Para o Complexo de Édipo no sexo feminino:
A maternidade,
O Complexo de Masculinidade,
E a insatisfação.
Snow, by cadernos de psicanálise.
quinta-feira, setembro 25, 2008
Defesa Pessoal
Engessei o pezinho direito semana passada depois de uma aula em que tive que chutar... e o meu oponente tinha barras de aço no lugar das pernas.
Depois dos remédios e repouso, ainda sinto um pouco.
O médico aconselhou água quente. O mestre, gelo.
Tomasse whisky, haveria um meio termo.
Mas eu quase não saio, eu quase não tenho amigos...
Eu dou certo valor pr’essas coisas acidentais – que podem acontecer vez em quando e nos fazer dar valor a outras coisas que acontecem sempre e que nem sempre percebemos – se são leves. Como tomar banho com a perna presa num saco isolado com durex e ter que freqüentar a lan mais próxima e ir dormir na casa da mãe, na cama do sobrinho, com o gato querendo entrar no mosquiteiro...
Alem do quê, tem um sabor de quase vitória mandar um recado via sms avisando que não irei pro treino porque to contundida. (rs)
E estar tão inevitavelmente presa a um determinado problema que os demais têm que ficar pra depois, como se fossem pequenos.
Eu gosto um pouco mais disto que de estar envolvida em grandiosos projetos dos quais faculdades, mestrados e especializações são exemplos.
Sabe essas pessoas que dizem que, no momento, estão apenas preocupadas com suas carreiras profissionais e seus estudos e não querem saber de relacionamentos?
Eu desconfio sinceramente que a causa disso tudo é um amor inconfessável e que não pôde ser substituído e por isso teve que ser engessado, imobilizado.
Dessa forma, a função dos analgésicos, paliativos e placebos é a mesma: dissipar a dor e permitir que o corpo cure sem fazer muito esforço.
Pra não romper os ligamentos.
Snow, já sem ataduras, mas ainda sob compressas. Ora frias, ora quentes...
Ilustração dispensável
- Quero te ver, posso passar aí?
- Ah, não, não posso! Tou machucada.
- Que houve? É sério?!
- Não, nada grave. Mas eu to com gesso.
- Ok, tudo bem. Melhoras. Eu entendo...
Depois dos remédios e repouso, ainda sinto um pouco.
O médico aconselhou água quente. O mestre, gelo.
Tomasse whisky, haveria um meio termo.
Mas eu quase não saio, eu quase não tenho amigos...
Eu dou certo valor pr’essas coisas acidentais – que podem acontecer vez em quando e nos fazer dar valor a outras coisas que acontecem sempre e que nem sempre percebemos – se são leves. Como tomar banho com a perna presa num saco isolado com durex e ter que freqüentar a lan mais próxima e ir dormir na casa da mãe, na cama do sobrinho, com o gato querendo entrar no mosquiteiro...
Alem do quê, tem um sabor de quase vitória mandar um recado via sms avisando que não irei pro treino porque to contundida. (rs)
E estar tão inevitavelmente presa a um determinado problema que os demais têm que ficar pra depois, como se fossem pequenos.
Eu gosto um pouco mais disto que de estar envolvida em grandiosos projetos dos quais faculdades, mestrados e especializações são exemplos.
Sabe essas pessoas que dizem que, no momento, estão apenas preocupadas com suas carreiras profissionais e seus estudos e não querem saber de relacionamentos?
Eu desconfio sinceramente que a causa disso tudo é um amor inconfessável e que não pôde ser substituído e por isso teve que ser engessado, imobilizado.
Dessa forma, a função dos analgésicos, paliativos e placebos é a mesma: dissipar a dor e permitir que o corpo cure sem fazer muito esforço.
Pra não romper os ligamentos.
Snow, já sem ataduras, mas ainda sob compressas. Ora frias, ora quentes...
Ilustração dispensável
- Quero te ver, posso passar aí?
- Ah, não, não posso! Tou machucada.
- Que houve? É sério?!
- Não, nada grave. Mas eu to com gesso.
- Ok, tudo bem. Melhoras. Eu entendo...
sexta-feira, setembro 19, 2008
Mais um dos outros
Não Basta Amar
(Artur da Távora)
Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar,
Aos que pensam em voltar...
Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.
A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.
Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.
É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero.
Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência... Amor, só, não basta.
Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas.
Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar. Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.
Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, "solamente", não basta.
Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor Pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.
O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom Amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!
(Artur da Távora)
Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar,
Aos que pensam em voltar...
Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.
A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.
Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.
É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero.
Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência... Amor, só, não basta.
Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas.
Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar. Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.
Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, "solamente", não basta.
Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor Pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.
O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom Amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!
domingo, setembro 14, 2008
Quem sou eu:
Áspera, intolerante, rancorosa, vingativa.
Minha avó dizia que eu era ruim. E tinha lá suas razões.
Eu não sei continuar como se nada tivesse acontecido. Assim, simplesmente. Porque quebra. Eu quebro. Menos por ser frágil e mais por ser rígida. Inflexível.
Falta de rola. Deve ser.
Tivesse, tava tudo resolvido. Mas nasci sem. E nem gosto de Freud, mas mijar em pé me parece muito mais legal que a dor de parir.
Se bem que ela me disse que depois q nasce, passa...
Não sei bem como começou esta conversa, mas tive a impressão que era pra me ensinar... Eu que àquela época já brincava com fogo.
Pra Psicanálise, do pouco que eu sei, a gravidez é a única das três saídas que realmente resolve a mulher. As outras duas eram... hum... ter uma vida independente e uma carreira profissional bem-sucedida e... a terceira não lembro.
(Assim que rever meus cadernos eu posto como comentário. Perdoem a sacanagem de não dizer ainda, não foi premeditado.)
E não deve ser importante, de certo.
Importante foi ela ter me dito q preferisse normal à cesariana, porque está última é bastante dolorosa depois e nesse meio tempo já haverá mais alguém precisando de mim, dos meus seios fartos e doridos, prontos pra alimentar a nova vida...
Antes eu não entendia bem porque as pessoas tinha filhos assim, por acidente. Mas agora sei que, se você pensar bem, você não os tem. Criança é coisa séria. E é por pensar assim que talvez eu nunca tenha filhos.
Aliás, dependesse de mim, eu mesma não existiria. Nem eu, nem ela. Nem a mãe dela. Nem a avó de nós duas. Nem o resto da galera.
Deixava vingar só os mais recentes, os que estão nascendo por agora. Os que de alguma forma nós podemos cuidar.
Queria poder mais. Mas eu não estudei... (rs)
De um modo geral, ninguém se importa muito com ninguém. Melhor, muitos, pouco se importam até mesmo consigo.
A espécie tá aí e tal, mas como a vida de cada um é curta, então pra quê, né mesmo?
Recentemente decidi que vou ser juíza. Recentemente ando muito ressentida com o julgamento dos outros sobre outros que em nada afetam as suas vidas.
(Até agora tô tentando lembrar qual era a terceira saída e porque mesmo que eu achei que de forma alguma poderia me servir, e nada!
Engraçado. Como eu ainda não me enquadro em nenhuma das outras duas pode ser justamente nela que tenha me perdido.)
Das aulas de Psicanálise uma coisa ficou gravada em minha memória: todo mundo só vê o que quer e só ouve o que quer. Não importa o que você mostre ou o que você diga.
Isso explicaria aquela ternura por alguns dos que nos agrediram que talvez a gente admita ter sentido ao menos uma vez na vida. E aquela raiva, aquele desprezo por alguns que se deram por nós enquanto poderiam muito bem cuidar de suas miseráveis vidas.
Uma coisa que gosto nas músicas que falam sobre violência é que a subjetividade parece ser um pouco mais objetiva. Eu até queria que a dor do outro ocupasse um pouco mais de espaço na minha vida que estas que agora sinto. Todas mesquinhas e evasivas.
Queria morrer antes de todos pra não ter que ver alguns irem antes de mim... Digo isto assim, embora me preocupe com o que vão pensar, mas me acalma a leve desconfiança de que no fundo, todos desta raça são potencialmente suicidas.
Queria ir primeiro porque a dor da despedida é para mim a mais agonizante de todas... Nascesse no Oriente, fosse indígena ou espiritualista não teria este pensamento. Mas cultura é algo que nos faz humanos. Tal qual o sangue...
Eu sei que tudo o que aconteceu em minha vida foi aglomerante, agregado e liga pra o que eu sou hoje e eu gosto disso. Ao mesmo tempo em que lamento estar assim... Tão amarga e tão agressiva.
Há dois meses comprei uma dose de testosterona no mercado negro. (Um negão, meu brother, me deu a dica.). Tava a fim de engrossar essas minhas perninhas tortas e finas para com as quais já tentei muita coisa nesta vida, mas... (suspiro!), tem que ter mais persistência que problemas pra fazer algum efeito.
Não tive coragem de tomar ainda.
Uma desculpa que me dei foi o fato do meu cabelo estar caindo muito depois da escova progressiva. Daí sonhei comigo careca, com a voz grossa e o peito cabeludo...
(Relendo este último parágrafo entendi que se não postar isto imediatamente corro o risco de apagar tudo. Até no sonho eu sou má comigo! rs)
E meu cabelo tá tão lindo...
(Rafael foi o único que achou horrível. Mas talvez tenha mais gente nesse lado da torcida. As pessoas não costumam ser muito sinceras quanto a isso e, quer saber, eu acho que não precisavam ser. Porque por mais que existam motivos, eu não vejo nenhum bom motivo.)
A segunda razão pela qual não tomei ainda foi essa minha, esse meu... esses. Esses meus dois culhões que eu mantenho a sete chaves escondidos no meio das pernas, camuflados em forma de periquita.
(Rs. Vou botar uma censura nessa porra! rs. Se bem que por aqui, nunca veio nenhuma criança.)
Eu tive medo, sabe? Medo que a testosterona revelasse o homem que há em mim e que eu sei que é primitivo. É agreste, é grosso, é ignorante, é brabo. Não come reggae, vai pra cima e mete mermo sem dó. Tá nem aí pro que sobra.
Ele me assusta.
Outro dia deu um chute no saco de boxe do Goshin Jitsu que na mesma hora meu pezinho ficou todo vermelho. Dia seguinte, mal me equilibrava no salto.
O motivo prático pelo qual não tô ainda bombada é esse meu problema primário com comida que, já agendei o psicólogo em caráter de urgência. Não adiantaria nada abrir o apetite, ter fome e, por isso mesmo, sentir raiva de comer. Mas isso é papo pra outra blogada.
Tirei o link daqui do perfil do Orkut. Isso explica um pouco essa minha maior descontração por aqui. Nesses quatro anos de blogagem raríssimos vieram de lá. E eu que mantinha certa compostura a despeito dos eventuais desconhecidos, acabei por resolver o problema.
Tirei também todas as outras informações desnecessárias. Cada um só vê o que quer mesmo e, desses, alguns ainda vão fazer questão de te mostrar o que enxergam... Então, melhor não dizer nada.
Mudei a parte do relacionamento. Informei que sou casada.
Não sou. Todos sabem. Não há aliança, não há papel passado nem presente, não há relacionamento, não há nada.
Eu não sei mesmo explicar porque fiz isso. Tenho várias respostas. Nenhuma casa.
(Deve ter a ver com a tal da terceira saída que não lembro! rs. E que deve tar pulsando ainda.)
E o restante deve ter vindo por ter assistido recentemente a primeira faixa do DVD novo de Ana Carolina.
Lamento informar-lhes, mas não sou esse macho todo. Tava apenas inspirada.
Aos que ficaram com dúvidas, também não sou viada.
(No rol da minha quase meia dúzia de leitores, sei que mais da metade não lê textos grandes, então, creio que não haverá muita repercussão. Tomara!)
Quando comecei a escrever tava pensando em que diferença faz dizer que se é forte ou frágil...
Que diferença faz a gente ser um e se esforçar pra moderar o outro que também se é?
Que diferença faz o que a gente é pros outros?
...
Só faz diferença mesmo pros outros o que os outros acham que a gente é. Porque é apartir do momento em que eles começam a achar o contrário que as coisas mudam.
Já a gente, nós mesmos, a gente pode ser dar ao luxo de odiar aquela meninazinha nhe-nhe-nhe e aquela galerinha lá gente boa pá caralho.
Só a gente mesmo pra curtir aquele sacana, aquele cara lerdo, miserável, canalha.
Só a gente pra gostar daquele arrogante, amar aquele otário.
A gente não gosta ou desgosta por mérito ou demérito alheio, isso pra mim já tá mais do que comprovado.
Então, sinceramente, eu não posso ficar me stressando com essas pessoas todas.
Eu vou ficar gostosa, de cabelo grande, e vou ser juíza. Na próxima década, antes que eu morra. Vou começar agora!
Depois vejo isso dessas coisas psicológicas.
Snow, indócil.
Minha avó dizia que eu era ruim. E tinha lá suas razões.
Eu não sei continuar como se nada tivesse acontecido. Assim, simplesmente. Porque quebra. Eu quebro. Menos por ser frágil e mais por ser rígida. Inflexível.
Falta de rola. Deve ser.
Tivesse, tava tudo resolvido. Mas nasci sem. E nem gosto de Freud, mas mijar em pé me parece muito mais legal que a dor de parir.
Se bem que ela me disse que depois q nasce, passa...
Não sei bem como começou esta conversa, mas tive a impressão que era pra me ensinar... Eu que àquela época já brincava com fogo.
Pra Psicanálise, do pouco que eu sei, a gravidez é a única das três saídas que realmente resolve a mulher. As outras duas eram... hum... ter uma vida independente e uma carreira profissional bem-sucedida e... a terceira não lembro.
(Assim que rever meus cadernos eu posto como comentário. Perdoem a sacanagem de não dizer ainda, não foi premeditado.)
E não deve ser importante, de certo.
Importante foi ela ter me dito q preferisse normal à cesariana, porque está última é bastante dolorosa depois e nesse meio tempo já haverá mais alguém precisando de mim, dos meus seios fartos e doridos, prontos pra alimentar a nova vida...
Antes eu não entendia bem porque as pessoas tinha filhos assim, por acidente. Mas agora sei que, se você pensar bem, você não os tem. Criança é coisa séria. E é por pensar assim que talvez eu nunca tenha filhos.
Aliás, dependesse de mim, eu mesma não existiria. Nem eu, nem ela. Nem a mãe dela. Nem a avó de nós duas. Nem o resto da galera.
Deixava vingar só os mais recentes, os que estão nascendo por agora. Os que de alguma forma nós podemos cuidar.
Queria poder mais. Mas eu não estudei... (rs)
De um modo geral, ninguém se importa muito com ninguém. Melhor, muitos, pouco se importam até mesmo consigo.
A espécie tá aí e tal, mas como a vida de cada um é curta, então pra quê, né mesmo?
Recentemente decidi que vou ser juíza. Recentemente ando muito ressentida com o julgamento dos outros sobre outros que em nada afetam as suas vidas.
(Até agora tô tentando lembrar qual era a terceira saída e porque mesmo que eu achei que de forma alguma poderia me servir, e nada!
Engraçado. Como eu ainda não me enquadro em nenhuma das outras duas pode ser justamente nela que tenha me perdido.)
Das aulas de Psicanálise uma coisa ficou gravada em minha memória: todo mundo só vê o que quer e só ouve o que quer. Não importa o que você mostre ou o que você diga.
Isso explicaria aquela ternura por alguns dos que nos agrediram que talvez a gente admita ter sentido ao menos uma vez na vida. E aquela raiva, aquele desprezo por alguns que se deram por nós enquanto poderiam muito bem cuidar de suas miseráveis vidas.
Uma coisa que gosto nas músicas que falam sobre violência é que a subjetividade parece ser um pouco mais objetiva. Eu até queria que a dor do outro ocupasse um pouco mais de espaço na minha vida que estas que agora sinto. Todas mesquinhas e evasivas.
Queria morrer antes de todos pra não ter que ver alguns irem antes de mim... Digo isto assim, embora me preocupe com o que vão pensar, mas me acalma a leve desconfiança de que no fundo, todos desta raça são potencialmente suicidas.
Queria ir primeiro porque a dor da despedida é para mim a mais agonizante de todas... Nascesse no Oriente, fosse indígena ou espiritualista não teria este pensamento. Mas cultura é algo que nos faz humanos. Tal qual o sangue...
Eu sei que tudo o que aconteceu em minha vida foi aglomerante, agregado e liga pra o que eu sou hoje e eu gosto disso. Ao mesmo tempo em que lamento estar assim... Tão amarga e tão agressiva.
Há dois meses comprei uma dose de testosterona no mercado negro. (Um negão, meu brother, me deu a dica.). Tava a fim de engrossar essas minhas perninhas tortas e finas para com as quais já tentei muita coisa nesta vida, mas... (suspiro!), tem que ter mais persistência que problemas pra fazer algum efeito.
Não tive coragem de tomar ainda.
Uma desculpa que me dei foi o fato do meu cabelo estar caindo muito depois da escova progressiva. Daí sonhei comigo careca, com a voz grossa e o peito cabeludo...
(Relendo este último parágrafo entendi que se não postar isto imediatamente corro o risco de apagar tudo. Até no sonho eu sou má comigo! rs)
E meu cabelo tá tão lindo...
(Rafael foi o único que achou horrível. Mas talvez tenha mais gente nesse lado da torcida. As pessoas não costumam ser muito sinceras quanto a isso e, quer saber, eu acho que não precisavam ser. Porque por mais que existam motivos, eu não vejo nenhum bom motivo.)
A segunda razão pela qual não tomei ainda foi essa minha, esse meu... esses. Esses meus dois culhões que eu mantenho a sete chaves escondidos no meio das pernas, camuflados em forma de periquita.
(Rs. Vou botar uma censura nessa porra! rs. Se bem que por aqui, nunca veio nenhuma criança.)
Eu tive medo, sabe? Medo que a testosterona revelasse o homem que há em mim e que eu sei que é primitivo. É agreste, é grosso, é ignorante, é brabo. Não come reggae, vai pra cima e mete mermo sem dó. Tá nem aí pro que sobra.
Ele me assusta.
Outro dia deu um chute no saco de boxe do Goshin Jitsu que na mesma hora meu pezinho ficou todo vermelho. Dia seguinte, mal me equilibrava no salto.
O motivo prático pelo qual não tô ainda bombada é esse meu problema primário com comida que, já agendei o psicólogo em caráter de urgência. Não adiantaria nada abrir o apetite, ter fome e, por isso mesmo, sentir raiva de comer. Mas isso é papo pra outra blogada.
Tirei o link daqui do perfil do Orkut. Isso explica um pouco essa minha maior descontração por aqui. Nesses quatro anos de blogagem raríssimos vieram de lá. E eu que mantinha certa compostura a despeito dos eventuais desconhecidos, acabei por resolver o problema.
Tirei também todas as outras informações desnecessárias. Cada um só vê o que quer mesmo e, desses, alguns ainda vão fazer questão de te mostrar o que enxergam... Então, melhor não dizer nada.
Mudei a parte do relacionamento. Informei que sou casada.
Não sou. Todos sabem. Não há aliança, não há papel passado nem presente, não há relacionamento, não há nada.
Eu não sei mesmo explicar porque fiz isso. Tenho várias respostas. Nenhuma casa.
(Deve ter a ver com a tal da terceira saída que não lembro! rs. E que deve tar pulsando ainda.)
E o restante deve ter vindo por ter assistido recentemente a primeira faixa do DVD novo de Ana Carolina.
Lamento informar-lhes, mas não sou esse macho todo. Tava apenas inspirada.
Aos que ficaram com dúvidas, também não sou viada.
(No rol da minha quase meia dúzia de leitores, sei que mais da metade não lê textos grandes, então, creio que não haverá muita repercussão. Tomara!)
Quando comecei a escrever tava pensando em que diferença faz dizer que se é forte ou frágil...
Que diferença faz a gente ser um e se esforçar pra moderar o outro que também se é?
Que diferença faz o que a gente é pros outros?
...
Só faz diferença mesmo pros outros o que os outros acham que a gente é. Porque é apartir do momento em que eles começam a achar o contrário que as coisas mudam.
Já a gente, nós mesmos, a gente pode ser dar ao luxo de odiar aquela meninazinha nhe-nhe-nhe e aquela galerinha lá gente boa pá caralho.
Só a gente mesmo pra curtir aquele sacana, aquele cara lerdo, miserável, canalha.
Só a gente pra gostar daquele arrogante, amar aquele otário.
A gente não gosta ou desgosta por mérito ou demérito alheio, isso pra mim já tá mais do que comprovado.
Então, sinceramente, eu não posso ficar me stressando com essas pessoas todas.
Eu vou ficar gostosa, de cabelo grande, e vou ser juíza. Na próxima década, antes que eu morra. Vou começar agora!
Depois vejo isso dessas coisas psicológicas.
Snow, indócil.
quarta-feira, setembro 10, 2008
30 Dicas para Escrever Bem
(Professor João Pedro da UNICAMP)
1. Deve evitar ao máx. A utiliz. De abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??...então valeu!
9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais
Curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação
De que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando
Em não estar falando desta maneira irritante.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo! ..nada de mandar
Esse trem...vixi..entendeu bichinho?
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.
***
Snow, que nessa parte da rima... discorda com moderação.
P.S. Não me sinto a vontade pra assinar nada q não seja totalmente meu, embora acredite que nada, absolutamente nada, seja totalmente de ninguém. Mas assino sempre, pq esse espaço aqui só existe para q eu lembre o porque de alguns textos existirem.
Senão seria só mais uma coisa q se diz sendo repetida e eu teria q mudar o nome para Bytes Deletáveis.
Eu gosto de dizer coisas sobre coisas q me disseram.
Um pouco pq sou de pensamento lento, embora intenso, e tenho respostas demoradas pra pergunats curtas. E outro tanto pq, se não registrar, tenho a impressão evapora... no calor das retóricas.
Esse texto eu li pela primeira vez numa apostila pra concurso. Sem fonte, sem autor, incorporado à explicação de uma forma q achei injusta. Ficou a idéia encontrar depois e aqui está.
Embora nesses tempos de internet nem sempre é possivel dizer se a informação encontrada é a verdade ou se esta está expressa na íntegra - e confesso q não me dei ao trabalho de investigar -, ao menos uma referência, e o próprio texto. Metalinguísticamente belo.
E eu queria q a vida fosse assim de vez em quando:
Auto-explicativa.
1. Deve evitar ao máx. A utiliz. De abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??...então valeu!
9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais
Curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação
De que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando
Em não estar falando desta maneira irritante.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo! ..nada de mandar
Esse trem...vixi..entendeu bichinho?
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.
***
Snow, que nessa parte da rima... discorda com moderação.
P.S. Não me sinto a vontade pra assinar nada q não seja totalmente meu, embora acredite que nada, absolutamente nada, seja totalmente de ninguém. Mas assino sempre, pq esse espaço aqui só existe para q eu lembre o porque de alguns textos existirem.
Senão seria só mais uma coisa q se diz sendo repetida e eu teria q mudar o nome para Bytes Deletáveis.
Eu gosto de dizer coisas sobre coisas q me disseram.
Um pouco pq sou de pensamento lento, embora intenso, e tenho respostas demoradas pra pergunats curtas. E outro tanto pq, se não registrar, tenho a impressão evapora... no calor das retóricas.
Esse texto eu li pela primeira vez numa apostila pra concurso. Sem fonte, sem autor, incorporado à explicação de uma forma q achei injusta. Ficou a idéia encontrar depois e aqui está.
Embora nesses tempos de internet nem sempre é possivel dizer se a informação encontrada é a verdade ou se esta está expressa na íntegra - e confesso q não me dei ao trabalho de investigar -, ao menos uma referência, e o próprio texto. Metalinguísticamente belo.
E eu queria q a vida fosse assim de vez em quando:
Auto-explicativa.
Mais ou menos da mesma
Eu deveria ter escrito algo assim há uns onze, doze anos atrás...
Ou quando eu entrei pro Cefet e aquela camisa azul-igual me deixava tão daquela cor...
É uma pena eu não ter fotos sorrindo. Contando hoje ninguém acredita.
Eu não sei nem mais como explicar...
Mas houve uma época em que eu amanhecia lilás
Pra anoitecer verde-otimista.
Snow, num comentário pro post anterior... direto do túnel do tempo.
Ou quando eu entrei pro Cefet e aquela camisa azul-igual me deixava tão daquela cor...
É uma pena eu não ter fotos sorrindo. Contando hoje ninguém acredita.
Eu não sei nem mais como explicar...
Mas houve uma época em que eu amanhecia lilás
Pra anoitecer verde-otimista.
Snow, num comentário pro post anterior... direto do túnel do tempo.
terça-feira, setembro 09, 2008
Amanhecer lilás
(Felipe Rosa)
E a gente tem ainda tanto sol nessas manhãs que nascem de promessa e de evolução.
A gente tem tanto sangue pra correr que deixa corada a nossa cara de tanto riso e tanta lágrima.
Até lágrima a gente tem pra lavar essa sujeira no mundo que sempre joga uns ciscos nos olhos.
A gente tem tanta vida, tanta melodia, tanto movimento.
A gente tem os melhores dias, as melhores noites e as madrugadas mais felizes e melancólicas indo de volta pra casa...
***
Snow, e um velho saudosismo.
E a gente tem ainda tanto sol nessas manhãs que nascem de promessa e de evolução.
A gente tem tanto sangue pra correr que deixa corada a nossa cara de tanto riso e tanta lágrima.
Até lágrima a gente tem pra lavar essa sujeira no mundo que sempre joga uns ciscos nos olhos.
A gente tem tanta vida, tanta melodia, tanto movimento.
A gente tem os melhores dias, as melhores noites e as madrugadas mais felizes e melancólicas indo de volta pra casa...
***
Snow, e um velho saudosismo.
Explicações
Eu me apaixono por valores.
Muitas vezes sem ver - porque quando vou ver já estou apaixonada.
Antes dos valores nunca há nada.
Depois vem a historinha que vou montando em mosaico, de retalhos, quase totem de tão sagrada.
O bom é que, a cada novo tema, os valores saem sempre mais fortalecidos.
E o ruim é ver como eu fico...
Cada vez mais de spe da ç ad.
Snow, comentando ao Acaso.
Muitas vezes sem ver - porque quando vou ver já estou apaixonada.
Antes dos valores nunca há nada.
Depois vem a historinha que vou montando em mosaico, de retalhos, quase totem de tão sagrada.
O bom é que, a cada novo tema, os valores saem sempre mais fortalecidos.
E o ruim é ver como eu fico...
Cada vez mais de spe da ç ad.
Snow, comentando ao Acaso.
quinta-feira, setembro 04, 2008
Insônia
Essa noite não dormiu,
Apesar do remédio.
Tinha preocupações maiores do que a dose recomendada pelo médico.
Snow, num atualíssimo. Há dois meses.
Apesar do remédio.
Tinha preocupações maiores do que a dose recomendada pelo médico.
Snow, num atualíssimo. Há dois meses.
Caríssimos
"Eu estou precisando urgentemente de um abraço.
E a dor é tamanha que acho que esse tipo de tratamento deveria ser coberto pelo SUS. No meu caso, iria pra uma UTI.
Mas a você que está lendo, já não é mais permitido ofertar o remédio para este meu sofrimento. Porque o abraço que eu preciso tem que vir sem ser pedido, protocolado, requisitado. E tem que vir de graça, sem ônus, impostos, sem que seja um pequeno investimento... Não pode ser tarifado.
É paradoxo isso de não servir. Eu também acho.
Mas realmente não serve. Da mesma forma que não serve o analgésico do qual se sabe placebo. Em caso isolados, colateralmente, já foi observado até agravamentos.
Só os desabraçados podem imaginar como eu me sinto... Com esses meus dois bracinhos que me parecem imensos. Inativos, posto que não me satisfazem. Sequer tentam.
E um abraço não se encontra numa esquina. E eu não quero nada que não seja expontâneo. Nem pediria. Porque não peço nada cujo prêmio esteja além do próprio pedido... como pedir desculpas, por exemplo. Isso eu peço.
Acredito que o máximo que posso fazer é o pedido. Mas não posso pedir que me peçam, assim como também não aceitaria tal pedido.
O mínimo que peço é desculpas por não poder pedir um abraço e por não aceitar se, de alguma forma, já o houver pedido.
Abraço é dado. Lançado. Na certeza que o maior número de pontos será alcansado."
***
Engraçado, comecei esse texto ano passado, e até hoje não sei como terminá-lo.
Este último não me abraçava pra dormir.
Fechava os braços em posição de guarda como fazem os lutadores e eu ficava do meu canto, indefesa, olhando ele fechar também os olhos, a boca, o corpo, o punho... Ficava imaginando o que faria caso ele acordasse com os meus soluços. Enxugava o rosto, adormecia.
Dia desses revi aquela pegadinha manjada do abraço em que um rapaz sai com um placa escrita "Abraços Grátis" e passeia por uma avenida movimentada. No começo pensamos que ninguém atenderá ao seu chamado, mas no final a gente percebe que a soma dos que se dispuseram foi satisfatória. E ficamos com aquela sensação humana de que, apesar de tudo, valeu a pena.
Há alguns dias meu sobrinho me avistou na rua. Soltou-se das mãos que o conduziam e correu em minha direção pra me abraçar, sorrindo.
Crianças não precisam de placas. Nem as entenderiam.
Mas ontem à noite me senti como aquele homem da pegadinha, andando pelas ruas, pegando filas, esperando ônibus, sempre com a minha plaquinha...
A única diferença entre a minha vida real e a tv é que, por onde eu passava, as pessoas, eu acho, eram todas adultas.
E não sabiam ler.
***
Como esse foi um péssimo jeito de terminar um escrito, vou continuar.
Eu não ando muito bem, deve ser por isso. E sei que ninguém pode ser culpado por não ter aprendido a entender um código que não ensinei...
Vivemos diferenciando as pessoas por não saberem aquilo que aprendemos, por não terem valores semelhantes aos que temos... Somos tão egoístas que por pouco que nos damos acreditamos que deveríamos ser recompensados...
A vida não é assim. Ghandy foi assassinado, Cristo crucificado, Tiradentes foi enforcado... E eu nem sei o que foi feito de Zumbi.
Tive uma conversa difícil ontem pela manhã, um dia pesado, uma noite de pesadelos. Faz já um tempo eu tô querendo um pouco de calma, mas a calma não veio.
Esse texto entre os escritos do ano passado, tava guardando pra concluir de forma otimista, esperançosa... alegre, ao menos. Mas vou guardar agora apenas a minha plaquinha de "Abraços Grátis", ou melhor, atualizá-la para "Abraços Muito Caros", e tentar esquecer um pouco essa minha busca.
(Achar que esquecerei mesmo é querer me enganar, e eu me conheço.)
Vou esperar que alguém que possa pagar,
Um dia me pergunte quanto custa.
SnowFlake.
E a dor é tamanha que acho que esse tipo de tratamento deveria ser coberto pelo SUS. No meu caso, iria pra uma UTI.
Mas a você que está lendo, já não é mais permitido ofertar o remédio para este meu sofrimento. Porque o abraço que eu preciso tem que vir sem ser pedido, protocolado, requisitado. E tem que vir de graça, sem ônus, impostos, sem que seja um pequeno investimento... Não pode ser tarifado.
É paradoxo isso de não servir. Eu também acho.
Mas realmente não serve. Da mesma forma que não serve o analgésico do qual se sabe placebo. Em caso isolados, colateralmente, já foi observado até agravamentos.
Só os desabraçados podem imaginar como eu me sinto... Com esses meus dois bracinhos que me parecem imensos. Inativos, posto que não me satisfazem. Sequer tentam.
E um abraço não se encontra numa esquina. E eu não quero nada que não seja expontâneo. Nem pediria. Porque não peço nada cujo prêmio esteja além do próprio pedido... como pedir desculpas, por exemplo. Isso eu peço.
Acredito que o máximo que posso fazer é o pedido. Mas não posso pedir que me peçam, assim como também não aceitaria tal pedido.
O mínimo que peço é desculpas por não poder pedir um abraço e por não aceitar se, de alguma forma, já o houver pedido.
Abraço é dado. Lançado. Na certeza que o maior número de pontos será alcansado."
***
Engraçado, comecei esse texto ano passado, e até hoje não sei como terminá-lo.
Este último não me abraçava pra dormir.
Fechava os braços em posição de guarda como fazem os lutadores e eu ficava do meu canto, indefesa, olhando ele fechar também os olhos, a boca, o corpo, o punho... Ficava imaginando o que faria caso ele acordasse com os meus soluços. Enxugava o rosto, adormecia.
Dia desses revi aquela pegadinha manjada do abraço em que um rapaz sai com um placa escrita "Abraços Grátis" e passeia por uma avenida movimentada. No começo pensamos que ninguém atenderá ao seu chamado, mas no final a gente percebe que a soma dos que se dispuseram foi satisfatória. E ficamos com aquela sensação humana de que, apesar de tudo, valeu a pena.
Há alguns dias meu sobrinho me avistou na rua. Soltou-se das mãos que o conduziam e correu em minha direção pra me abraçar, sorrindo.
Crianças não precisam de placas. Nem as entenderiam.
Mas ontem à noite me senti como aquele homem da pegadinha, andando pelas ruas, pegando filas, esperando ônibus, sempre com a minha plaquinha...
A única diferença entre a minha vida real e a tv é que, por onde eu passava, as pessoas, eu acho, eram todas adultas.
E não sabiam ler.
***
Como esse foi um péssimo jeito de terminar um escrito, vou continuar.
Eu não ando muito bem, deve ser por isso. E sei que ninguém pode ser culpado por não ter aprendido a entender um código que não ensinei...
Vivemos diferenciando as pessoas por não saberem aquilo que aprendemos, por não terem valores semelhantes aos que temos... Somos tão egoístas que por pouco que nos damos acreditamos que deveríamos ser recompensados...
A vida não é assim. Ghandy foi assassinado, Cristo crucificado, Tiradentes foi enforcado... E eu nem sei o que foi feito de Zumbi.
Tive uma conversa difícil ontem pela manhã, um dia pesado, uma noite de pesadelos. Faz já um tempo eu tô querendo um pouco de calma, mas a calma não veio.
Esse texto entre os escritos do ano passado, tava guardando pra concluir de forma otimista, esperançosa... alegre, ao menos. Mas vou guardar agora apenas a minha plaquinha de "Abraços Grátis", ou melhor, atualizá-la para "Abraços Muito Caros", e tentar esquecer um pouco essa minha busca.
(Achar que esquecerei mesmo é querer me enganar, e eu me conheço.)
Vou esperar que alguém que possa pagar,
Um dia me pergunte quanto custa.
SnowFlake.
quinta-feira, agosto 21, 2008
Novela
A favorita era a assassina. Tive a infelicidade de ver esta cena e, mesmo não tendo acompanhado o folhetim moderno, sentir a infame brincadeira do autor de tentar surpreender a audiência... Como todos os outros autores, a todo o tempo.
Mas este foi mais ousado, pois geralmente o assassino é escolhido dentre os que pouco participavam das cenas e que estava entre os tantos que poderiam ter gravado a cena do crime. Desta vez, a assassina era a que foi feita pra ser julgada injustiçada, e as vitimas, os expectadores que acreditavam que não podia ter sido a que já fora condenada.
Eu, num quarto de hospital, acompanhante de um amigo com suspeita de hepatite, tendo raras opções além da TV, vi com desdém o ridículo ter a audácia de nos fazer sentir ridículos.
Há muito que não assisto novelas. Parei no início da adolescência, período em que não lembrava mais das que vira na infância e de lá pra cá não registrei quase nada. Depois até tentei me habituar à dose de emoção esmigalhada gratuita diária que nos oferecem as emissoras de canal aberto, mas não consegui.
Queria até que tivesse sido por um motivo nobre e intelectual como a soberba de dizer que não assisto porque isso tudo é porcaria, é alienação, é perda de tempo e eu gosto é de cultura, de algo com conteúdo, que me faça crescer intelectualmente, mas não. Meu motivo é bem menos rebuscado.
Não assisto por causa dos autores mesmo. Os mesmos.
Estou cansada das Helenas e Dinorás e Brancas, das que vão ter câncer e raspar a cabeça, dos amores que vão chorar todos os capítulos pra ficarem juntos no final – e agora até que isso ta mudando. Eles podem até ficar separados, como amores para serem resolvidos em outra vida... rs. Nessa onipotência ressurreitiva da repetição -. Estou cansada das crianças trabalhando em papéis quase nunca infantis, das vilãs morrendo queimadas ou indo pra um hospício, como se ficar louco fosse conseqüência esperada por ter sido ruim desde o início. Não agüento mais as gêmeas idênticas, uma boa e outra má, os clones de si mesmos fazendo se passar, os mutantes e tanta gente de olhos azuis e os pretos domésticos, solícitos, escravos ou ladrões...
Eu tenho pena de todos eles. Parece que os autores não.
Meu coração lamenta pelos personagens ali, em cada tomada à mercê da caneta – hoje em dia dos bytes – de um escritor que pouco está aí pra os que garantem a audiência, que dirá pra o elenco... que vai se envolver com drogas, cometer delitos, chorar amores perdidos, se decepcionar, ser injustiçado...
E é sempre assim, se se apaixonam no início eu penso cá comigo “coitados”, eu já sei o que lhes reservam os próximos capítulos. Se se esforçam pra fazer uma maldade atrás da outra, jurar que irão se vingar a qualquer custo, que os antagônicos protagonistas hão de os pagar, eu lamento até mais. Fantoches da caoticidade criativa dos autores nacionais, amigos e rivais.
Faz pouco tempo vi capítulos de uma novela estrangeira, (argentina, o Google me disse), que passou no SBT, pela tentativa do autor de fazer diferente. A trama girava em torno de um homem hetero que por meio de um feitiço, que lhe foi jogado por uma ex-amante, ganhou o corpo de uma mulher e conheceu o que na realidade, apesar das transexualidades, nunca será possível: ver por um outro ângulo permanecendo do mesmo lado e poder imaginar como é um “lado de lá” sem sair do lugar.
Do meio pra o final ela já não queria mais voltar a ser ele e ter o seu verdadeiro corpo de volta e temia, como todos, que o feitiço tal qual começara, alheio à sua vontade se desfizesse. E Lolo não fosse mais Lala...
Não vi o final. Melhor. Posso imaginar o quanto quiser que tudo deu certo (sem consultar o Google, claro.), e que todos, conforme os feitos foram recompensados.
Prefiro isto à certeza de que nada valeu a pena. À consciência de que, de tudo o que foi feito, nada pôde ser aproveitado. Prefiro isto às evidências de que o meu castelo de sentimentos fora construído sem alicerces e sem fundamentos e que, ao sopro dos primeiros ventos tornou-se em escombros, tijolos sem cimento, soltos, sem direção... Ilusões desesperançadas.
Dia seguinte levei pro meu amigo o meu aparelho de DVD comprado há apenas quinze dias da data e ainda não inaugurado. Assistimos a alguns filmes piratas. Levei também um livro pra gente estudar pro TRT, dúvidas e o edital. Chega de TV!
De frustrações, enganos, decepções e traições, basta-me a vida real.
Snow, reprisando-se.
Mas este foi mais ousado, pois geralmente o assassino é escolhido dentre os que pouco participavam das cenas e que estava entre os tantos que poderiam ter gravado a cena do crime. Desta vez, a assassina era a que foi feita pra ser julgada injustiçada, e as vitimas, os expectadores que acreditavam que não podia ter sido a que já fora condenada.
Eu, num quarto de hospital, acompanhante de um amigo com suspeita de hepatite, tendo raras opções além da TV, vi com desdém o ridículo ter a audácia de nos fazer sentir ridículos.
Há muito que não assisto novelas. Parei no início da adolescência, período em que não lembrava mais das que vira na infância e de lá pra cá não registrei quase nada. Depois até tentei me habituar à dose de emoção esmigalhada gratuita diária que nos oferecem as emissoras de canal aberto, mas não consegui.
Queria até que tivesse sido por um motivo nobre e intelectual como a soberba de dizer que não assisto porque isso tudo é porcaria, é alienação, é perda de tempo e eu gosto é de cultura, de algo com conteúdo, que me faça crescer intelectualmente, mas não. Meu motivo é bem menos rebuscado.
Não assisto por causa dos autores mesmo. Os mesmos.
Estou cansada das Helenas e Dinorás e Brancas, das que vão ter câncer e raspar a cabeça, dos amores que vão chorar todos os capítulos pra ficarem juntos no final – e agora até que isso ta mudando. Eles podem até ficar separados, como amores para serem resolvidos em outra vida... rs. Nessa onipotência ressurreitiva da repetição -. Estou cansada das crianças trabalhando em papéis quase nunca infantis, das vilãs morrendo queimadas ou indo pra um hospício, como se ficar louco fosse conseqüência esperada por ter sido ruim desde o início. Não agüento mais as gêmeas idênticas, uma boa e outra má, os clones de si mesmos fazendo se passar, os mutantes e tanta gente de olhos azuis e os pretos domésticos, solícitos, escravos ou ladrões...
Eu tenho pena de todos eles. Parece que os autores não.
Meu coração lamenta pelos personagens ali, em cada tomada à mercê da caneta – hoje em dia dos bytes – de um escritor que pouco está aí pra os que garantem a audiência, que dirá pra o elenco... que vai se envolver com drogas, cometer delitos, chorar amores perdidos, se decepcionar, ser injustiçado...
E é sempre assim, se se apaixonam no início eu penso cá comigo “coitados”, eu já sei o que lhes reservam os próximos capítulos. Se se esforçam pra fazer uma maldade atrás da outra, jurar que irão se vingar a qualquer custo, que os antagônicos protagonistas hão de os pagar, eu lamento até mais. Fantoches da caoticidade criativa dos autores nacionais, amigos e rivais.
Faz pouco tempo vi capítulos de uma novela estrangeira, (argentina, o Google me disse), que passou no SBT, pela tentativa do autor de fazer diferente. A trama girava em torno de um homem hetero que por meio de um feitiço, que lhe foi jogado por uma ex-amante, ganhou o corpo de uma mulher e conheceu o que na realidade, apesar das transexualidades, nunca será possível: ver por um outro ângulo permanecendo do mesmo lado e poder imaginar como é um “lado de lá” sem sair do lugar.
Do meio pra o final ela já não queria mais voltar a ser ele e ter o seu verdadeiro corpo de volta e temia, como todos, que o feitiço tal qual começara, alheio à sua vontade se desfizesse. E Lolo não fosse mais Lala...
Não vi o final. Melhor. Posso imaginar o quanto quiser que tudo deu certo (sem consultar o Google, claro.), e que todos, conforme os feitos foram recompensados.
Prefiro isto à certeza de que nada valeu a pena. À consciência de que, de tudo o que foi feito, nada pôde ser aproveitado. Prefiro isto às evidências de que o meu castelo de sentimentos fora construído sem alicerces e sem fundamentos e que, ao sopro dos primeiros ventos tornou-se em escombros, tijolos sem cimento, soltos, sem direção... Ilusões desesperançadas.
Dia seguinte levei pro meu amigo o meu aparelho de DVD comprado há apenas quinze dias da data e ainda não inaugurado. Assistimos a alguns filmes piratas. Levei também um livro pra gente estudar pro TRT, dúvidas e o edital. Chega de TV!
De frustrações, enganos, decepções e traições, basta-me a vida real.
Snow, reprisando-se.
Confissão
Faz já um tempo que eu não te amo.
Porém, só me dei conta disso ontem
Quando a solidão
Sussurrou ao meu ouvido.
Snow
Porém, só me dei conta disso ontem
Quando a solidão
Sussurrou ao meu ouvido.
Snow
Liquído
Eu queria já ter tido as aulas práticas de psicologia com o ratinho.
Não q eu goste da idéia de deixar o pobre do animal em abstinência só pra fazê-lo puxar cordinhas e tocar bastões, essa parte eu odeio! Mas eu gosto de pensar sobre o valor q damos pras coisas e acredito q uma vida está sempre baseada nos valores q se aprendeu a dar pras vivências das experiências q se teve, no tempo q existiram.
Isso do rato sentir tanta sede a ponto de fazer tudo o que estiver a seu alcance para conseguir água me desperta para um mundo tão complexo e íntimo de abstinências e saceios (é assim q escreve? O Word não reconhece.) que chego a achar que é injusto que eu aprenda mais que ele, a cobaia que de fato sente.
Todos nós temos sedes.
Lembrei agora do que uma amiga me contou certa vez sobre sua infância difícil e da primeira vez que sentiu vontade de comer um biscoito Negresco. Aí depois de um tempo uma colega deu pra ela uma bolachinha do seu pacote e a que há muito desejava provar, maravilhou-se com o sabor e alimentou o sonho de um dia poder comprar um pacote inteiro e comê-lo sozinha.
Isso explicou porque ninguém entendeu quando, adolescente, já trabalhando, pegou seu primeiro salário e comprou vários pacotes de Negresco e, ao abrir o primeiro, saboreou-o deliciosamente como se fora um manjar. Àquela época já havia se passado tanto tempo desde o primeiro desejo, que o biscoito não era mais novidade pros outros e já não estava mais na moda. Já existiam tantos que pareciam melhores que ele e aquele, na verdade, já tinha mudado até de nome...
Eu tenho receios de falar das minhas sedes. Mesmo quando o lugar me parece meu, prefiro dar um exemplo alheio. Falar de um anônimo me parece mais válido do dizer do quanto era precioso para mim aquele detalhe.
Talvez o medo de me ver obrigada a redimensionar as coisas que vejo, da maneira como eu vejo. E ver o quanto a minha sede me impede de observar que a água é um dos recursos mais abundantes do planeta... Mas esse é o meu medo mais modesto.
O concreto é saber – e sei mesmo – que as pessoas outras, tais como os nadadores, os pescadores, os mergulhadores, os navegadores e mesmo aqueles que apenas abrem a geladeira e se servem de um copo d’água quando têm sede, estes jamais entenderão o que eu sinto quando olho pra ela... Nunca poderão compreender o valor que tem pra mim cada gota.
E há ainda o motivo mais egoísta e covarde de todos. O meu medo de que, ao revelar minha sede, estes que ouvem ainda me façam chorar...
E eu seque.
Snow, sobre chuvas de madrugada.
Não q eu goste da idéia de deixar o pobre do animal em abstinência só pra fazê-lo puxar cordinhas e tocar bastões, essa parte eu odeio! Mas eu gosto de pensar sobre o valor q damos pras coisas e acredito q uma vida está sempre baseada nos valores q se aprendeu a dar pras vivências das experiências q se teve, no tempo q existiram.
Isso do rato sentir tanta sede a ponto de fazer tudo o que estiver a seu alcance para conseguir água me desperta para um mundo tão complexo e íntimo de abstinências e saceios (é assim q escreve? O Word não reconhece.) que chego a achar que é injusto que eu aprenda mais que ele, a cobaia que de fato sente.
Todos nós temos sedes.
Lembrei agora do que uma amiga me contou certa vez sobre sua infância difícil e da primeira vez que sentiu vontade de comer um biscoito Negresco. Aí depois de um tempo uma colega deu pra ela uma bolachinha do seu pacote e a que há muito desejava provar, maravilhou-se com o sabor e alimentou o sonho de um dia poder comprar um pacote inteiro e comê-lo sozinha.
Isso explicou porque ninguém entendeu quando, adolescente, já trabalhando, pegou seu primeiro salário e comprou vários pacotes de Negresco e, ao abrir o primeiro, saboreou-o deliciosamente como se fora um manjar. Àquela época já havia se passado tanto tempo desde o primeiro desejo, que o biscoito não era mais novidade pros outros e já não estava mais na moda. Já existiam tantos que pareciam melhores que ele e aquele, na verdade, já tinha mudado até de nome...
Eu tenho receios de falar das minhas sedes. Mesmo quando o lugar me parece meu, prefiro dar um exemplo alheio. Falar de um anônimo me parece mais válido do dizer do quanto era precioso para mim aquele detalhe.
Talvez o medo de me ver obrigada a redimensionar as coisas que vejo, da maneira como eu vejo. E ver o quanto a minha sede me impede de observar que a água é um dos recursos mais abundantes do planeta... Mas esse é o meu medo mais modesto.
O concreto é saber – e sei mesmo – que as pessoas outras, tais como os nadadores, os pescadores, os mergulhadores, os navegadores e mesmo aqueles que apenas abrem a geladeira e se servem de um copo d’água quando têm sede, estes jamais entenderão o que eu sinto quando olho pra ela... Nunca poderão compreender o valor que tem pra mim cada gota.
E há ainda o motivo mais egoísta e covarde de todos. O meu medo de que, ao revelar minha sede, estes que ouvem ainda me façam chorar...
E eu seque.
Snow, sobre chuvas de madrugada.
sábado, julho 26, 2008
Receita
(Nicolas Behr)
Ingredientes
2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles
Modo de preparar
Dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração.
Leve a mistura ao fogo,
adicionando dois conflitos
de gerações às esperanças perdidas.
Corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos
beatles o mesmo processo usado
com os sonhos eróticos, mas desta
vez deixe ferver um pouco mais e
mexa até dissolver.
Parte do sangue pode ser
substituído por suco de
groselha, mas os resultados
não serão os mesmos.
Sirva o poema simples
ou com ilusões.
(Do livro Restos Vitais)
Ingredientes
2 conflitos de gerações
4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos beatles
Modo de preparar
Dissolva os sonhos eróticos
nos dois litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração.
Leve a mistura ao fogo,
adicionando dois conflitos
de gerações às esperanças perdidas.
Corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos
beatles o mesmo processo usado
com os sonhos eróticos, mas desta
vez deixe ferver um pouco mais e
mexa até dissolver.
Parte do sangue pode ser
substituído por suco de
groselha, mas os resultados
não serão os mesmos.
Sirva o poema simples
ou com ilusões.
(Do livro Restos Vitais)
Mérito ou Antiguidade
Embora eu acredite q os meus problemas sejam bastante incomuns com relação aos q me fazem saber dos outros, não acho q minha vida renderia um livro. Há palavras q não pronuncio. E há histórias q não merecem ser contadas.
No mais, uma órfã de tutores q sai adotando entidades e pessoas q passarão o tempo ocupando-se de provar q não merecem tal adoção. (E algumas vezes conseguirão.).
Eu, trato bem a todos. Mesmo os q não merecem ser bem tratados.
Há os q esperneiam feito criança estranhando o colo alheio.
Há os q, sorrateiros, procuram por algo errado. Um desvio, um beneficio ilícito, um interesse oculto... Esses, não acham nada.
Há os q cavam a falta. – Nesse caso eu não hesito em cair. Fora.
Há os pegam o q querem e seguem viagem.
Há os q deixam rastros. Cicatrizes, no caso.
E eu continuo. Não sei como nem por que. Muitos, por muito menos, morrem.
Fico olhando pra tudo como quem sobrevive a uma bomba... q não deixa nada.
Passo dias e noites curando a memória castigada. Já nem sei mais em q ano foi q tirei férias dessas imagens ruins q se renovam.
O psicólogo até tentou. Mas avisaram q eu atraio problemas. E é verdade.
Deve ser pq eu sou boa. Sou simples. De inofensiva aparência. E me recuso a ser áspera e contradizer minha essência.
Trinta anos de ver toda tentativa de construção desmantelada...
Eu não defendo ideais nem ideologias.
Essas coisas perfeitas não existem e, além do mais, eu gosto da existência dos erros.
Errar é característica humana. Só sendo humano pra dar a algo este significado.
Eu defendo pessoas. Já defendi até indefensáveis.
Pessoas são semelhantes. Ideais são de outro naipe.
No passado, em nome de ideais pessoas iam pra fogueira, pra forca, tinham seus pescoços cortados.
Eu defendo os inocentes. Mesmo q tenham pecados.
Eu me baseio em valores. A vida. A paz. A diferença.
A justiça é relativa. E não acredito nela.
Acredito na cor do sangue. Igual em toda raça.
Acredito no sorriso, no abraço.
Eu creio em assinaturas q não têm fé pública.
Eu gosto do sol e da chuva.
E tem um monte de gente q não gosta de gente como eu. Q só ta ali... Não quero vantagens.
No trabalho alguém me elogia por lhe ter tratado bem. E eu tenho receio q esse comentário gere uma sindicância. Pra apurar se eu sou boa mesmo no trato. Ou se é só fachada. Ou melhor, verificar o q eu devo estar querendo ganhar com essa bondade toda...
Estou presa.
Um ano de cadeados e grades.
Faz já um tempão q eu só faço inimizades. Qualquer tentativa extra gera um transtorno tão grande q eu me fecho, cada vez mais.
Esta semana irei a um psiquiatra. Tirar licença médica.
Entrarei para o grupo dos remédios controlados.
Snow, desprovendo-se.
No mais, uma órfã de tutores q sai adotando entidades e pessoas q passarão o tempo ocupando-se de provar q não merecem tal adoção. (E algumas vezes conseguirão.).
Eu, trato bem a todos. Mesmo os q não merecem ser bem tratados.
Há os q esperneiam feito criança estranhando o colo alheio.
Há os q, sorrateiros, procuram por algo errado. Um desvio, um beneficio ilícito, um interesse oculto... Esses, não acham nada.
Há os q cavam a falta. – Nesse caso eu não hesito em cair. Fora.
Há os pegam o q querem e seguem viagem.
Há os q deixam rastros. Cicatrizes, no caso.
E eu continuo. Não sei como nem por que. Muitos, por muito menos, morrem.
Fico olhando pra tudo como quem sobrevive a uma bomba... q não deixa nada.
Passo dias e noites curando a memória castigada. Já nem sei mais em q ano foi q tirei férias dessas imagens ruins q se renovam.
O psicólogo até tentou. Mas avisaram q eu atraio problemas. E é verdade.
Deve ser pq eu sou boa. Sou simples. De inofensiva aparência. E me recuso a ser áspera e contradizer minha essência.
Trinta anos de ver toda tentativa de construção desmantelada...
Eu não defendo ideais nem ideologias.
Essas coisas perfeitas não existem e, além do mais, eu gosto da existência dos erros.
Errar é característica humana. Só sendo humano pra dar a algo este significado.
Eu defendo pessoas. Já defendi até indefensáveis.
Pessoas são semelhantes. Ideais são de outro naipe.
No passado, em nome de ideais pessoas iam pra fogueira, pra forca, tinham seus pescoços cortados.
Eu defendo os inocentes. Mesmo q tenham pecados.
Eu me baseio em valores. A vida. A paz. A diferença.
A justiça é relativa. E não acredito nela.
Acredito na cor do sangue. Igual em toda raça.
Acredito no sorriso, no abraço.
Eu creio em assinaturas q não têm fé pública.
Eu gosto do sol e da chuva.
E tem um monte de gente q não gosta de gente como eu. Q só ta ali... Não quero vantagens.
No trabalho alguém me elogia por lhe ter tratado bem. E eu tenho receio q esse comentário gere uma sindicância. Pra apurar se eu sou boa mesmo no trato. Ou se é só fachada. Ou melhor, verificar o q eu devo estar querendo ganhar com essa bondade toda...
Estou presa.
Um ano de cadeados e grades.
Faz já um tempão q eu só faço inimizades. Qualquer tentativa extra gera um transtorno tão grande q eu me fecho, cada vez mais.
Esta semana irei a um psiquiatra. Tirar licença médica.
Entrarei para o grupo dos remédios controlados.
Snow, desprovendo-se.
quarta-feira, maio 28, 2008
Margem
Gostava de ler livros antigos.
Não apenas por serem mais baratos, podendo ser comprados em sebos, mas em especial pela sensação de conforto q lhe vinha sempre q podia conhecer algo q já era conhecido. Pela surpresa de abrir numa página uma frase sublinhada a lápis ou a tinta, uma marcação discreta, um desenho, um rabisco...
Poderia dizer mais, que não sentia o mesmo prazer nas páginas virgens. Talvez por isso nunca lesse sem caneta, sem poder arrancar este estigma das palavras q ainda não foram lidas. Desta forma, relia-se, e acalmava sua necessidade de experimentar o q existe, o q é real ou q, pelo menos, já foi possível.
Certa vez, lera um livro todo grifado, cheio de adendos e pequenos comentários, círculos, flechas, subscritos – aliás, isso é muito comum em bibliotecas públicas e de faculdades, o q é incomum é o tempo para estas leituras extracurriculares – então experimentou um prazer até então inexplorado... e foi daí q nasceu sua paixão por este aspecto dos livros usados. Tanto q esquecera o autor, o verdadeiro, o q escrevera o livro, do qual também já não recorda o titulo. Mas lembra perfeitamente da grafia reta, com letras finas, harmoniosamente articuladas e feitas à tinta.
Esses rabiscos anônimos encantara-na como quando pouco importa que os defeitos se agravem ou q as qualidades se ressaltem, pq tudo é ingrediente indispensável da confecção daquele sorriso...
Ela gostava de ler livros velhos por tantas razões q era difícil lembrar qual q poderia ser mencionada sem muito receio se um dia lhe fosse perguntado o verdadeiro motivo.
No início emprestava os seus. Tinha a pretensão que q lessem-na junto com o livro. Mas isso não deu certo. Percebera no fim de tantas perdas q perdera-se nas entrelinhas, do mesmo modo em q perdiam e não devolviam mais seus livros. Era, dessa forma, autora ágrafa de uma linguagem desconhecida.
Depois começou ela própria a anotar, afim de não deixar impresso apenas o autor, q imaginava, incomentado, com frio e sozinho. Pensava q talvez o autor se sentiria feliz se pegasse por acaso um exemplar antigo e constatasse q, como às vezes parece qnd se escreve, não estava mais sozinho. Imaginou o leve sorriso q o autor esboçaria... e esboço, é tb como chamamos o rascunho, a idéia, o pré-livro.
Lhe excitava tanto a idéia de descobrir o q pensavam os outros no momento em q era lido o q agora só ela lia q divertia-se com isso. Como qnd teve vontade de rir ao observar numa biblioteca, uma estudante folheando A Casa dos Budas Ditosos, tentando manter o ar de sobriedade... ar q ela sabia impossível.
Esse gosto peculiar tornava-se tão ressaltado, q chegou a folhear exemplares apenas com a finalidade de encontrar anônimos grifos... E como se quisesse do mar, nada mais q a garrafa com a carta de alguém q naufragara, ela buscava endereços, telefones, uma declaração, um bilhete... essas coisas q só os q lêem, de alguma forma, gostariam de encontrar por entre as páginas, de um livro perdido.
Às vezes pulava para um grifo e esquecia a folha inteira, ou o capítulo. E no citado caso grave, já não sabia qual tinha sido o livro.
Um dia, lendo poemas, comprados de segunda mão, lágrimas escorreram pela segunda vez na mesma obra, quando, páginas adiante do primeiro “eu te amo”, com outras letras e tinta, percebeu o “eu também”, revelando q o primeiro leitor fora correspondido.
Foi neste momento q se deu conta de q o seu prazer só poderia existir de uma dor. Ou de um abandono, de uma tentativa de limpeza, de um gesto de desapego q é também desamor, descaso ou desperdício... Como quem admira o produto, mas descarta, pq já é lixo.
Nesse dia observou, sem saber se fazia o certo, envergonhada pq se intrometia... E acrescentou na contra-capa qse com quem retira:
Nunca deveriam ter se desfeito deste livro.
Snow, amarelada, riscada e cheia de digitais desconhecidas.
Não apenas por serem mais baratos, podendo ser comprados em sebos, mas em especial pela sensação de conforto q lhe vinha sempre q podia conhecer algo q já era conhecido. Pela surpresa de abrir numa página uma frase sublinhada a lápis ou a tinta, uma marcação discreta, um desenho, um rabisco...
Poderia dizer mais, que não sentia o mesmo prazer nas páginas virgens. Talvez por isso nunca lesse sem caneta, sem poder arrancar este estigma das palavras q ainda não foram lidas. Desta forma, relia-se, e acalmava sua necessidade de experimentar o q existe, o q é real ou q, pelo menos, já foi possível.
Certa vez, lera um livro todo grifado, cheio de adendos e pequenos comentários, círculos, flechas, subscritos – aliás, isso é muito comum em bibliotecas públicas e de faculdades, o q é incomum é o tempo para estas leituras extracurriculares – então experimentou um prazer até então inexplorado... e foi daí q nasceu sua paixão por este aspecto dos livros usados. Tanto q esquecera o autor, o verdadeiro, o q escrevera o livro, do qual também já não recorda o titulo. Mas lembra perfeitamente da grafia reta, com letras finas, harmoniosamente articuladas e feitas à tinta.
Esses rabiscos anônimos encantara-na como quando pouco importa que os defeitos se agravem ou q as qualidades se ressaltem, pq tudo é ingrediente indispensável da confecção daquele sorriso...
Ela gostava de ler livros velhos por tantas razões q era difícil lembrar qual q poderia ser mencionada sem muito receio se um dia lhe fosse perguntado o verdadeiro motivo.
No início emprestava os seus. Tinha a pretensão que q lessem-na junto com o livro. Mas isso não deu certo. Percebera no fim de tantas perdas q perdera-se nas entrelinhas, do mesmo modo em q perdiam e não devolviam mais seus livros. Era, dessa forma, autora ágrafa de uma linguagem desconhecida.
Depois começou ela própria a anotar, afim de não deixar impresso apenas o autor, q imaginava, incomentado, com frio e sozinho. Pensava q talvez o autor se sentiria feliz se pegasse por acaso um exemplar antigo e constatasse q, como às vezes parece qnd se escreve, não estava mais sozinho. Imaginou o leve sorriso q o autor esboçaria... e esboço, é tb como chamamos o rascunho, a idéia, o pré-livro.
Lhe excitava tanto a idéia de descobrir o q pensavam os outros no momento em q era lido o q agora só ela lia q divertia-se com isso. Como qnd teve vontade de rir ao observar numa biblioteca, uma estudante folheando A Casa dos Budas Ditosos, tentando manter o ar de sobriedade... ar q ela sabia impossível.
Esse gosto peculiar tornava-se tão ressaltado, q chegou a folhear exemplares apenas com a finalidade de encontrar anônimos grifos... E como se quisesse do mar, nada mais q a garrafa com a carta de alguém q naufragara, ela buscava endereços, telefones, uma declaração, um bilhete... essas coisas q só os q lêem, de alguma forma, gostariam de encontrar por entre as páginas, de um livro perdido.
Às vezes pulava para um grifo e esquecia a folha inteira, ou o capítulo. E no citado caso grave, já não sabia qual tinha sido o livro.
Um dia, lendo poemas, comprados de segunda mão, lágrimas escorreram pela segunda vez na mesma obra, quando, páginas adiante do primeiro “eu te amo”, com outras letras e tinta, percebeu o “eu também”, revelando q o primeiro leitor fora correspondido.
Foi neste momento q se deu conta de q o seu prazer só poderia existir de uma dor. Ou de um abandono, de uma tentativa de limpeza, de um gesto de desapego q é também desamor, descaso ou desperdício... Como quem admira o produto, mas descarta, pq já é lixo.
Nesse dia observou, sem saber se fazia o certo, envergonhada pq se intrometia... E acrescentou na contra-capa qse com quem retira:
Nunca deveriam ter se desfeito deste livro.
Snow, amarelada, riscada e cheia de digitais desconhecidas.
quinta-feira, abril 24, 2008
Anonimia
Quero que sáiba que não faço nada porque não posso.
E que não digo nada porque não há nada que consiga falar.
Evito tudo o que poderia fazer mal.
Só não consegui barrar o pensamnto...
Aliás, nos últimos tempos,
Lembrar se tornou tão inevitável quanto o ato de respirar.
Snow, num bilheite de náufrago, desses de garrafa, pelo mar...
E que não digo nada porque não há nada que consiga falar.
Evito tudo o que poderia fazer mal.
Só não consegui barrar o pensamnto...
Aliás, nos últimos tempos,
Lembrar se tornou tão inevitável quanto o ato de respirar.
Snow, num bilheite de náufrago, desses de garrafa, pelo mar...
Receita para se esquecer um grande amor
(Marcelo Maroldi)
Às vezes eu fecho os olhos, inspiro e procuro sentir a presença de quem já não está por perto. É um método que eu inventei tempos atrás..., e uso sempre quando o amor se transforma em saudade.
Os grandes amores existem. As grandes paixões existem. Eles existem. Eles simplesmente existem. Eu desejo que todo ser humano possa sentir o que eu um dia já senti. Somente uns poucos minutos daquele entorpecimento juvenil, daquela inundação de sentimentos que enlouquecem, daquela loucura toda que te envolve, te amedronta, aquela confusão monstruosa que vivi quando amei. E quando fui amado. Uma paixão avassaladora que me fez acreditar que eu ainda permanecia vivo. Vivo e amando. E amado. Mas, agora, eu fecho os olhos para dormir. A cama cresceu tanto de tamanho, o meu peito cada vez está menor. E muito mais vazio. Ninguém a me ninar. A minha mão não encontra a sua. Quem foi que viu a minha Dor chorando?! (Augusto dos Anjos, "Queixas Noturnas". Mas, no meu caso, diurnas também). Eu quero uma receita para se esquecer um grande amor, o senhor tem aqui para vender? O preço não me interessa, eu só quero poder seguir em frente. Nem precisa ser em frente..., basta seguir. Porque A minha vida sentou-se/ E não há quem a levante (Mário de Sá-Carneiro, "Serradura").
E o vazio logo aparece, não dá um minuto de folga (“meter a cara no trabalho” é algo que também não tem funcionado). O telefone não toca naquela hora, a minha caixa de e-mails não tem pena de mim, já não tem novidade boa a me contar. Uma sensação leve e prematura de derrota logo se apodera da gente. Depois ela cresce. Já não é mais sensação, é derrota mesmo. Eu não tenho mais para quem escrever os meus defeituosos poemas, a quem dedicar meus pensamentos, quem vai me acalmar quando a agonia aparece sem avisar? Eu me sinto tão sozinho. Por vezes eu nem me sinto. Meus olhos não vertem lágrimas, o meu coração não dispara. Será mesmo que estou vivo? Ainda nem maldisse toda a minha sina e mazela, nem afoguei minhas (agora) crônicas mágoas na cachaça libertadora, também não há outro perfume no meu corpo. Viver é amar, um dia me explicaram direitinho. Eu era inocente e acreditei. Só inocentes e tolos crédulos aprendem isso, eu tive o azar de ser um deles. Nem ouso reclamar.
Quando acordei foi em você que eu pensei. Provavelmente pensei em ti durante toda a noite também, mas dessa vez tive a sorte de não recordar. Não importa como minha vida esteja seguindo, é sempre em seu sorriso que meus pensamentos se convergem. Não há fuga nem plano B. Eu aprendi que não é te esquecendo que irei me livrar de você. Não importa quanto tempo transcorra, jamais me esquecerei daquela noite, aquela, quando estupefata você ouviu minha curtíssima e derradeira declaração de amor. Metade do tempo eu reflito sobre o que ela significou e o que ela irá se tornar em alguns parcos anos. Logo, meu coração será de outra, as suas coisas queimarei no quintal (afastando a cachorra para que não se queime) e essa frase eu voltarei a dizer. Mas não para ti, jamais para ti, nunca mais para ti... Você será apenas uma lembrança, feito tantas outras, e eu serei apenas uma lembrança para você... feito tantas outras. Já não me amas? Basta! Irei, triste, e exilado/ Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho (Olavo Bilac, "Desterro").
Quem errou mais? Isso não importa agora, logo, posso ficar com toda culpa pelo nosso fracasso. Sempre sonhei com algo diferente, como nos contos de fadas e nos pagodes de três notas (e se me perguntam Que era mesmo que eu queria?/ ”Eu queria uma casinha/ Com varanda para o mar/ Onde brincasse a andorinha/ E onde chegasse o luar”, Vinicius de Moraes, "Sombra e Luz"). A realidade foi deveras distinta disso, só Deus é testemunha das minhas queixas. Mas, nesse momento, nada disso importa, nada do que doeu agora importa. Eu vou ficar aqui, sozinho, com minhas lembranças e nosso fracasso. Vou lembrar das partes boas, para me emocionar com a saudade. Não lembrarei de nenhuma briga, nem nada disso! Eu quero uma receita para esquecer dos momentos ruins, dos bons eu não preciso. Não preciso e não quero. Para que esquecer do que me orgulho? Do que me fez feliz? Deixa a saudade me machucar, meu anjo, uma hora ela se cansa. Eu não abro mão de recordar o quanto fomos felizes. Acabou, mas não sem muito amor. É o fim, mas não antes de muitas promessas de eterna felicidade. É isso o que vale, afinal. Eu busco isso a cada instante de minha vida.
Mas agora ele está lá e eu aqui. Ele está lá seguindo a vida dele, e eu estou aqui, seguindo a minha. Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte (Neruda, "Aqui eu te amo"). Ela esta lá vivendo a vida dela como se nada tivesse acontecido. Acho, realmente não sei dizer (Teus olhos são duas silabas/ Que me custam soletrar./ Teus lábios são dous vocábulos/ Que não posso,/ Que não posso interpretar Fagundes Varela, "Canção Lógica"). Eu aqui, não triste, mas saudoso. Às vezes eu olho para os céus para descobrir se sinto algo de novo. Quem sabe um daqueles meus suspiros. Passo horas olhando as estrelas, sem entender por que elas brilham. Elas deveriam fazê-lo somente quando você fosse minha, não em qualquer situação. Mas você segue a sua vida, almoça feliz e se diverte enquanto procuro a receita para te esquecer. Sei que não irei sofrer, o que me castiga é a saudade. Não irei chorar, nem lamentar, tampouco desejar a morte. Irei apenas seguir em frente, sozinho agora, às vezes pensando: o que será que ela faz nesse momento?, agora que chove lá fora! O que será que ela faz? Será que pensa em mim? Será que sorri? Eu abro os braços para envolver a minha vida.
Lembra da música da Elis? Vou querer amar de novo e se não der eu não vou sofrer...? Preciso te dizer a verdade: se isso acontecer, eu vou sofrer sim, meu coração só existe para amar de novo, espero que você entenda. Eu sigo a minha vida por aqui, você continue a sua por aí. Se consegui a receita para se esquecer de um grande amor? Não, parece que isso não existe mesmo. A minha é seguir em frente, então, e quando não der, chorar, não há problema nenhum isso, quem aprende a amar, aprende a chorar também (Paulinho da Viola, "Amor Amor") . Eu aprendi, pratiquei contigo, jamais te esquecerei.
Cantemos a canção da vida,/ na própria luz consumida...
(Mario Quintana, "Inscrição para uma lareira")
"O ganhador", Lêdo Ivo (sempre ele!):
Tudo o que ganhei se desfez no ar como uma metáfora.
Agora só guardo o que perdi:
o vento que soprava na colina,
a neve que caía no aeroporto
e o teu púbis dourado, o teu púbis dourado.
Nota do Autor
Este texto faz parte da trilogia que começou com "Dos amores possíveis".
Marcelo Maroldi
São Carlos, 3/8/2006
Snow, sem comentários.
Às vezes eu fecho os olhos, inspiro e procuro sentir a presença de quem já não está por perto. É um método que eu inventei tempos atrás..., e uso sempre quando o amor se transforma em saudade.
Os grandes amores existem. As grandes paixões existem. Eles existem. Eles simplesmente existem. Eu desejo que todo ser humano possa sentir o que eu um dia já senti. Somente uns poucos minutos daquele entorpecimento juvenil, daquela inundação de sentimentos que enlouquecem, daquela loucura toda que te envolve, te amedronta, aquela confusão monstruosa que vivi quando amei. E quando fui amado. Uma paixão avassaladora que me fez acreditar que eu ainda permanecia vivo. Vivo e amando. E amado. Mas, agora, eu fecho os olhos para dormir. A cama cresceu tanto de tamanho, o meu peito cada vez está menor. E muito mais vazio. Ninguém a me ninar. A minha mão não encontra a sua. Quem foi que viu a minha Dor chorando?! (Augusto dos Anjos, "Queixas Noturnas". Mas, no meu caso, diurnas também). Eu quero uma receita para se esquecer um grande amor, o senhor tem aqui para vender? O preço não me interessa, eu só quero poder seguir em frente. Nem precisa ser em frente..., basta seguir. Porque A minha vida sentou-se/ E não há quem a levante (Mário de Sá-Carneiro, "Serradura").
E o vazio logo aparece, não dá um minuto de folga (“meter a cara no trabalho” é algo que também não tem funcionado). O telefone não toca naquela hora, a minha caixa de e-mails não tem pena de mim, já não tem novidade boa a me contar. Uma sensação leve e prematura de derrota logo se apodera da gente. Depois ela cresce. Já não é mais sensação, é derrota mesmo. Eu não tenho mais para quem escrever os meus defeituosos poemas, a quem dedicar meus pensamentos, quem vai me acalmar quando a agonia aparece sem avisar? Eu me sinto tão sozinho. Por vezes eu nem me sinto. Meus olhos não vertem lágrimas, o meu coração não dispara. Será mesmo que estou vivo? Ainda nem maldisse toda a minha sina e mazela, nem afoguei minhas (agora) crônicas mágoas na cachaça libertadora, também não há outro perfume no meu corpo. Viver é amar, um dia me explicaram direitinho. Eu era inocente e acreditei. Só inocentes e tolos crédulos aprendem isso, eu tive o azar de ser um deles. Nem ouso reclamar.
Quando acordei foi em você que eu pensei. Provavelmente pensei em ti durante toda a noite também, mas dessa vez tive a sorte de não recordar. Não importa como minha vida esteja seguindo, é sempre em seu sorriso que meus pensamentos se convergem. Não há fuga nem plano B. Eu aprendi que não é te esquecendo que irei me livrar de você. Não importa quanto tempo transcorra, jamais me esquecerei daquela noite, aquela, quando estupefata você ouviu minha curtíssima e derradeira declaração de amor. Metade do tempo eu reflito sobre o que ela significou e o que ela irá se tornar em alguns parcos anos. Logo, meu coração será de outra, as suas coisas queimarei no quintal (afastando a cachorra para que não se queime) e essa frase eu voltarei a dizer. Mas não para ti, jamais para ti, nunca mais para ti... Você será apenas uma lembrança, feito tantas outras, e eu serei apenas uma lembrança para você... feito tantas outras. Já não me amas? Basta! Irei, triste, e exilado/ Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho (Olavo Bilac, "Desterro").
Quem errou mais? Isso não importa agora, logo, posso ficar com toda culpa pelo nosso fracasso. Sempre sonhei com algo diferente, como nos contos de fadas e nos pagodes de três notas (e se me perguntam Que era mesmo que eu queria?/ ”Eu queria uma casinha/ Com varanda para o mar/ Onde brincasse a andorinha/ E onde chegasse o luar”, Vinicius de Moraes, "Sombra e Luz"). A realidade foi deveras distinta disso, só Deus é testemunha das minhas queixas. Mas, nesse momento, nada disso importa, nada do que doeu agora importa. Eu vou ficar aqui, sozinho, com minhas lembranças e nosso fracasso. Vou lembrar das partes boas, para me emocionar com a saudade. Não lembrarei de nenhuma briga, nem nada disso! Eu quero uma receita para esquecer dos momentos ruins, dos bons eu não preciso. Não preciso e não quero. Para que esquecer do que me orgulho? Do que me fez feliz? Deixa a saudade me machucar, meu anjo, uma hora ela se cansa. Eu não abro mão de recordar o quanto fomos felizes. Acabou, mas não sem muito amor. É o fim, mas não antes de muitas promessas de eterna felicidade. É isso o que vale, afinal. Eu busco isso a cada instante de minha vida.
Mas agora ele está lá e eu aqui. Ele está lá seguindo a vida dele, e eu estou aqui, seguindo a minha. Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte (Neruda, "Aqui eu te amo"). Ela esta lá vivendo a vida dela como se nada tivesse acontecido. Acho, realmente não sei dizer (Teus olhos são duas silabas/ Que me custam soletrar./ Teus lábios são dous vocábulos/ Que não posso,/ Que não posso interpretar Fagundes Varela, "Canção Lógica"). Eu aqui, não triste, mas saudoso. Às vezes eu olho para os céus para descobrir se sinto algo de novo. Quem sabe um daqueles meus suspiros. Passo horas olhando as estrelas, sem entender por que elas brilham. Elas deveriam fazê-lo somente quando você fosse minha, não em qualquer situação. Mas você segue a sua vida, almoça feliz e se diverte enquanto procuro a receita para te esquecer. Sei que não irei sofrer, o que me castiga é a saudade. Não irei chorar, nem lamentar, tampouco desejar a morte. Irei apenas seguir em frente, sozinho agora, às vezes pensando: o que será que ela faz nesse momento?, agora que chove lá fora! O que será que ela faz? Será que pensa em mim? Será que sorri? Eu abro os braços para envolver a minha vida.
Lembra da música da Elis? Vou querer amar de novo e se não der eu não vou sofrer...? Preciso te dizer a verdade: se isso acontecer, eu vou sofrer sim, meu coração só existe para amar de novo, espero que você entenda. Eu sigo a minha vida por aqui, você continue a sua por aí. Se consegui a receita para se esquecer de um grande amor? Não, parece que isso não existe mesmo. A minha é seguir em frente, então, e quando não der, chorar, não há problema nenhum isso, quem aprende a amar, aprende a chorar também (Paulinho da Viola, "Amor Amor") . Eu aprendi, pratiquei contigo, jamais te esquecerei.
Cantemos a canção da vida,/ na própria luz consumida...
(Mario Quintana, "Inscrição para uma lareira")
"O ganhador", Lêdo Ivo (sempre ele!):
Tudo o que ganhei se desfez no ar como uma metáfora.
Agora só guardo o que perdi:
o vento que soprava na colina,
a neve que caía no aeroporto
e o teu púbis dourado, o teu púbis dourado.
Nota do Autor
Este texto faz parte da trilogia que começou com "Dos amores possíveis".
Marcelo Maroldi
São Carlos, 3/8/2006
Snow, sem comentários.
sábado, abril 12, 2008
Sobre o silêncio, sobre Neruda, sobre Leone, sobre mãos, bocas e perfumes...
Gosto quando te calas
(Pablo Neruda)
Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
SnowFlake
(Pablo Neruda)
Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
SnowFlake
sexta-feira, abril 11, 2008
Edredon
Sinto bastante frio qnd chove.
São duas calças, duas blusas, dois pares de meias, dois cobertores...
Tudo isso apesar do banho quente e da sopa!
Também sempre passo o inverno sozinha...
Esse frio todo que sinto acho q é pq, no fundo eu tb devo ser como meus amores:
De verão.
Mas não se doa não.
Vc só não deve sentir tb pq tem músculos bem desenvolvidos.
E semana q vem eu vou pra academia nas segundas, quartas e sextas, já q as terças e quintas estão preenchidas pela Defesa Pessoal.
Quem sabe mais fortinha, não dou mais sorte no próximo temporal...
Snow, brrrrr!
São duas calças, duas blusas, dois pares de meias, dois cobertores...
Tudo isso apesar do banho quente e da sopa!
Também sempre passo o inverno sozinha...
Esse frio todo que sinto acho q é pq, no fundo eu tb devo ser como meus amores:
De verão.
Mas não se doa não.
Vc só não deve sentir tb pq tem músculos bem desenvolvidos.
E semana q vem eu vou pra academia nas segundas, quartas e sextas, já q as terças e quintas estão preenchidas pela Defesa Pessoal.
Quem sabe mais fortinha, não dou mais sorte no próximo temporal...
Snow, brrrrr!
Coisa de Pele
O teste de alergia deu positivo pra tudo. Isso significa falso positivo. O q também significa q a alergia verdadeira não pode ser detectada por teste de pele. Pq a pele referida é extra-sensível.
Doeu bem mais q o imaginado fazer o teste de alergia... e sair do laboratório com 36 manchinhas vermelhas nos braços, q deveriam ser apenas pequenas picadinhas de formigas.
Doeu mais ainda passar na clínica de depilação à laser e saber q custa $350,00 a sessão e q as manchinhas de gilete, cera, pinça, aparelho elétrico etc, ainda vão demorar pra deixar usar o biquíni PP. (E comprovar q o extra GG é resultado de uma pele extra-sensível...)
As pequenas dores não a fizeram chorar. Fizeram-na rir do resultado. Rir do remédio comprado com o fim de atenuar a sensibilidade e rir por ter tido um diagnóstico tão óbvio.
Talvez seja resultado desta extra-sensibilidade cutânea o frio q dá na espinha na eminência de prazer ou dor. O frio q é diferente do frio demasiado q sente no inverno e nas noites vazias, seja de frio ou calor.
Talvez explique pq a pele sente o toque da boca só de ver os olhos e lembrar a voz.
Talvez explique pq às vezes o corpo todo se converte em tecido epitelial e é todo tato, a cada simples contato...
Talvez explique as manchinhas extras de raiva, de abraços e de viagens de ônibus.
Talvez esse novo prontuário dermatológico explique a difusão imediata dos arrepios q vão da nuca aos pés num piscar de olhos e retornam, antes q os olhos se abram, dos pés ao pescoço.
Mas talvez tb seja o contrário, e esta extra sensibilidade venha confundir tudo, tornar cada sensação um falso positivo, um caso indiagnosticável.
E, dessa forma, aquele beijo inusitado, ocasionado pelo cabelo preso, q fez ver estrelas onde deveria haver lábios, e mãos onde existiu apenas o vento...
Talvez tenha sido de fato um sopro de alma no ar, sem toque, nem intento.
E qnd o corpo todo foi alma e o q preenchia o corpo era o sentimento,
Não tenha passado de uma confusão de peles
Pêlos, poros, suor e células
Em movimento.
SnowFlake, aula vaga, texto encontrado em caderno do ano passado.
P.S. O original era assinado por Snow, subcutânea. Mas como diria Rafael, já entrou mais um pouquinho.
Doeu bem mais q o imaginado fazer o teste de alergia... e sair do laboratório com 36 manchinhas vermelhas nos braços, q deveriam ser apenas pequenas picadinhas de formigas.
Doeu mais ainda passar na clínica de depilação à laser e saber q custa $350,00 a sessão e q as manchinhas de gilete, cera, pinça, aparelho elétrico etc, ainda vão demorar pra deixar usar o biquíni PP. (E comprovar q o extra GG é resultado de uma pele extra-sensível...)
As pequenas dores não a fizeram chorar. Fizeram-na rir do resultado. Rir do remédio comprado com o fim de atenuar a sensibilidade e rir por ter tido um diagnóstico tão óbvio.
Talvez seja resultado desta extra-sensibilidade cutânea o frio q dá na espinha na eminência de prazer ou dor. O frio q é diferente do frio demasiado q sente no inverno e nas noites vazias, seja de frio ou calor.
Talvez explique pq a pele sente o toque da boca só de ver os olhos e lembrar a voz.
Talvez explique pq às vezes o corpo todo se converte em tecido epitelial e é todo tato, a cada simples contato...
Talvez explique as manchinhas extras de raiva, de abraços e de viagens de ônibus.
Talvez esse novo prontuário dermatológico explique a difusão imediata dos arrepios q vão da nuca aos pés num piscar de olhos e retornam, antes q os olhos se abram, dos pés ao pescoço.
Mas talvez tb seja o contrário, e esta extra sensibilidade venha confundir tudo, tornar cada sensação um falso positivo, um caso indiagnosticável.
E, dessa forma, aquele beijo inusitado, ocasionado pelo cabelo preso, q fez ver estrelas onde deveria haver lábios, e mãos onde existiu apenas o vento...
Talvez tenha sido de fato um sopro de alma no ar, sem toque, nem intento.
E qnd o corpo todo foi alma e o q preenchia o corpo era o sentimento,
Não tenha passado de uma confusão de peles
Pêlos, poros, suor e células
Em movimento.
SnowFlake, aula vaga, texto encontrado em caderno do ano passado.
P.S. O original era assinado por Snow, subcutânea. Mas como diria Rafael, já entrou mais um pouquinho.
segunda-feira, abril 07, 2008
Luto
Queria pensar em você, mas não consigo. Não há um assunto específico.
Você está espalhado por todos os conteúdos, todos os tópicos e já não posso reuni-lo.
Ademais, quando encontro algo sobre o qual posso pensar de ti, meu pensamento é interrompido pela lembrança do teu sorriso... tua voz, teu olhar incisivo...
Queria coligir esses insights, reuni-los, catalogá-los, arquivá-los, mas me parece impossível. É tudo tão esparso e fugidio...
Você tem escapado como areia entre os dedos, evaporado como éter... e pensar concisamente é um exercício difícil. Ao mesmo tempo q esquecer-te, impossível.
Mas está é a única coisa q sobrou em mim. Essa interrupção irreversível da presença, q se materializa, ora com a lembrança nítida da tua partida, ora com as inscrições da última despedida, ora com esse caldo quente q escorre pela face e substancia a dor...
E a dor qnd se vê assim, nua e sozinha, expressando o sentimento velado q, mesmo morto, deve ser sepultado escondido, envergonha, por se ter sentido.
A dor q provoca a lágrima é a mesma q estanca o choro e interrompe o pensamento...
Queria escrever-te uma carta de todas essas coisas q não podem ser escritas.
Queria visitar tua última morada e chorar e te contar de como dói acariciar o mármore frio e todos estes objetos vazios e todas as flores sem cor... Flores de dor.
Eu sei q aonde quer q esteja agora você espera q eu me cure, q a tristeza passe e q eu consiga dar um rumo pra minha vida, mas agora a lembrança é uma ferida aberta e dolorida esperando pelo tempo...
Prometo comer todos os dias.
Prometo não chorar tanto.
Prometo não deixar q me machuquem.
Prometo lutar pelo q eu penso.
Prometo me arrumar, sorrir sempre, praticar as coisas boas q eu já fazia e as q eu aprendi contigo...
Prometo sofrer só até parar de sofrer, mas agora não consigo pensar... Nem esquecer.
Tudo cala-me
Tudo cessa-te
Tudo ceifa-se...
Quero ficar aqui.
(Queria q todos saíssem...)
SnowFlake
Você está espalhado por todos os conteúdos, todos os tópicos e já não posso reuni-lo.
Ademais, quando encontro algo sobre o qual posso pensar de ti, meu pensamento é interrompido pela lembrança do teu sorriso... tua voz, teu olhar incisivo...
Queria coligir esses insights, reuni-los, catalogá-los, arquivá-los, mas me parece impossível. É tudo tão esparso e fugidio...
Você tem escapado como areia entre os dedos, evaporado como éter... e pensar concisamente é um exercício difícil. Ao mesmo tempo q esquecer-te, impossível.
Mas está é a única coisa q sobrou em mim. Essa interrupção irreversível da presença, q se materializa, ora com a lembrança nítida da tua partida, ora com as inscrições da última despedida, ora com esse caldo quente q escorre pela face e substancia a dor...
E a dor qnd se vê assim, nua e sozinha, expressando o sentimento velado q, mesmo morto, deve ser sepultado escondido, envergonha, por se ter sentido.
A dor q provoca a lágrima é a mesma q estanca o choro e interrompe o pensamento...
Queria escrever-te uma carta de todas essas coisas q não podem ser escritas.
Queria visitar tua última morada e chorar e te contar de como dói acariciar o mármore frio e todos estes objetos vazios e todas as flores sem cor... Flores de dor.
Eu sei q aonde quer q esteja agora você espera q eu me cure, q a tristeza passe e q eu consiga dar um rumo pra minha vida, mas agora a lembrança é uma ferida aberta e dolorida esperando pelo tempo...
Prometo comer todos os dias.
Prometo não chorar tanto.
Prometo não deixar q me machuquem.
Prometo lutar pelo q eu penso.
Prometo me arrumar, sorrir sempre, praticar as coisas boas q eu já fazia e as q eu aprendi contigo...
Prometo sofrer só até parar de sofrer, mas agora não consigo pensar... Nem esquecer.
Tudo cala-me
Tudo cessa-te
Tudo ceifa-se...
Quero ficar aqui.
(Queria q todos saíssem...)
SnowFlake
quarta-feira, abril 02, 2008
Pequeninos
Sobrinho 1, momento 1:
- Mãe, quando eu crescer quero ser igual à titia estudando.
Sobrinho 2, momento 2:
- Titia, quando eu crescer eu não quero ir pra escola todos os dias e ficar indo pro trabalho todo sábado e todo domingo não.
Snow, q à cada momento q passa descobre q... não cresceu ainda.
- Mãe, quando eu crescer quero ser igual à titia estudando.
Sobrinho 2, momento 2:
- Titia, quando eu crescer eu não quero ir pra escola todos os dias e ficar indo pro trabalho todo sábado e todo domingo não.
Snow, q à cada momento q passa descobre q... não cresceu ainda.
Página
Passei o dia sem nem lembrar que era primeiro de abril e não mais março.
Choveu a noite inteira e, tanto pela manhã, que nem fui pra aula.
Também faltei o Goshin Jitsu e não levei as crianças ao karatê.
À noite comprei um par de sapatos vermelhos... Pra combinar com estes meus olhos.
Esse meu olhar distante e evasivo...
Percebi recentemente, me olhando no espelho, que meus olhos freqüentemente têm a cor do desejo.
E deve ser pelo mesmo motivo.
Snow, q à cada ano q passa compra uma agenda menor q a anterior numa tentativa de evitar, certas coisas q... é isso.
Choveu a noite inteira e, tanto pela manhã, que nem fui pra aula.
Também faltei o Goshin Jitsu e não levei as crianças ao karatê.
À noite comprei um par de sapatos vermelhos... Pra combinar com estes meus olhos.
Esse meu olhar distante e evasivo...
Percebi recentemente, me olhando no espelho, que meus olhos freqüentemente têm a cor do desejo.
E deve ser pelo mesmo motivo.
Snow, q à cada ano q passa compra uma agenda menor q a anterior numa tentativa de evitar, certas coisas q... é isso.
terça-feira, abril 01, 2008
Crônica do Amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor
Snow, sem palavras.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor
Snow, sem palavras.
quarta-feira, março 19, 2008
Começo
Tomara q o dia acabe
Q a lua chegue
Q escureça
Q as horas voem
Tomara q eu te encontre...
E q depois o tempo pare.
Snow, num clichezinho bom...three months ago.
Q a lua chegue
Q escureça
Q as horas voem
Tomara q eu te encontre...
E q depois o tempo pare.
Snow, num clichezinho bom...three months ago.
Hot
Comprei um produdo novo pra nós,
Um gelzinho q esquenta em contato com a pele.
Pra qnd o inverno chegar...
SnowFlake
Um gelzinho q esquenta em contato com a pele.
Pra qnd o inverno chegar...
SnowFlake
Ciclo
Uma vez por mês sou como uma lua de quatro fases, em apenas uma.
Mansa. Irritada. Agressiva. Frágil...
Tímida e durona.
Sensível.
Uma vez por mês é esse bombardeio de anseios, desejos, frustrações, angústias...
Uma vez por mês vulnerável.
Suscetível.
Uma vez por mês eu queria chegar em casa e ficar sozinha.
Pra soluçar todas essas lágrimas q escondo.
Uma vez por mês eu fico redondinha.
Fico querendo o mar, o céu, as nuvens...
Uma vez por mês, eu fico assim, por alguns dias...
Nascendo e me pondo.
Snow, no seu mundo.
Mansa. Irritada. Agressiva. Frágil...
Tímida e durona.
Sensível.
Uma vez por mês é esse bombardeio de anseios, desejos, frustrações, angústias...
Uma vez por mês vulnerável.
Suscetível.
Uma vez por mês eu queria chegar em casa e ficar sozinha.
Pra soluçar todas essas lágrimas q escondo.
Uma vez por mês eu fico redondinha.
Fico querendo o mar, o céu, as nuvens...
Uma vez por mês, eu fico assim, por alguns dias...
Nascendo e me pondo.
Snow, no seu mundo.
Rodapé
Freqüentemente tenho q interromper a leitura pq meu pensamento não acompanha.
Eu até q tento, mas sempre acabo me perdendo no meio.
E assim o parágrafo fica lá,
Falando sobre coisas diferentes
Dos teus braços, dos teus beijos, do teu peito...
E deve ser por isso q eu continuo não entendo qse nada do q leio.
Snow, revendo anotações na véspera.
Eu até q tento, mas sempre acabo me perdendo no meio.
E assim o parágrafo fica lá,
Falando sobre coisas diferentes
Dos teus braços, dos teus beijos, do teu peito...
E deve ser por isso q eu continuo não entendo qse nada do q leio.
Snow, revendo anotações na véspera.
Atenção!
Pintei os cabelos de vermelho e sei q há muita diferença pq qnd me olho no espelho não estão mais lá os fios louros, nem os negros, e o meu semblante também incorporou a tinta... mas ainda assim não me vejo mudada.
Mudar é um processo complexo. Eu tenho mudado uma coisinha ou outra mas sempre me acho tão a mesma q, vez em qnd tenho certeza q... não mudou nada.
As pessoas mudam. As outras, todas. E é por isso q eu tb, qnd vou ver já mudei um pouco com essa mudança toda.
As pessoas de minha vida são como as tintas do meu cabelo q mudam a minha cara... Elas mexem na minha naturalidade sem alterar a raiz. E no fundo eu sou de uma cor q não existe. A pintura é uma tentativa de dar forma pra mostrar movimento...
Mas eu sou parada.
Vermelho-vinho na parte q era loura, vermelho-roxo na parte mais escura e vermelho-sangue na q era castanho-clara.
Houve uma época q mudava de e-mail, de telefone, casa. Hj eu mudo a cor, o comprimento, o penteado.
No fundo eu queria mesmo era mudar por dentro...
Pintar o coração de verde, mas no momento,
Tal qual sinal q faz a gente ficar enfrente à faixa
A esperança continua lá... só q agora na versão vermelha...
Fechada.
Snow red power, Tomate, Rebelde...
Recentemente me chamaram de ruivinha... balancei a cabeça em negativa, mas dois ou três passos depois, dei risada.
Mudar é um processo complexo. Eu tenho mudado uma coisinha ou outra mas sempre me acho tão a mesma q, vez em qnd tenho certeza q... não mudou nada.
As pessoas mudam. As outras, todas. E é por isso q eu tb, qnd vou ver já mudei um pouco com essa mudança toda.
As pessoas de minha vida são como as tintas do meu cabelo q mudam a minha cara... Elas mexem na minha naturalidade sem alterar a raiz. E no fundo eu sou de uma cor q não existe. A pintura é uma tentativa de dar forma pra mostrar movimento...
Mas eu sou parada.
Vermelho-vinho na parte q era loura, vermelho-roxo na parte mais escura e vermelho-sangue na q era castanho-clara.
Houve uma época q mudava de e-mail, de telefone, casa. Hj eu mudo a cor, o comprimento, o penteado.
No fundo eu queria mesmo era mudar por dentro...
Pintar o coração de verde, mas no momento,
Tal qual sinal q faz a gente ficar enfrente à faixa
A esperança continua lá... só q agora na versão vermelha...
Fechada.
Snow red power, Tomate, Rebelde...
Recentemente me chamaram de ruivinha... balancei a cabeça em negativa, mas dois ou três passos depois, dei risada.
SMS de um P.S.
A blusa que eu usava qnd te abracei
Guardou um pouco do cheiro q vestia o teu peito...
Já não posso lavá-la, ao invés,
Cobri com ela a fronha do travesseiro sobre o qual me deito
E isso me dá a sensação que é a vc quem abraço qnd adormeço,
E q é sob o ninar dos teus lábios
Q repousa o meu beijo.
Snow, digitando pra deletar.
Guardou um pouco do cheiro q vestia o teu peito...
Já não posso lavá-la, ao invés,
Cobri com ela a fronha do travesseiro sobre o qual me deito
E isso me dá a sensação que é a vc quem abraço qnd adormeço,
E q é sob o ninar dos teus lábios
Q repousa o meu beijo.
Snow, digitando pra deletar.
terça-feira, março 04, 2008
Algo q achei lindo
Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
(Pablo Neruda)
Snow love Neruda.
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
(Pablo Neruda)
Snow love Neruda.
Trecho
Eu era um jovem louro e saudável quando adentrei a baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conheci Teresa. Ao ouvir cantar Teresa, caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, senti que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era o meu, e foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. No princípio ela até gostou, ficou lisonjeada quando lhe disse que estava escrevendo um livro nela.
Depois deu pra ter ciúmes, deu pra me recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou.
Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava pra escrever nelas e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a novas colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar as suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saíam da minha vida, e o meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou na minha cama e me ensinou a escrever de trás pra diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.
(Chico Buarque, trecho do livro "Budapeste")
Snow, recebido por e-mail de um amigo... q quer me incentivar a ser escritora.
Depois deu pra ter ciúmes, deu pra me recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou.
Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava pra escrever nelas e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a novas colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar as suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saíam da minha vida, e o meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou na minha cama e me ensinou a escrever de trás pra diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.
(Chico Buarque, trecho do livro "Budapeste")
Snow, recebido por e-mail de um amigo... q quer me incentivar a ser escritora.
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