tão esparso e fugidio...
Você tem escapado como areia entre os dedos, evaporado como éter... e pensar concisamente é um exercício difícil. Ao mesmo tempo q esquecer-te, impossível.
Mas está é a única coisa q sobrou em mim. Essa interrupção irreversível da presença, q se materializa, ora com a lembrança nítida da tua partida, ora com as inscrições da última despedida, ora com esse caldo quente q escorre pela face e substancia a dor...
E a dor qnd se vê assim, nua e sozinha, expressando o sentimento velado q, mesmo morto, deve ser sepultado escondido, envergonha, por se ter sentido.
A dor q provoca a lágrima é a mesma q estanca o choro e interrompe o pensamento...
Queria escrever-te uma carta de todas essas coisas q não podem ser escritas.
Queria visitar tua última morada e chorar e te contar de como dói acariciar o mármore frio e todos estes objetos vazios e todas as flores sem cor... Flores de dor.
Eu sei q aonde quer q esteja agora você espera q eu me cure, q a tristeza passe e q eu consiga dar um rumo pra minha vida, mas agora a lembrança é uma ferida aberta e dolorida esperando pelo tempo...

Prometo comer todos os dias.
Prometo não chorar tanto.
Prometo não deixar q me machuquem.
Prometo lutar pelo q eu penso.
Prometo me arrumar, sorrir sempre, praticar as coisas boas q eu já fazia e as q eu aprendi contigo...

Prometo sofrer só até parar de sofrer, mas agora não consigo pensar... Nem esquecer.

Tudo cala-me
Tudo cessa-te
Tudo ceifa-se...

Quero ficar aqui.

(Queria q todos saíssem...)


SnowFlake

quarta-feira, abril 02, 2008

Rumo

Hoje ela saiu de casa porque não sabia mais pra aonde ir com tanta tristeza.


SnowFlake

Pequeninos

Sobrinho 1, momento 1:
- Mãe, quando eu crescer quero ser igual à titia estudando.

Sobrinho 2, momento 2:
- Titia, quando eu crescer eu não quero ir pra escola todos os dias e ficar indo pro trabalho todo sábado e todo domingo não.


Snow, q à cada momento q passa descobre q... não cresceu ainda.

Página

Passei o dia sem nem lembrar que era primeiro de abril e não mais março.
Choveu a noite inteira e, tanto pela manhã, que nem fui pra aula.
Também faltei o Goshin Jitsu e não levei as crianças ao karatê.
À noite comprei um par de sapatos vermelhos... Pra combinar com estes meus olhos.
Esse meu olhar distante e evasivo...
Percebi recentemente, me olhando no espelho, que meus olhos freqüentemente têm a cor do desejo.

E deve ser pelo mesmo motivo.


Snow, q à cada ano q passa compra uma agenda menor q a anterior numa tentativa de evitar, certas coisas q... é isso.

terça-feira, abril 01, 2008

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabor



Snow, sem palavras.

quarta-feira, março 19, 2008

Começo

Tomara q o dia acabe
Q a lua chegue
Q escureça
Q as horas voem
Tomara q eu te encontre...

E q depois o tempo pare.


Snow, num clichezinho bom...three months ago.

Hot

Comprei um produdo novo pra nós,
Um gelzinho q esquenta em contato com a pele.
Pra qnd o inverno chegar...


SnowFlake

Ciclo

Uma vez por mês sou como uma lua de quatro fases, em apenas uma.
Mansa. Irritada. Agressiva. Frágil...
Tímida e durona.
Sensível.

Uma vez por mês é esse bombardeio de anseios, desejos, frustrações, angústias...

Uma vez por mês vulnerável.
Suscetível.

Uma vez por mês eu queria chegar em casa e ficar sozinha.
Pra soluçar todas essas lágrimas q escondo.

Uma vez por mês eu fico redondinha.
Fico querendo o mar, o céu, as nuvens...
Uma vez por mês, eu fico assim, por alguns dias...

Nascendo e me pondo.


Snow, no seu mundo.

Rodapé

Freqüentemente tenho q interromper a leitura pq meu pensamento não acompanha.
Eu até q tento, mas sempre acabo me perdendo no meio.
E assim o parágrafo fica lá,
Falando sobre coisas diferentes
Dos teus braços, dos teus beijos, do teu peito...

E deve ser por isso q eu continuo não entendo qse nada do q leio.


Snow, revendo anotações na véspera.

Atenção!

Pintei os cabelos de vermelho e sei q há muita diferença pq qnd me olho no espelho não estão mais lá os fios louros, nem os negros, e o meu semblante também incorporou a tinta... mas ainda assim não me vejo mudada.
Mudar é um processo complexo. Eu tenho mudado uma coisinha ou outra mas sempre me acho tão a mesma q, vez em qnd tenho certeza q... não mudou nada.
As pessoas mudam. As outras, todas. E é por isso q eu tb, qnd vou ver já mudei um pouco com essa mudança toda.
As pessoas de minha vida são como as tintas do meu cabelo q mudam a minha cara... Elas mexem na minha naturalidade sem alterar a raiz. E no fundo eu sou de uma cor q não existe. A pintura é uma tentativa de dar forma pra mostrar movimento...
Mas eu sou parada.
Vermelho-vinho na parte q era loura, vermelho-roxo na parte mais escura e vermelho-sangue na q era castanho-clara.
Houve uma época q mudava de e-mail, de telefone, casa. Hj eu mudo a cor, o comprimento, o penteado.
No fundo eu queria mesmo era mudar por dentro...
Pintar o coração de verde, mas no momento,
Tal qual sinal q faz a gente ficar enfrente à faixa
A esperança continua lá... só q agora na versão vermelha...

Fechada.


Snow red power, Tomate, Rebelde...
Recentemente me chamaram de ruivinha... balancei a cabeça em negativa, mas dois ou três passos depois, dei risada.

SMS de um P.S.

A blusa que eu usava qnd te abracei
Guardou um pouco do cheiro q vestia o teu peito...
Já não posso lavá-la, ao invés,
Cobri com ela a fronha do travesseiro sobre o qual me deito
E isso me dá a sensação que é a vc quem abraço qnd adormeço,
E q é sob o ninar dos teus lábios
Q repousa o meu beijo.


Snow, digitando pra deletar.

terça-feira, março 04, 2008

Algo q achei lindo

Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.


(Pablo Neruda)


Snow love Neruda.

Trecho

Eu era um jovem louro e saudável quando adentrei a baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conheci Teresa. Ao ouvir cantar Teresa, caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, senti que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era o meu, e foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. No princípio ela até gostou, ficou lisonjeada quando lhe disse que estava escrevendo um livro nela.
Depois deu pra ter ciúmes, deu pra me recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou.
Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava pra escrever nelas e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a novas colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar as suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saíam da minha vida, e o meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou na minha cama e me ensinou a escrever de trás pra diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.

(Chico Buarque, trecho do livro "Budapeste")


Snow, recebido por e-mail de um amigo... q quer me incentivar a ser escritora.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Na alegria e...

Laboratório da faculdade, vim ler alguma coisa, passear... (rs), aproveitar as férias!
Tô pensando em trancar. Na verdade, tô em frente à porta e com a chave na mão...
Me disseram q a faculdade abriria portas... eu não sei o q dizer.
Vou sentir saudades, não queria q fosse um adeus pra sempre. Foi uma paixão que eu gostei de ter.
Na verdade eu queria, sabe? Queria muito que tudo desse certo, q fosse perfeito e q essa minha relação durasse... Essas coisas de ter um final feliz, uma união com frutos, q eu não tivesse q concordar tantas e tantas vezes com as teorias de Rafael q, mesmo qnd eu não concordo, parece q algumas coisas têm o dom de se impor numa urgência maior, sempre independentemente da minha aprovação.
Na realidade, se essa faculdade não exigisse de mim tanta dedicação total, exclusiva e em tempo integral, sobreumana, sobrecarregante e absurdamente exaustiva, eu acho q até suportaria essa relação, pelas partes boas...
Mas acontece q, fosse lá qual fosse a nota, ela não poderia pesar mais que os meus preciosos 5 quilos q foram embora em menos de 5 meses sem dizer se voltariam...
Não poderia ter maior valor q as minhas noites insones, atordoada, q os dias sob total tensão e cansaço, q os meus olhos tensos, o corpo trêmulo, as mãos frias...
Sei q vou sentir falta da biblioteca. Lá ficavam os livros q eu não podia ler pq não tinha tempo. Estava ocupada demais com os meus trabalhos acadêmicos.
Vou sentir falta das aulas, em especial as q eu não podia prestar atenção pq tinha uma prova no horário seguinte e logo mais, uma apresentação... Ou pq tava morrendo de sono de ter passado a noite em claro, estudando...
Sentirei falta das palestras q, não participei pra não tomar falta na aula q tava acontecendo na minha turma...
Das festas q não fui, pq eram caras.
Vou sentir muita falta do laboratório com o Orkut, o MSN e o You Tube bloqueados e mais uma série de categorias de outros sites. E o frio do caralho.
Muita falta me fará conhecer mais minha turma... q tb não se conhece.
Os filmes q eu assisti, q eu só tive acesso ali, e q eu não consegui apreciar na verdade como filme, como cinema, como uma arte, pq tinha q anotar, pq tinha resenha, pra nota.
Vou sentir falta dos experimentos q eu gostava tanto e q exigiam de mim páginas e mais páginas de relatórios.
Vou sentir falta de ter sentido tanta falta... e não sentir mais nada.
Quando tudo começou eu pensei: Tai, agora é só assistir aula e ler!
Ledo engano. Era só produzir.
Sinto q preciso dar um tempo...

Até mesmo pra descansar a máquina.


Snow, na tristeza.
P.S. Inicio do semestre passado, q eu não cursei.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

P.S. de um SMS

Escrevi uma mensagem tão bonita que deu medo de mandar. Ele acharia q não merece. E meu medo era que ele quisesse que eu também achasse.
Eu acho que as musas não mereciam os poemas clássicos. Nem as divas. E eu não me arriscaria a dizer isso na cara do Da Vinci, mas a gente sabe que... nem mesmo a Monaliza.
Com o tempo a gente aprende que a inspiração é mesmo algo particular. Publicá-la é a tentativa de homenagear alguém que talvez não esteja nem aí... Nem lá, dentro de nós, para aonde entramos para compor.
Outro dia vi meus sentimentos de perto. Olhei para eles arregalada, assustada com a sua grandeza, sua força, sua formação... Meus sentimentos sou eu, desde agora até a infância. Amalgamada de emoções que vou contendo e expectativas, regada a risos e lágrimas. Do outro, tem na realidade tão pouco, que chego a pensar que é vão declará-los. Dá vontade de dizer, como já disse “Eu te amo, mas não é bem isso. Não é por você, eu amo por mim.” Porque eu amo mesmo, e é assim.
Não sei bem se por maldição ou milagre, mas eu não sei não amar.
Não é que você não fez nada para merecer, meu amor, é que você não vai fazer. Não pode. Não lhe compete. O meu coração é meu e eu nem sei até que ponto, mas o que eu sinto está em mim, me compondo. Como a dor. Como a alegria...
Você pode até me bater ou me contar uma história engraçada, mas isso não é condição suficiente pra que eu reaja. Pra que eu sinta amor ou ódio.
Engraçado, relendo, parece óbvio. Parece também que eu controlo tudo o que eu sinto, mas acho que é bem o contrário. Nem você, objeto dos meus sentimentos, nem eu controlamos nada. E é tudo muito frágil.
Eu, no máximo, direciono. Você, no máximo, induz. Nós, no máximo, tentamos.
Eu já disse, já escrevi, já cantei tanta coisa nessa vida que hoje sei mesmo que já não faço quase nada.
Mas tudo o que você vê nos meus olhos e nos meus gestos enquanto eu fico calada é pra você...

Mesmo que não seja por sua causa.


Snowflake.

terça-feira, janeiro 29, 2008

O tempo acabou

Numa das minhas recentes aparições pela net – q têm se tornado cada vez mais raras e rápidas ultimamente – algo me chamou atenção nesse ambiente on line.
(Esse parêntese é pra explicar q um dos muitos motivos q têm me feito não escrever aqui é a raiva q tenho sentido de usar computadores de cybers.).
E extrapolando o parêntese, saliento q antes, nem me importava de onde fosse o computador ou o q eu tivesse q fazer para tê-lo por algum tempo e poder publicar meus textos neste blog e, por conta disso, eu me dispunha a fazer coisas q hoje, com a consciência um pouco mais sã, eu não faço mais.
Lembro de já ter pagado $4.00,00 por hora... De já ter gasto bem mais do q eu podia, tipo, o $ do transporte da última semana do mês na escola, qnd o do lanche do mês inteiro já havia sido sacrificado... Lembro de pegar 4 ônibus pra estar na casa de alguém q me deixasse usar o micro, de viajar por horas, de faltar aulas da faculdade, de dar graças a Deus qnd rolava um horário vago, de agüentar o frio, para mim, insuportável, e ficar tremendo num laboratório congelante... De usar um computador sem mouse, de ter pilhas de disquetes, de digitar no editor do e-mail – q sempre expirava com meu texto inteiro – pq ali não tinha do word, nem o pad... De tentar com todo esforço aprender o Linux, pq a máquina não tinha Windows... De ver meus olhinhos brilharem de alegria qnd alguém q eu conhecia comprava um micro, de eu mesma já ter tentado algumas vezes e planejado milhares de outras fazer o mesmo. De ter aceitado emprego cujo único salário era o benefício de usar a máquina, de fazer horas extras... De disputar um 486 numa fila com qse todos os outros q moravam na república, de só conseguir horário pela madrugada. De ficar babando de inveja dos q trabalhavam o dia inteiro na frente do computador, de ter feito vestibular pra Ciência da Computação... De ter implorado uma vez pro brother não fechar antes q eu transcrevesse aquele último parágrafo... De fazer olho comprido qnd meu tempo acabava, de babar de inveja de um amigo meu q tinha um note book e podia levar consigo para aonde quisesse e, um dia ele o levou para minha casa... e eu lhe fui grata eternamente qnd ele prometeu q qnd eu quisesse ele me emprestava...
Um dia, e só muito recentemente eu desisti dessa idéia q tive por uns 8 anos qse , onde o maior sonho de minha vida era ser dona de um cyber...
Com todo esse histórico é dificil, muito difícil pra mim me desvencilhar desse objeto idolatrado...
É verdade também q já não bate aquela mesma onda, e isso tem até a ver com a possibilidade mais real de eu comprar um em breve e estar, digamos, “me guardando” um pouco pra esse momento tão esperado.
É tb certo q as novidades já me vislumbraram mais – ou q eu já não me deixo vislumbrar pelo brilho delas - e q as velhas coisas continuam as mesmas, só q agora com mais spans, mas vírus, mais ferramentas... Cada vez mais irritantes de se descobrir como é q faz pra continuar não usando.
Fechando o maior parêntese desse blog inteiro - só pra fechar mesmo, já q a lista tá bem longe de acabar- eu tenho procurado gastar meu tempo mais lendo q escrevendo e, também aconteceu de eu perceber q as coisas q a gente escreve as vezes são muito parecidas ou estão muito próximas da forma genérica q é esta confusão de finais e começos...
Sabe o q é perder a graça de falar sobre detalhes q parece q só vc vê, justamente por descobrir q, pros outros, já não é mais novidade?
Sabe o q é, pra um escritor, descobrir q seus textos são só um amontoado de palavras q se reordenam de ciclos em ciclos ao longo das pautas do tempo e q vc, é apenas um verso de poema da caneta do acaso?
É... e o meu off-line-mento tem tb a ver com este estado.
E com todos aqueles sacrifícios q eu fazia sem medir esforços para conseguir digitá-los q, me desculpem os sonhadores, não leva ninguém a nada.
Mas agora, lendo por alto uma página onde se publicam editais de concursos públicos e tendo noutras janelas aberto o e-mail do trabalho, a home da faculdade e o meu e-mail pessoal, depois de fechar rapidamente o orkut antes q alguém visse q eu fique on e não desejei feliz aniversário, algo me chamou atenção para além dos bytes.
Ela deveria ter uns 19 anos. Cabelos compridos, negros, ondulados, pele morena, aparência saudável e um riso no rosto com um brilho q me deu saudade dos tempos em q eu usava compulsivamente o msn... Abri. Só pra ver se tinha alguém on line. Três ou 4 gatos pingados, um desconhecido q me adcionou sabe-se lá Deus através de quem ou de onde, um brother, um xato e um veterano. Disse olá ao brother, mas ele me avisou q já tava de saída. Nenhuma, cara. Pensei comigo “já vai tarde”, e fui tb. Antes só q com o msn ligado.
Fiquei olhando pra tela. Nem lendo, mas só vendo as palavras, as figuras, os minutos passarem, absorta, tentando dissolver da mente os momentos de tensão de um dia cheio no trabalho.
Foi assim até q essa minha desconexão caiu e ouvi de repente o som de um choro do qual pude perceber ainda os gestos de quem tentava disfarçar as lágrimas... A mesma pessoa q antes vibrou por ter visto q passara num curso preparatório para o mercado de trabalho, q sorira encantada e encantadoramente para um janela do msn à ponto de até me despertar para ver o meu, agora, ali no mesmo programa, entre soluços disfarçados, chorava...
Foram essas lagrimas q me fizeram rever o HD dos meus últimos 7, 8 anos. Ou talvez 10, 12, desde q vi um microcomputador pela primeira vez.... Me fizeram lembrar de muitas das minhas fases, fantasias, realidades (virtuais e nem tanto), dos textos, pesquisas, frustrações, descobertas, desabafos, emoções, piadas, ppss, gifs, fotos, vídeos, câmeras, chats...
E digo mais, não fosse o tempo já estar acabando eu juro q reabriria o messenger e diria um "hi" praquele forasteiro só pra, sei lá, dar um refresh, tirar a teia, saber qual seria a sua nacionalidade...
Mas nem. Na dividida, faz tempo q tava devendo um post mais ou menos de verdade aqui e, como não é todo dia q a inspiração bate (embora eu apanhe dela bem mais), e a boa vontade sempre tem pressa de ser aproveitada...
Lembrar de emoções vividas me deixa com esse ar assim, de indisfarçável saudade.


Snow, q deve este texto à menina da máquina ao lado, nesta mesma lan house.

sábado, janeiro 26, 2008

Crônica da Loucura

De Luis Fernando Veríssimo, recebido por e-mail.

O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.
Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses.
Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:
Na última quarta-feira, estávamos:
1. Eu
2. Um "crioulinho" muito bem vestido,
3. Um senhor de uns cinqüenta anos e
4. Uma velha gorda.
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. (1). Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados. (2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime.
Deve gostar de uma branca, os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba". Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro.
Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo.Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso.
Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina. (3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos?
Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roia as unhas.
Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assuou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa.
Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas.
Homossexual?
Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido. (4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria meu Deus. Bastava olhar no rosto dela.
Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista.
Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.
Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera.
Ele ri... ri muito, o meu psicanalista, e diz:
- O Ditinho é o nosso office-boy.
- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
- E você, não vai ter alta tão cedo...


Snow, repassando.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Lavagem do Bonfim

Calcinha? Eu vim com duas.
Um absorvente interno, um externo,
Um biquini
E um short por baixo da saia...
Isso tudo vestida.
Na bolsa uma calça jeans e uma sandalia baixa...
Esparadrapo, band-aids, crédito no celular, preservativos...
Usei tudo.
Menos os preservativos.
E ainda assim estou fudida.
Apesar do Engov e da Dipirona...
Na saída o vendedor de cerveja me veio com o slogam:
Quem tem fé bebe!
E eu saí seguindo o cortejo, fitinha branca no braço, colar do Gandy no pescoço, cheiro de alfazema... atrás do Jegue Eletríco até a Colina Sagrada...


Snow, descobrindo à cada dia q viver é melhor q teclar.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Cafe Beat

Recito poemas ao vento - e alguns são lindos - e nem todos são lamentos.
Sussurro belas frases em travesseiros acompanhadas de lágrimas q não serão compreendidas
Ando por aí cortejando a grama, os insetos, bendizendo as estações, o tempo, o clima
Sorrio para o infinito ou para o fundo de pára-brisas parados aonde alguém imaginário me decifraria... através das películas
Estréio sorrisos e ensaio passos tentando acompanhar o ritmo... por demais acelerado.
Penteio e passo as mãos nos cabelos, perfumes, batons, sombras, óleos, florais, tornozeleiras, hidratantes, brochinhos, olhadas descompassadas ao espelho...
Enfeites de uma horinha a mais no salão, de uma sandalinha com strass, de vestidos, gliter, delineadores e colares.
E Sol. Para incentivar a melanina...
Enquanto bocas desfilam na música alta aonde ninguém me olha, sequer escuta.

Ninguém vê a menina
Pensando num namorado...

Lá pelas tantas, um dos q beberam demais grita um desabafo: Aqui só tem viado!

E o restante é tudo puta.


Snow, noite dessas aí.

sábado, novembro 24, 2007

Cisco

Fizesse sol, pareceria suor escorrendo pela face.
Chovesse, taria tudo explicado.
Mas era mormaço...

E ninguém entendeu a vermelhidão daqueles olhos inchados.


Snow, de volta.

domingo, novembro 11, 2007

Nova Postagem

Eu descofio q ando feliz esses tempos...
E deve ser por isso q nao tenho escrito.
A felicidade me faz ficar sem palavras.

Snow

segunda-feira, outubro 08, 2007

Pacotes

Qnd viajamos, ao chegar no local do nosso destino, a gente sempre acha q levou menos coisas q o necessário, pois é nessa hora q nos vemos na ausência de objetos q, em casa, sempre disponíveis, não damos o devido valor.
O inverso acontece na hora de voltar, qnd chega a hora em q percebemos q levamos coisas demais e os compartimentos da mala já não suportam o q precisa ir para casa.
Normal. Até pq as roupas, agora sujas, não têm o mesmo volume de qnd limpas e passadas, e já não temos tempo ou não estamos sóbrios o suficiente para acondicioná-las. Além disso, há sempre alguém q nos dá um presentinho, uma fruta, uma lembrança, um algo para levar: “tome, dê para sua avó.”. E tem também aquelas coisas q a gente termina comprando por lá para satisfazer alguma necessidade local: um doce exótico; uma comida típica; um tipo de biscoito q só é feito ali... ou para satisfazer uma necessidade sem localidade: uma planta q a gente já queria há muito tempo e encontrou de repente; um cartão; uma lembrancinha da terra; um artezanato do lugar... Isso tudo somado ao frasco de shampoo adquirido pq o usual foi esquecido, um tubo de creme dental com escova de dentes, pelo mesmo motivo, um pente, o estojinho da lente... E sem contar a toalha molhada, a sandália suja em saco separado, os bolsos com guardanapos, papéis de bala, embalagens de chocolate... e por aí vai.
Dessa forma só nos damos conta de q é preciso arrumar tudo para uma nova viagem na hora de voltar... qnd olhamos para o canto e vemos nossas coisas perto da bolsa, ou dentro, ou em fila.

E assim, na sacola dele ficou o perfume, o vestido, o biquíni e os sapatinhos dela.
Já essa daí, voltou cheinha de amor.
Não coube na mochila.


SnowFlake