Fiz exame de coração ontem.
Aqueles batimentos ali, no papel, não me disseram nada...
Pegarei o laudo na quarta:
Edifícil Vila Moreira, 5º andar.
Meu coração agora fica por aí,
Sem parada.
SnowFlake
sábado, abril 18, 2009
terça-feira, abril 14, 2009
Alta
Gosto de admirar a Psicologia vestida de seda e renda ir lentamente se despindo dos conceitos e ficar à meia-luz... Quase pura, quase pouca...
Ela me olha e é sob este encanto que sorrio...
Não sei se gosta de mim
Ou se o faz apenas para seu bel prazer
Mas é bom vê-la se mover
Sobre certos posicionamentos
Em geral rígidos
Mas que habilmente sabe desmanchar
Em líquidos...
Gosto de fazer carinho na Psicologia
Tocar de leve seus lábios, a pele...
Encostar minha alma cansada
À sua almazinha nua
Me acomodar no seu seio
Até adormecer...
Faça Sol ou faça Lua.
Sei que passaria com ela assim todos os dias de minha vida
Principalmente pela facilidade com que ela vem se sou eu quem chamo
Não posso negar o quanto é cômodo...
Mas acotece que não a amo.
Snow, encontrado no caderno do quarto semestre, fevereiro de 2009.
Ela me olha e é sob este encanto que sorrio...
Não sei se gosta de mim
Ou se o faz apenas para seu bel prazer
Mas é bom vê-la se mover
Sobre certos posicionamentos
Em geral rígidos
Mas que habilmente sabe desmanchar
Em líquidos...
Gosto de fazer carinho na Psicologia
Tocar de leve seus lábios, a pele...
Encostar minha alma cansada
À sua almazinha nua
Me acomodar no seu seio
Até adormecer...
Faça Sol ou faça Lua.
Sei que passaria com ela assim todos os dias de minha vida
Principalmente pela facilidade com que ela vem se sou eu quem chamo
Não posso negar o quanto é cômodo...
Mas acotece que não a amo.
Snow, encontrado no caderno do quarto semestre, fevereiro de 2009.
segunda-feira, abril 13, 2009
U tópico!
Corrijam-me , se eu tiver errado. Tendo em vista a quantidade de inscritos e o valor das inscrições de concursos, seria possível criar nosso próprio concurso. Não se trata de um concurso sem número de vagas e sem remuneração não. Pelo contrário, seria possível remunerção estável e, muito melhor, sem carga horária de expediente pra cumprir!! Levando em consideração o menor rendimento bancário que é o da poupança e gira em torno de 0,5%, o juros do montante arrecadado com o valor das inscrições daria pra cobrir perfeitamente a remuneração de certo número de candidatos classificados, retirando o custo com a elaboração do concurso.
Por exemplo, reunindo-nos em 150.000 candidatos, num valor de inscrição de 50 reais, teríamos uma receita de 7.500.000, sete milhões e quinhentos mil reais. O gasto com pessoal envolvido no trabalho de realização do concurso e aluguel de imóveis não ultrapassaria 200.000, duzentos mil reais. Significa que teríamos , em sobra 7.500.000 – 200.000=7.300.000, sete milhões e trezentos mil. Na poupança, teríamos rendimento mensal liquido de , no mínimo, 0,5%(7.300.000)=36.500, trinta e seis mil e quinhentos. Daria para oferecer 36 vagas de mil reais ou 18 de dois mil ou 9 de quatro mil reais mensais. Isso sem trabalhar um dia e sem impedimento de exercer outra profissão.
Se daria certo?- sim, basta nos pronunciarmos num processo democrático e requisitar ao Ministério Público, Federal ou Estadual, conforme destinação do concurso, revisão de todas as fases do processo do nosso concurso para garantir que os elaboradores da prova e os envolvidos no processo estejam agindo em acordo com o determinado, SEM FRAUDE!! Chega de ladroagem no País.
Sou Servidor Público, quem sabe assim não fica mais fácil de atentarem para o fato de que a remuneração do servidor está em desacordo com a realidade financeira.
TÓPICO: REVOLUÇÃO: NOSSO PRÓPIO CONCURSO
(Postado por Rjfera, no tópico do link do título.)
Snow, Brasil a forum.
Por exemplo, reunindo-nos em 150.000 candidatos, num valor de inscrição de 50 reais, teríamos uma receita de 7.500.000, sete milhões e quinhentos mil reais. O gasto com pessoal envolvido no trabalho de realização do concurso e aluguel de imóveis não ultrapassaria 200.000, duzentos mil reais. Significa que teríamos , em sobra 7.500.000 – 200.000=7.300.000, sete milhões e trezentos mil. Na poupança, teríamos rendimento mensal liquido de , no mínimo, 0,5%(7.300.000)=36.500, trinta e seis mil e quinhentos. Daria para oferecer 36 vagas de mil reais ou 18 de dois mil ou 9 de quatro mil reais mensais. Isso sem trabalhar um dia e sem impedimento de exercer outra profissão.
Se daria certo?- sim, basta nos pronunciarmos num processo democrático e requisitar ao Ministério Público, Federal ou Estadual, conforme destinação do concurso, revisão de todas as fases do processo do nosso concurso para garantir que os elaboradores da prova e os envolvidos no processo estejam agindo em acordo com o determinado, SEM FRAUDE!! Chega de ladroagem no País.
Sou Servidor Público, quem sabe assim não fica mais fácil de atentarem para o fato de que a remuneração do servidor está em desacordo com a realidade financeira.
TÓPICO: REVOLUÇÃO: NOSSO PRÓPIO CONCURSO
(Postado por Rjfera, no tópico do link do título.)
Snow, Brasil a forum.
sexta-feira, abril 10, 2009
Empate
Certa noite o sono e o desejo resolveram duelar.
Este por suas fantasias, aquele por seus sonhos.
E como, paradoxalmente, não se poderia esperar
(Porque essas coisas ninguém sabe como),
Armados apenas de olhos fechados e de beijos,
Assim sem mais nem menos,
Deu sono.
SnowFlake.
Este por suas fantasias, aquele por seus sonhos.
E como, paradoxalmente, não se poderia esperar
(Porque essas coisas ninguém sabe como),
Armados apenas de olhos fechados e de beijos,
Assim sem mais nem menos,
Deu sono.
SnowFlake.
quinta-feira, abril 09, 2009
Se os corpos mentem, que pensar das mentes?
Será que somos nós quem controlamos nosso pensamento?
Ou será o nosso pensamento que nos controla?
O humano tem pensamentos?
Ou o pensamento nos faz humanos?
Será que é porque eu quero?
Eu que já pensei tanto em não querer...
Que passei muito tempo pensando,
Pensando...
Em
Não
Querer...
Sei que até poderia não querer. Mas não sei se posso não pensar.
Uma forma de enganar o pensamento, adormecê-lo ao menos, é fazer coisas.
Fazer ajuda a pensar menos. Porque sobra menos tempo. Pensar exige tempo.
Fazer uma coisa após a outra evita que um único pensamento apenas povoe a mente todo o tempo. Porque a coisa que está sendo feita exige memória, usa o pensamento que sobra, força o pensamento, chama sua atenção. E embora nem sempre possua a consistência necessária para que seja gravada como memória permanente, enquanto está acontecendo requisita o corpo e a mente a fim emular-se, ao menos.
Mas não impede a latência do pensamento contrário.
O pensamento impresso na pele é quase hardware.
Nada impede latência alguma.
E pensamento é a latência da latência.
Aí então não bastaria fazer uma nova coisa somente, porque seria fazer uma coisa pensando em outra. Seria preciso fazer várias coisas cujo objetivo é dar um nó no pensamento. Travar. Obrigar a saturação. Forçar o reinicio. Já que não se pode formatar...
Pensar é essência, é o que os gregos chamavam “alma”.
Como no Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - que por sinal achei um filme confuso e ruim, apesar da idéia ser boa - pensar em não pensar é provar por absurdo a própria impossibilidade. A única coisa que ainda deixou este filme em minha memória foi a possibilidade remota dele ter sido “planejado” pra ser ruim. Para que numa metamensagem fosse possível entender que esquecer não é o ideal. Nem mesmo num filme.
Assim, supondo que todas as pessoas “normais” controlem seus pensamentos e que todas as pessoas “loucas” não controlem seus atos, e sendo o pensamento a substância mais incontrolável do elemento humano, eu deduzo com toda liberdade da incautez, que somos todos loucos tentado parecer normais. Que a loucura é o que há de mais natural. E que pensar diferente é insensatez.
Talvez eu enlouqueça.
Não sou de fazer loucuras, me acho centrada demais. Pensante demais. Controlada demais.
E isso tudo quem olha de longe vê. Mas quem chega perto se confunde.
Porque não raro confio em alguém a ponto de mostrar as nuances, a analogia dos meus atos digitais. E em tendo acesso às minhas circunstâncias oscilantes demais, me perdem de vista.
Engraçado que seja justamente por causa destas turbulentas circunstâncias que me considere tão inflexível. Como um barco que apesar das tempestades não naufragou ainda.
Isso de “vou deixar a vida me levar, vou esquecer de mim...” não róla comigo. Talvez porque não exista esse “lugar qualquer que não exista o pensamento...”, enfim.
Me ensinaram que é possível ressignificar. E me parece ser a única saída para o pensamento, a lembrança, a memória. Mas que pra isso é preciso querer. Quando a coisa por si só não se altera ou quando a mudança desta não provoca qualquer mudança na percepção do indivíduo.
É isso, tudo que eu penso é que não quero. Eu nunca quis, eu não queria... Eu não posso querer, eu não quereria. Em todos os tempos, modos, pessoas...
Mas talvez eu queira um dia.
Talvez aconteça como a sobreposição do tempo é: natural.
Ou talvez a alma, como muitos acreditam, seja imortal.
Snow, sobre o que não tem explicação.
Ou será o nosso pensamento que nos controla?
O humano tem pensamentos?
Ou o pensamento nos faz humanos?
Será que é porque eu quero?
Eu que já pensei tanto em não querer...
Que passei muito tempo pensando,
Pensando...
Em
Não
Querer...
Sei que até poderia não querer. Mas não sei se posso não pensar.
Uma forma de enganar o pensamento, adormecê-lo ao menos, é fazer coisas.
Fazer ajuda a pensar menos. Porque sobra menos tempo. Pensar exige tempo.
Fazer uma coisa após a outra evita que um único pensamento apenas povoe a mente todo o tempo. Porque a coisa que está sendo feita exige memória, usa o pensamento que sobra, força o pensamento, chama sua atenção. E embora nem sempre possua a consistência necessária para que seja gravada como memória permanente, enquanto está acontecendo requisita o corpo e a mente a fim emular-se, ao menos.
Mas não impede a latência do pensamento contrário.
O pensamento impresso na pele é quase hardware.
Nada impede latência alguma.
E pensamento é a latência da latência.
Aí então não bastaria fazer uma nova coisa somente, porque seria fazer uma coisa pensando em outra. Seria preciso fazer várias coisas cujo objetivo é dar um nó no pensamento. Travar. Obrigar a saturação. Forçar o reinicio. Já que não se pode formatar...
Pensar é essência, é o que os gregos chamavam “alma”.
Como no Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - que por sinal achei um filme confuso e ruim, apesar da idéia ser boa - pensar em não pensar é provar por absurdo a própria impossibilidade. A única coisa que ainda deixou este filme em minha memória foi a possibilidade remota dele ter sido “planejado” pra ser ruim. Para que numa metamensagem fosse possível entender que esquecer não é o ideal. Nem mesmo num filme.
Assim, supondo que todas as pessoas “normais” controlem seus pensamentos e que todas as pessoas “loucas” não controlem seus atos, e sendo o pensamento a substância mais incontrolável do elemento humano, eu deduzo com toda liberdade da incautez, que somos todos loucos tentado parecer normais. Que a loucura é o que há de mais natural. E que pensar diferente é insensatez.
Talvez eu enlouqueça.
Não sou de fazer loucuras, me acho centrada demais. Pensante demais. Controlada demais.
E isso tudo quem olha de longe vê. Mas quem chega perto se confunde.
Porque não raro confio em alguém a ponto de mostrar as nuances, a analogia dos meus atos digitais. E em tendo acesso às minhas circunstâncias oscilantes demais, me perdem de vista.
Engraçado que seja justamente por causa destas turbulentas circunstâncias que me considere tão inflexível. Como um barco que apesar das tempestades não naufragou ainda.
Isso de “vou deixar a vida me levar, vou esquecer de mim...” não róla comigo. Talvez porque não exista esse “lugar qualquer que não exista o pensamento...”, enfim.
Me ensinaram que é possível ressignificar. E me parece ser a única saída para o pensamento, a lembrança, a memória. Mas que pra isso é preciso querer. Quando a coisa por si só não se altera ou quando a mudança desta não provoca qualquer mudança na percepção do indivíduo.
É isso, tudo que eu penso é que não quero. Eu nunca quis, eu não queria... Eu não posso querer, eu não quereria. Em todos os tempos, modos, pessoas...
Mas talvez eu queira um dia.
Talvez aconteça como a sobreposição do tempo é: natural.
Ou talvez a alma, como muitos acreditam, seja imortal.
Snow, sobre o que não tem explicação.
quarta-feira, abril 08, 2009
Controle remoto
"Aê, olha essa imagem aê! Eu quero essa imagem! Vejam!!! Esse cidadão que tá chutando ele aí é um policial."
(...)
Pessoal do MP, galera dos DHs, se liguem! Tudo tem que ter limites. Eu não só não consigo mais ligar a tv como também já ando assustada quando passo perto de uma ligada.
Snow, restaurante fuleirinho (só podia), hora em que fui almoçar, alguém acha de ligar...
P.S. Outro dia, mesmo restaurante, mesmo horário e programa, passaram a imagem do corpo de um rapaz sendo resgatado de um lugar onde estava caído. O corpo arrastado, o rosto arranhando no chão.
Se ainda tivesse vivo a gente pensava: "Não, o cara a qualquer momento vai levantar, vai dar um murro nessa galera, vai se defender, vai processar esse pessoal todo!".
Mas acontece que tava morto...
(...)
Pessoal do MP, galera dos DHs, se liguem! Tudo tem que ter limites. Eu não só não consigo mais ligar a tv como também já ando assustada quando passo perto de uma ligada.
Snow, restaurante fuleirinho (só podia), hora em que fui almoçar, alguém acha de ligar...
P.S. Outro dia, mesmo restaurante, mesmo horário e programa, passaram a imagem do corpo de um rapaz sendo resgatado de um lugar onde estava caído. O corpo arrastado, o rosto arranhando no chão.
Se ainda tivesse vivo a gente pensava: "Não, o cara a qualquer momento vai levantar, vai dar um murro nessa galera, vai se defender, vai processar esse pessoal todo!".
Mas acontece que tava morto...
Curiosidades sobre Cerveja
1. A CERVEJA MATA ?
Sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com garrafas cheias.
Anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão levando-o a morte instantânea.
Além disso, casos de infarto do miocárdio em idosos teriam sido associados as propagandas de cervejas com modelos boazudas.
2. O USO CONTINUO DO ÁLCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS ?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.
3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA ?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.
4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO ?
Sim. Está provado que na blitz a polícia nunca pede o teste do bafômetro pras gestantes. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta, sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.
5. CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS ?
Não. Uma experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dada uma caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.
6. A BEBIDA ENVELHECE ?
Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.
7. A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR ?
Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas com a venda de cerveja nas cantinas e bares na esquina.
8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES ?
Inúmeras pesquisas vinham sendo feitas por laboratórios de renome e todas indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.
9. CERVEJA ENGORDA ?
Não. Quem engorda é você.
10. A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA ?
Que eu me lembre, não.
(Snow encontrou esse texto passeando no link do título. :))
Sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com garrafas cheias.
Anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão levando-o a morte instantânea.
Além disso, casos de infarto do miocárdio em idosos teriam sido associados as propagandas de cervejas com modelos boazudas.
2. O USO CONTINUO DO ÁLCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS ?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.
3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA ?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.
4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO ?
Sim. Está provado que na blitz a polícia nunca pede o teste do bafômetro pras gestantes. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta, sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.
5. CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS ?
Não. Uma experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dada uma caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.
6. A BEBIDA ENVELHECE ?
Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.
7. A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR ?
Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas com a venda de cerveja nas cantinas e bares na esquina.
8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES ?
Inúmeras pesquisas vinham sendo feitas por laboratórios de renome e todas indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.
9. CERVEJA ENGORDA ?
Não. Quem engorda é você.
10. A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA ?
Que eu me lembre, não.
(Snow encontrou esse texto passeando no link do título. :))
sexta-feira, março 27, 2009
Vidas Secas
O filme parece tão árduo quanto o livro. Quanto algumas vezes adversa é a vida.
É em preto e branco como o livro. Como algumas vezes passa a vida.
E Graciciano que era Ramos mais pareceu Espinhos...
Baleia morreu de tudo um pouco. Sobrou bem menos mérito pro tiro.
E o disparo seco, o cheiro seco, o uivo seco e o sangue negro demoraram quase o mesmo tempo na retina que os dias que levei pra ler o livro.
Depois de ir à geladeira e tentar abrir o vinho comprado tinto, de mesa, a constatação de que, sem saca-rolhas, seria impossível.
Ele fora escolhido pela cor do líquido, pela garrafa mais bonita e também por, dentre as que havia, ter sido a mais cara acessível.
Achei que o rótulo não precisaria ser bem lido. Na minha imaginação sobre vinhos a idéia de que ficam tanto melhores quanto mais envelhecidos era predominante. De forma que procurar pela validade me pareceu ridículo.
Mas houve o filme, o sol, a seca...
Pensei em trocar, mas depois de quase esbagaçar o lacre, entendi o quanto era tarde...
Madrugada. Esse não era bem o final desejado. Depois que todos vão embora, a cena parece pela metade.
O desejo pelo vinho, seco, morreu ali.
E eu queria apenas que tivesse sido suave...
Snow. Sobre safra, sobre cifra, sobre sofrer.
É em preto e branco como o livro. Como algumas vezes passa a vida.
E Graciciano que era Ramos mais pareceu Espinhos...
Baleia morreu de tudo um pouco. Sobrou bem menos mérito pro tiro.
E o disparo seco, o cheiro seco, o uivo seco e o sangue negro demoraram quase o mesmo tempo na retina que os dias que levei pra ler o livro.
Depois de ir à geladeira e tentar abrir o vinho comprado tinto, de mesa, a constatação de que, sem saca-rolhas, seria impossível.
Ele fora escolhido pela cor do líquido, pela garrafa mais bonita e também por, dentre as que havia, ter sido a mais cara acessível.
Achei que o rótulo não precisaria ser bem lido. Na minha imaginação sobre vinhos a idéia de que ficam tanto melhores quanto mais envelhecidos era predominante. De forma que procurar pela validade me pareceu ridículo.
Mas houve o filme, o sol, a seca...
Pensei em trocar, mas depois de quase esbagaçar o lacre, entendi o quanto era tarde...
Madrugada. Esse não era bem o final desejado. Depois que todos vão embora, a cena parece pela metade.
O desejo pelo vinho, seco, morreu ali.
E eu queria apenas que tivesse sido suave...
Snow. Sobre safra, sobre cifra, sobre sofrer.
quarta-feira, março 25, 2009
Ela...
É bom sentir-se bem... É bom demais, sabe?
O problema de estar bem é que a escrita fica desacreditada, desfigurada, sem rumo... por vezes, sem palavras.
O bom é muitas vezes bobo. Sem próposito, sem intenção, sem parada. O bom é quando não se sabe quando é que acaba. (Porque é ruim demais quando o bom tem hora e data marcada.)
Bom é mudar alguma coisa do lugar, mudar o lugar das coisas, ver as coisas boas seguirem seu rumo no mesmo lugar, sempre pra frente... Bom é progredir, ver que algumas coisas não são mais da maneira que eram, que algumas estão mudando, que outras de certa forma já mudaram.
É bom até quando não se está contente com o bom, só porque é certo que melhora.
E vai tudo melhorar com o tempo...
Isso inquietava, sabe?
Queria mesmo algo que quanto mais o tempo passasse melhor ficasse. O tempo angustiava desde os tempos de menina. (Os mais jovens têm realmente essa inquietude quanto aos seus rumos, seus destinos, seus aprendizados.). Nisso, os mais velhos têm calma.
É bom comer uma fruta boa...
Um cestinha de jambo, uma manga madura, abacate ao leite, uva sem caroço, um cacho...
Bom maquiar com calma, o cheiro bom de cosmético, o perfume bom, importado...
Bom andar descalça pela casa depois de um dia sobre o salto. Um banho de chuveiro quente, oléo de banho, a tolha felpuda, cama macia e uma noite inteira para ser descansada...
Comprou um hidratante novo, um ultra-hidratante em forma de pomada. E este realmente faz mais do que promete, nossa! Ele escorrega pela pele, ela absorve, ele perfuma, ela desliza, ele amacia, ela hidrata, ele entra! Ui! Se ela não tiver cuidado, ele trata!
Às vezes tá tudo tão bom que, sinceramente, não precisaria mexer em mais nada.
Mas frequentemente a alma tem saído voando pela janela do quarto... Porque recentemente tem descoberto que muito do que é bom é possível, é palpável... por vezes, inevitável.
Assim, o que foi bom ontem pode ser incrementado. O que foi bom instantes atrás pode ser repetido, e com sabor realçado.
Mais aí fica tudo tão bom, tão massa, tão extremamente agradável, que não se sabe porquê a almazinha assustada deixa o corpo e sai com tudo, como se escorraçada.
O corpo então em riste fica agonizando vazio, tremendo murcho, abraçando o travesseiro, puxando o lençol em transe, o peito arfando, os lábios apertados, as mãos comprimindo a vida, os braços que se auto-agarram, flagelados...
E é nessas horas que chora...
Desesperada.
Deve ser porque tudo o que é bom mesmo nessa vida fica bem melhor se está acompanhada. E só é bom mesmo, de verdade, aquilo que tem alma.
Snow, amêndoas, colágeno, mel, almíscar, música, geléia, vinho, ventinho bom, luz fraca... e lágrimas.
O problema de estar bem é que a escrita fica desacreditada, desfigurada, sem rumo... por vezes, sem palavras.
O bom é muitas vezes bobo. Sem próposito, sem intenção, sem parada. O bom é quando não se sabe quando é que acaba. (Porque é ruim demais quando o bom tem hora e data marcada.)
Bom é mudar alguma coisa do lugar, mudar o lugar das coisas, ver as coisas boas seguirem seu rumo no mesmo lugar, sempre pra frente... Bom é progredir, ver que algumas coisas não são mais da maneira que eram, que algumas estão mudando, que outras de certa forma já mudaram.
É bom até quando não se está contente com o bom, só porque é certo que melhora.
E vai tudo melhorar com o tempo...
Isso inquietava, sabe?
Queria mesmo algo que quanto mais o tempo passasse melhor ficasse. O tempo angustiava desde os tempos de menina. (Os mais jovens têm realmente essa inquietude quanto aos seus rumos, seus destinos, seus aprendizados.). Nisso, os mais velhos têm calma.
É bom comer uma fruta boa...
Um cestinha de jambo, uma manga madura, abacate ao leite, uva sem caroço, um cacho...
Bom maquiar com calma, o cheiro bom de cosmético, o perfume bom, importado...
Bom andar descalça pela casa depois de um dia sobre o salto. Um banho de chuveiro quente, oléo de banho, a tolha felpuda, cama macia e uma noite inteira para ser descansada...
Comprou um hidratante novo, um ultra-hidratante em forma de pomada. E este realmente faz mais do que promete, nossa! Ele escorrega pela pele, ela absorve, ele perfuma, ela desliza, ele amacia, ela hidrata, ele entra! Ui! Se ela não tiver cuidado, ele trata!
Às vezes tá tudo tão bom que, sinceramente, não precisaria mexer em mais nada.
Mas frequentemente a alma tem saído voando pela janela do quarto... Porque recentemente tem descoberto que muito do que é bom é possível, é palpável... por vezes, inevitável.
Assim, o que foi bom ontem pode ser incrementado. O que foi bom instantes atrás pode ser repetido, e com sabor realçado.
Mais aí fica tudo tão bom, tão massa, tão extremamente agradável, que não se sabe porquê a almazinha assustada deixa o corpo e sai com tudo, como se escorraçada.
O corpo então em riste fica agonizando vazio, tremendo murcho, abraçando o travesseiro, puxando o lençol em transe, o peito arfando, os lábios apertados, as mãos comprimindo a vida, os braços que se auto-agarram, flagelados...
E é nessas horas que chora...
Desesperada.
Deve ser porque tudo o que é bom mesmo nessa vida fica bem melhor se está acompanhada. E só é bom mesmo, de verdade, aquilo que tem alma.
Snow, amêndoas, colágeno, mel, almíscar, música, geléia, vinho, ventinho bom, luz fraca... e lágrimas.
sexta-feira, março 13, 2009
Encerrando Ciclos
"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração, e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa, nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era... e se transforme em quem vc é!"
(*)
P.S. Esse texto circula na internet atribuído a Fernando Pessoa. Li tb que Paulo Coelho traduziu da psicóloga colombiana Sonia Hurtado e assumiu a autoria, mas ela o processou por plágio. Enfim, não investiguei isso a fundo ainda.
Me parece um texto de auto-ajuda e eu tb não sei até que ponto não auto-atrapalha, já que cada ser tem seu momento de passar as coisas adiante e, de certa forma, forçar alguém a dar um passo que ele ainda não alcansa só pq esse passo precisa ser dado, ainda pode resultar numa queda com consequências maiores.
...
Sempre ouço o mesmo disco por semanas e mesmo assim não é garantia que aprenderei as músicas. E, aprendendo ou não, se ouvi por tanto tempo, é certo que não o jogarei fora.
Minha mãe ainda guarda o meu primeiro vestidinho...
Eu ainda tenho bonecas das quais nunca me desfiz.
Visualiso duas formas das coisas acontecerem, ambas com suas vantagens e problemas:
Uma, de dentro pra fora, onde vc muda e as coisas ao seu redor não precisam ser alterdas, pq vc já as percebe diferentes.
Outra, de fora pra dentro, as coisas mudam, e vc tb. As coisas te enquadram numa situação diferente e vc não pode ter mais a visão antiga sobre elas, nem sobre si mesmo.
É claro que é muito mais fácil imaginar que alguém que perdeu uma perna deseja aprender a andar de moletas do que pensar que alguém que quer aprender a andar de moletas deseja cortar uma perna. Mas muitas vezes é assim que a gente age e assim que a vida acontece. (Vide o filho que se acha crescido, quer ser independente, e despreza os ensinamentos dos mais velhos.).
...
Acredito que já vivi o bastante pra aceitar que a maneira como cada um se desenvolve não é uma questão de opção volitiva. Assim, às vezes vc escolhe os caminhos, às vezes é escolhido pelas circunstancias e, às vezes não faz diferença nenhuma. Estou começando a pensar sobre a moldagem do tempo...
A semente, o embrião, a planta, a fruta verde, a fruta madura, a fruta podre, a semente...
Cada etapa com seu brilho, seu cheiro, seu gosto, seu viço...
Crianças agem como crianças em qualquer lugar do mundo. Adolescentes, velhos...
Um dia o tempo passa e a gente entende que acabou. Essa frase me parece mais lógica, mas natural que "um dia a gente entende que acabou e aí então o tempo passa"...
Embora possa ser que o tempo passe... e ainda assim a gente não entenda.
Embora tb, tão logo a gente entende, nos damos conta de que já passou um tempão.
É por isso que há amores que nunca serão resolvidos.
Há desejos que não serão satisfeitos.
Há etapas das quais a gente não sai. Outras, pelas quais nem se passa.
Há feridas que não cicratizarão... Há cortes que realmente matam.
Há velhos que morrerão adolescentes...
Só o tempo realmente acaba.´
Seja lá o que quer que se faça.
Snow, auto-não-auto.
P.S. Falta reler, falta reeditar.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração, e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa, nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era... e se transforme em quem vc é!"
(*)
P.S. Esse texto circula na internet atribuído a Fernando Pessoa. Li tb que Paulo Coelho traduziu da psicóloga colombiana Sonia Hurtado e assumiu a autoria, mas ela o processou por plágio. Enfim, não investiguei isso a fundo ainda.
Me parece um texto de auto-ajuda e eu tb não sei até que ponto não auto-atrapalha, já que cada ser tem seu momento de passar as coisas adiante e, de certa forma, forçar alguém a dar um passo que ele ainda não alcansa só pq esse passo precisa ser dado, ainda pode resultar numa queda com consequências maiores.
...
Sempre ouço o mesmo disco por semanas e mesmo assim não é garantia que aprenderei as músicas. E, aprendendo ou não, se ouvi por tanto tempo, é certo que não o jogarei fora.
Minha mãe ainda guarda o meu primeiro vestidinho...
Eu ainda tenho bonecas das quais nunca me desfiz.
Visualiso duas formas das coisas acontecerem, ambas com suas vantagens e problemas:
Uma, de dentro pra fora, onde vc muda e as coisas ao seu redor não precisam ser alterdas, pq vc já as percebe diferentes.
Outra, de fora pra dentro, as coisas mudam, e vc tb. As coisas te enquadram numa situação diferente e vc não pode ter mais a visão antiga sobre elas, nem sobre si mesmo.
É claro que é muito mais fácil imaginar que alguém que perdeu uma perna deseja aprender a andar de moletas do que pensar que alguém que quer aprender a andar de moletas deseja cortar uma perna. Mas muitas vezes é assim que a gente age e assim que a vida acontece. (Vide o filho que se acha crescido, quer ser independente, e despreza os ensinamentos dos mais velhos.).
...
Acredito que já vivi o bastante pra aceitar que a maneira como cada um se desenvolve não é uma questão de opção volitiva. Assim, às vezes vc escolhe os caminhos, às vezes é escolhido pelas circunstancias e, às vezes não faz diferença nenhuma. Estou começando a pensar sobre a moldagem do tempo...
A semente, o embrião, a planta, a fruta verde, a fruta madura, a fruta podre, a semente...
Cada etapa com seu brilho, seu cheiro, seu gosto, seu viço...
Crianças agem como crianças em qualquer lugar do mundo. Adolescentes, velhos...
Um dia o tempo passa e a gente entende que acabou. Essa frase me parece mais lógica, mas natural que "um dia a gente entende que acabou e aí então o tempo passa"...
Embora possa ser que o tempo passe... e ainda assim a gente não entenda.
Embora tb, tão logo a gente entende, nos damos conta de que já passou um tempão.
É por isso que há amores que nunca serão resolvidos.
Há desejos que não serão satisfeitos.
Há etapas das quais a gente não sai. Outras, pelas quais nem se passa.
Há feridas que não cicratizarão... Há cortes que realmente matam.
Há velhos que morrerão adolescentes...
Só o tempo realmente acaba.´
Seja lá o que quer que se faça.
Snow, auto-não-auto.
P.S. Falta reler, falta reeditar.
quarta-feira, março 11, 2009
Efeitos
O ruim de assistir a filmes antigos é que, se já é difícil conversar com alguém que assistiu ao mesmo filme qualquer que seja, se torna então mais raro encontrar quem tenha visto um que passou na tv há muito tempo. Caso esse ser seja encontrado, mas difícil ainda será se lembrar de alguma ideia ou impressão que este lhe tenha causado para que a conversa pareça mesmo uma conversa.
Mas há alguns filmes que desejei por anos assistir e que agora reclamam com certo egocentrismo a sua vez em minha vida. Alguns, com toda razão. Então lhes concedo o prazer de me provocar as emoções que nem sei se antes seriam as mesmas.
Deitada aqui em minha cama, sozinha, sem frio ou calor, banhada apenas pela luz da tela, as emoções podem ser hoje como não seriam jamais nos tempos dos furtivos flash de madrugada, enquanto todos dormiam, sem áudio pra não chamar àtenção a ponto de ser convidada a desligar e ir dormir, adivinhando os sons ou observando as legendas na tela... Essa era a maneira mais adequada que encontrava de assistir a um filme no início da adolescência...
Fora isto, mesmo a sessão da tarde me constrangia a ir beber água ou ir ao banheiro, fosse nas inevitáveis cenas mais calientes ou nos encontros de natureza humana capazes emocionar. Já que, por algum dos muitos motivos de família, não me emocionava em família. Ainda que para tanto fosse preciso evitar qualquer contato com a emoção ou repeli-la diante da eminência.
De dentro dessa subjetividade, meus olhinhos optaram por não assistir mais filmes até que fosse possível, se um dia pudesse.
Quando tomei essa decisão jamais imaginava que haveria algum tempo onde se pudesse ter quase que qualquer coisa exibida no cinema ou na tv num arquivo ao alcance de um clique. Pois é...
Assisti Tomates Verdes Fritos.
E Ao Mestre com Carinho.
Nove e meia semanas de amor.
O Xangô de Backstreet.
O Fabuloso Destino de Amelie Poulain...
O Céu de Suely.
***
Assisti Crepúsculo essa madrugada.
Depois de quase 3 meses tentando vencer o medo de ver sozinha.
Foi bom. Quer dizer, podia ter sido melhor, apesar de que ainda nem acabou.
É... A versão que peguei tenho desde a primeira semana de estréia, dublada. O som não tá legal. Demorou um tempo até que entendesse que poderia baixar uma legenda. Demorou mais ainda até aprender a fazê-la funcionar. Depois tive que usar os conhecimentos desse meio tempo aprendendo a usar o subrip - um programa cuja função é transformar formatos e editar legendas, mas que só uso mesmo pra sincronizar - quando quem ripou o filme não é a mesma pessoa que juntou com a legenda, essas assincronias. Bom, gostaria de ter certeza de que não estou falando muita besteira, mas no momento, não é possível. É tudo novidade ainda.
Quase no final do filme a legenda atrasou novamente e como a esta altura eu já tinha entendido que não havia nada que pudesse temer, só parei de tentar resolver quando o tempo do número de tentativas excedeu ao tempo que faltava pro filme acabar...
(E também, por já estar amanhecendo, achei que seria um certo desrespeito ao filme se o permitisse acabar em plena luz do dia.).
O filme é bom. Eu achei bom. Fazia tempo que tava querendo ver um romancezinho adolescente que ainda conservasse o encanto dos sonhos adolescentes... E este está cheio disso. Lindo. Às vezes os próprios personagens duvidam que possa haver tal realidade. Um mundo à parte. E eu me sinto evasiva e cheia de pensamentos incontinentes como há uns 15 anos atrás...
Não queria estar falando de filmes em públco. Não tô pronta pra fazer crítica em nenhum sentido e, sinceramente, sinto falta do tempo em que meu blog era menos frequentado. (Que por favor não se ofendam os desavisados, eu não quis ser tão sincera. Mas a verdade é que me sentia um pouco mais segura, antes.).
Eu tenho medo do Google. Medo de que algum desconhecido digite lá a palavra crepúsculo e tropece em coisas que não são o que ele procura. Por sorte o nome do filme é bastante comum em nossa língua, mas de certo não me arriscaria a escrever tantas vezes a expressão “Slumdog Millionaire”.
No mais, vou repetir porque é importante pra mim, o filme não assusta. Medo eu senti foi de Amarelo Manga! Rs. Quase não durmo.
Não me arrependo de não ter ido ver no cinema porque o achei assim, bonito. E cinema é frio, distante, às vezes barulhento, por demais escuro... (Ou pelo menos é assim que o imagino sem companhia). E coisas bonitas eu gosto de ver em outra situação climática.
É verdade que neste momento os meus cotovelos doem bastante. É um tipo de efeito colateral desse modelo de comunicação que vem dormindo comigo. E tem outros efeitos mais. Dia desses adormeci segurando o modem. Acodei com os dedinhos vermelhos, a mão queimada. Não chega a ser um incêncio e tal, mas esquenta bastante as minhas noites e, mesmo tendo certeza que não gosto de ventilador, às vezes, é necessário.
Queria ter visto o final...
Como no início ela começa falando que apesar de não pensar sobre a morte, acredita que uma bela forma de morrer seja morrer por alguém a quem se ame, não faço idéia se irão poupá-la. Sei que personagens são coisas em que a gente não deve se apegar. Porque tudo pode acontecer a eles - mesmo o que não nos acontece há tempos.
Hoje à tarde irei baixar uma legenda nova ou continuar a tentativa de concertar esta, ao menos só pra ver. Depois vou começar a baixar uma versão mais limpa pra gravar na mídia. Preciso arquivar algumas coisas, limpar, liberar uns 80 gigas.
Eu queria muito que os dia passassem depressa. Estou um pouco sem paciência, ansiosa, intranquila.
Semana passada meu sobrinho me confessou que queria que já fosse dia.
“Eu não gosto muito de dormir, titia.”
É verdade... Oito anos, eu pensei, é muito diferente de trinta.
Não tive a mesma coragem e não lhe contei que queria mesmo era que não amanhecesse por uns longos dias.
Queria ter mais tempo pra planejar minha vida.
Snow, sobre peles e películas.
Mas há alguns filmes que desejei por anos assistir e que agora reclamam com certo egocentrismo a sua vez em minha vida. Alguns, com toda razão. Então lhes concedo o prazer de me provocar as emoções que nem sei se antes seriam as mesmas.
Deitada aqui em minha cama, sozinha, sem frio ou calor, banhada apenas pela luz da tela, as emoções podem ser hoje como não seriam jamais nos tempos dos furtivos flash de madrugada, enquanto todos dormiam, sem áudio pra não chamar àtenção a ponto de ser convidada a desligar e ir dormir, adivinhando os sons ou observando as legendas na tela... Essa era a maneira mais adequada que encontrava de assistir a um filme no início da adolescência...
Fora isto, mesmo a sessão da tarde me constrangia a ir beber água ou ir ao banheiro, fosse nas inevitáveis cenas mais calientes ou nos encontros de natureza humana capazes emocionar. Já que, por algum dos muitos motivos de família, não me emocionava em família. Ainda que para tanto fosse preciso evitar qualquer contato com a emoção ou repeli-la diante da eminência.
De dentro dessa subjetividade, meus olhinhos optaram por não assistir mais filmes até que fosse possível, se um dia pudesse.
Quando tomei essa decisão jamais imaginava que haveria algum tempo onde se pudesse ter quase que qualquer coisa exibida no cinema ou na tv num arquivo ao alcance de um clique. Pois é...
Assisti Tomates Verdes Fritos.
E Ao Mestre com Carinho.
Nove e meia semanas de amor.
O Xangô de Backstreet.
O Fabuloso Destino de Amelie Poulain...
O Céu de Suely.
***
Assisti Crepúsculo essa madrugada.
Depois de quase 3 meses tentando vencer o medo de ver sozinha.
Foi bom. Quer dizer, podia ter sido melhor, apesar de que ainda nem acabou.
É... A versão que peguei tenho desde a primeira semana de estréia, dublada. O som não tá legal. Demorou um tempo até que entendesse que poderia baixar uma legenda. Demorou mais ainda até aprender a fazê-la funcionar. Depois tive que usar os conhecimentos desse meio tempo aprendendo a usar o subrip - um programa cuja função é transformar formatos e editar legendas, mas que só uso mesmo pra sincronizar - quando quem ripou o filme não é a mesma pessoa que juntou com a legenda, essas assincronias. Bom, gostaria de ter certeza de que não estou falando muita besteira, mas no momento, não é possível. É tudo novidade ainda.
Quase no final do filme a legenda atrasou novamente e como a esta altura eu já tinha entendido que não havia nada que pudesse temer, só parei de tentar resolver quando o tempo do número de tentativas excedeu ao tempo que faltava pro filme acabar...
(E também, por já estar amanhecendo, achei que seria um certo desrespeito ao filme se o permitisse acabar em plena luz do dia.).
O filme é bom. Eu achei bom. Fazia tempo que tava querendo ver um romancezinho adolescente que ainda conservasse o encanto dos sonhos adolescentes... E este está cheio disso. Lindo. Às vezes os próprios personagens duvidam que possa haver tal realidade. Um mundo à parte. E eu me sinto evasiva e cheia de pensamentos incontinentes como há uns 15 anos atrás...
Não queria estar falando de filmes em públco. Não tô pronta pra fazer crítica em nenhum sentido e, sinceramente, sinto falta do tempo em que meu blog era menos frequentado. (Que por favor não se ofendam os desavisados, eu não quis ser tão sincera. Mas a verdade é que me sentia um pouco mais segura, antes.).
Eu tenho medo do Google. Medo de que algum desconhecido digite lá a palavra crepúsculo e tropece em coisas que não são o que ele procura. Por sorte o nome do filme é bastante comum em nossa língua, mas de certo não me arriscaria a escrever tantas vezes a expressão “Slumdog Millionaire”.
No mais, vou repetir porque é importante pra mim, o filme não assusta. Medo eu senti foi de Amarelo Manga! Rs. Quase não durmo.
Não me arrependo de não ter ido ver no cinema porque o achei assim, bonito. E cinema é frio, distante, às vezes barulhento, por demais escuro... (Ou pelo menos é assim que o imagino sem companhia). E coisas bonitas eu gosto de ver em outra situação climática.
É verdade que neste momento os meus cotovelos doem bastante. É um tipo de efeito colateral desse modelo de comunicação que vem dormindo comigo. E tem outros efeitos mais. Dia desses adormeci segurando o modem. Acodei com os dedinhos vermelhos, a mão queimada. Não chega a ser um incêncio e tal, mas esquenta bastante as minhas noites e, mesmo tendo certeza que não gosto de ventilador, às vezes, é necessário.
Queria ter visto o final...
Como no início ela começa falando que apesar de não pensar sobre a morte, acredita que uma bela forma de morrer seja morrer por alguém a quem se ame, não faço idéia se irão poupá-la. Sei que personagens são coisas em que a gente não deve se apegar. Porque tudo pode acontecer a eles - mesmo o que não nos acontece há tempos.
Hoje à tarde irei baixar uma legenda nova ou continuar a tentativa de concertar esta, ao menos só pra ver. Depois vou começar a baixar uma versão mais limpa pra gravar na mídia. Preciso arquivar algumas coisas, limpar, liberar uns 80 gigas.
Eu queria muito que os dia passassem depressa. Estou um pouco sem paciência, ansiosa, intranquila.
Semana passada meu sobrinho me confessou que queria que já fosse dia.
“Eu não gosto muito de dormir, titia.”
É verdade... Oito anos, eu pensei, é muito diferente de trinta.
Não tive a mesma coragem e não lhe contei que queria mesmo era que não amanhecesse por uns longos dias.
Queria ter mais tempo pra planejar minha vida.
Snow, sobre peles e películas.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Pequenos reflexos dos programas jornalísticos policiais da televisão de Salvador da atualidade do horário do inicío da tarde
- Minha tia, Zanza disse que ia dar UM MURRO nas costas do filho dela que ele ia ficar TODO TUBERCULOSO!
Eu pensei: isso não é mais um murro, é um PIPOCO de DOZE!!!
- :|
***
- Minha tia, por quê a senhora não coloca no seu celular: "SOCORRO! MEU DEUS! EU NÃO QUERO MORRERRRRR!!!!!!!!"
- :|
***
- Minha tia, a senhora sabe que o sistema é BRUTO?!
- :|
***
Snow, :|
Eu pensei: isso não é mais um murro, é um PIPOCO de DOZE!!!
- :|
***
- Minha tia, por quê a senhora não coloca no seu celular: "SOCORRO! MEU DEUS! EU NÃO QUERO MORRERRRRR!!!!!!!!"
- :|
***
- Minha tia, a senhora sabe que o sistema é BRUTO?!
- :|
***
Snow, :|
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Mini manual de perguntas e respostas
- Titia, por quê a gente não pode ir agora?
- Porque tá chovendo.
- E por quê a gente não pega o guarda-chuva?
- Porque o violão não pode tomar chuva.
- Titia, quando a senhora comprou o violão a senhora comprou também o saco do violão?
- Comprei.
- Então por quê a senhora não bota o violão no saco dele e a gente pega o guarda-chuva?
- Essa é uma boa idéia. Mas eu não sei mas aonde tá e mesmo que achasse, eu acho que o violão não pode tomar chuva nem na capa, nem no saco e nem na sombrinha.
- Mas então a gente vai ter que ficar aqui esperando a chuva passar?!?
- CLARO! Ou você quer que A CHUVA espere A GENTE passar!?!
***
- Titia, por quê o cachorro não pára de balançar o rabo?
- Primeiro porque o cachorro TEM rabo.
E depois porque o rabo não pode balançar o cachorro.
Mas, principalmente, porque se o cachorro não balançar o rabo então o rabo já balança sozinho, aí pra evitar isso o cachorro balança ele logo.
***
- Titia, o que significa "suspeitei desde o princípio"?
- Significa que você tá assistindo o DVD do Chapolin que eu lhe dei.
E significa que desde o princípio ele suspeitou.
***
- Titia, olha esse monstro aqui parece com um dinossauro!
- Porque ele é um monstrossauro.
- E titia, olha esse cavalo aqui é bonito!
- Tô vendo, é bonito mesmo.
...
- Você pensou que eu ia dizer que era um cavalossauro, não é?
- :)
- Mas eu não disse.
***
- Titia, por que a senhora não trabalha num circo?
- !
***
Moral da história: Se você não pode com a criança, junte-se a ela.
Snow, de bolso.
- Porque tá chovendo.
- E por quê a gente não pega o guarda-chuva?
- Porque o violão não pode tomar chuva.
- Titia, quando a senhora comprou o violão a senhora comprou também o saco do violão?
- Comprei.
- Então por quê a senhora não bota o violão no saco dele e a gente pega o guarda-chuva?
- Essa é uma boa idéia. Mas eu não sei mas aonde tá e mesmo que achasse, eu acho que o violão não pode tomar chuva nem na capa, nem no saco e nem na sombrinha.
- Mas então a gente vai ter que ficar aqui esperando a chuva passar?!?
- CLARO! Ou você quer que A CHUVA espere A GENTE passar!?!
***
- Titia, por quê o cachorro não pára de balançar o rabo?
- Primeiro porque o cachorro TEM rabo.
E depois porque o rabo não pode balançar o cachorro.
Mas, principalmente, porque se o cachorro não balançar o rabo então o rabo já balança sozinho, aí pra evitar isso o cachorro balança ele logo.
***
- Titia, o que significa "suspeitei desde o princípio"?
- Significa que você tá assistindo o DVD do Chapolin que eu lhe dei.
E significa que desde o princípio ele suspeitou.
***
- Titia, olha esse monstro aqui parece com um dinossauro!
- Porque ele é um monstrossauro.
- E titia, olha esse cavalo aqui é bonito!
- Tô vendo, é bonito mesmo.
...
- Você pensou que eu ia dizer que era um cavalossauro, não é?
- :)
- Mas eu não disse.
***
- Titia, por que a senhora não trabalha num circo?
- !
***
Moral da história: Se você não pode com a criança, junte-se a ela.
Snow, de bolso.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Uma saudade viva encontra uma esperança morta
A saudade acende, a esperança está fria
A saudade sente, a esperança é vazia
A saudade quer dançar, quer abraço, música, beijo
Saudade tira uma canção ao violão, remexe uma fotos, sorri...
A saudade escreve um poema
E chora...
Ela é tão grande e parece tão pequena
Diante daquela que já não espera...
Então a saudade sozinha se toca
E tenta reanimar a outra
Inerte, sem ação
A saudade é corpo, alma, coração
Já a esperança não sente mais nada
Nem alegria e nem dor
Saudade acha que vai viver pra sempre...
A esperança sabe que morreu de amor.
SnowFlake
domingo, fevereiro 15, 2009
Encantos e Axé

Aterrissei bem no meio da Lavagem de Itapuã depois de pegar um ônibus errado.
Aliás, o ônibus nem era errado, apenas eu que errei em não saber que naquele dia não deveria ter feito aquele caminho.
Porém já tava ali e não iria voltar, resolvi seguir. Melhor, ir de encontro a, já que teria q andar no sentido contrário ao cortejo. Até aí tudo bem, só não imaginava era que o caminho demoraria um hora e meia do lugar aonde o ônibus retornou até o próximo ponto! Normal, já tô aqui mesmo, bora lá!
Comprei logo uma florzinha dessas que todo mudo resolveu usar pra enfeitar a cabeça. Já que era pra ir, o jeito era entrar no clima.
Andar pelo meio da pista sem tráfego de veículos foi uma experiência que nunca imaginei ter. Ainda mais com a rua assim, meio vazia, meio cheia, meio enfeitada, meio seca... Como devem ter sido todas as festas antes que soubesse que eram assim.
SAMU, bombeiros, salva-vidas, posto médico, PM, foi só o deu pra ver no inicio. “Normal, sempre me falaram tão mal dessa festa que a mínima violência que imaginei que rolaria foi o esquartejamento”. - Pensava ao me desviar dos primeiros quase-bêbados.
“Tira essa calça, mãe, vá! Tire essa calça, mainha!” - Claro q não olhei pra cara do cidadão, mas que deu vontade de obedecer, cá pra nós, segredo! Não pelo pedido pouco sutil, mas pelo sol de lascar na minha cabeça e eu com aquela calça-armadura-comprada-pra-guerra que mais parece uma fortaleza... Mas decidi não fazer como os italianos no aeroporto da Bahia. E olha que eu realmente tava na praia!
Me distraí um pouco com o Malê Debalê... Não tenho dúvida alguma que o coração da minha alma bate no ritmo dos tambores de percussão. E o meu corpo acompanha como pode. Minha almazinha retumbante, tirando o pé do chão.
Linda a coreografia dos adolescentes! Me arrepiei com os menininhos em fila do projeto social deles... Educar é preciso.
Vi um cara fazendo chapéus de palha e parei pra comprar uma esperança... Dois reais a coisinha verde que vim protegendo de tudo e de todos todo o resto do caminho como a um amuleto... Esperança cor-de-capim breve vai ficar cor-de-folha-seca... Breve será como um gafanhoto daninho e só eu saberei q já foi uma linda coisa da natureza, cor-de-verde-vida.
Esperança pra curar o medo.
Uma curiosidade foi o bloco “Somos Iguais”, o único que percebi com cordas. Corda pra quê se não tinha gente o suficiente pra misturar?! Será porque só somos iguais por dentro?!... Não sei, não bateu, não entendi.
Aliás, vontade insandescida de tomar uma latinha! Mas precisava segurar a onda. Tava sozinha, numa situação nova e precisava chegar do outro lado e viva. Resisti.
“As Donzelas “ era o nome de um caminhão enfeitado de palhas com dois homens vestidos de baby-doll vendendo churrasco em cima. Uma delas tinha um parzão de coxas tão desinibidas que me peguei pensando na carne... (Me senti uma verdadeira bicha.)
Aqui tudo é tão mar e tão festa que muitas vezes as duas coisas acontecem misturadas. Era o caso. Gringas desfilando de biquíni ou de blusinha transparente de sol e aqueles chapeuzinhos coloridos, que já é quase uma epidemia, e nativas costas-nuas e shortinhos enfiados característicos. Tudo muito bronze, muito dendê, muito “viva a putaria!”.
Pouca gente na praia, digo, na areia e na água. Na rua, muitas senhoras vestidas de baianas com seus jarros de água-de-cheiro e flores cantando hinos tradicionais, hinos sagrados, hinos de outros carnavais... Deu vontade de acompanhar muitas vezes. Deu vontade demais...
Mas meu ponto ficava a dois quilômetros ainda, em sentido contrário.
Mas a diante, uns 30 a 35 negões muito bem em forma, todos de sunga, com atabaques, timbais e pandeiros faziam uma roda de samba num som muito massa. Vontade de contratá-los pra um show lá em casa... Ai, ai! Um só já bastava! Só os vi de costas. Ia dizer q não deixaram nada a desejar, mas... deixaram. Ah, como deixaram!...
Outros elogiaram meu cabelo, tentaram me seguir, me chamaram de magrela, sorriram pra mim...
Gostei. Gostei de estar de tênis e não de salto. De ter tomado minha latinha no fim. De ter encontrado o posto da SET e do STPS no final e saber q já o ponto de ônibus deveria estar perto dali. Gostei de não ter ido pra ficar e de não ter que ficar até o fim. De estar sozinha, de ver que existem tantos humanos, que alguns eu gosto de ver como são, enfim. Gostei de ver o mar do lado direito, de ter visto de dentro que não é tão violento. Gostei de ver o riso, gostei de ter sido por engano, por acaso, no susto. Andei sorrindo quase todo o trajeto, como passista que ganhou na última hora a fantasia... Gostei porque não esperava, mas estava feliz. As coisas estava se resolvendo, era festa, era verão, era carnaval na minha terra...
Gostei tanto que certamente se não estiver trabalhando nesta data ano seguinte, quero ir com todos, no sentido certo da alegria...
Gostei de ver de perto. Gostei de mim.
Snow... É bom!
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Por outro lado...

Hoje comprei uma porção de jambos
E os comi.
Assim, tal qual criança de quem,
Da boca,
Não se pode mais tirar o doce...
Snow, cor de fruta.
Sobre fardas e becas
Não faz mais diferença as circunstancias.
A humanidade se perde em motivos, motivações, interesses...
Os interesses se envolvem em outros interesses, se entrelaçam. Quanto menos informação, melhor. Quanto menos a ponderar, melhor. Quanto menos se tiver que ouvir, melhor.
Não é só vc, não, são todos. Todos ao seu redor.
Cada um na sua, cada qual no seu cada quem.
Quem se interessa pelos agravantes? Atenuantes? Ninguém.
É o seguinte, se vc pode pagar, então tá tudo beleza. Se não pode, vc não existe. Não faz sequer diferença.
Como é q sobrevive a esperança numa atmosfera dessa?
O pior é q a turma do “no stress”, a mim, parece pior. Conheço criaturas q são capazes de tornar em caos todo o grupo, só pra manter a sua filosofia particular de "não esquentar". Há quem não faça nada além de fazer tudo o possível pra não ter que fazer nada, que pensar em nada, que decidir nada, que entender nada... Com esses eu nem me preocupo, porque em breve não terão mais acesso a mim. Mas lamento. É uma pena q a lama esteja em todo lugar.
Sobre o curso, eu não gostei do ambiente em que estudo. Da maioria dele. Do sistema.
E olha q eu faço um curso, senão de alma, o mais perto possível do contato com o outro, ao menos num nível científico, acadêmico!
Estou certa que não encontrarei pessoas melhores no mundo das leis e do Direito, por uma questão de probabilidade também. Até porquê, pessoas assim, não se pode procurar.
Mas não é por isso, não é também pelas coisas do espírito que vou. Mas por coisas que descartei durante muito tempo, me afastei, exclui, deixei pra lá.
Status, por exemplo.
Dinheiro.
Poder.
Poder existir, poder ser, poder falar.
E será assim mesmo, sabe? Preta, nordestina, mulher, de origem humilde, não sei sambar, não sairei na playboy... Juíza.
Alguma coisa q não posso mais conter me condiciona com tanta força que sinto-me empurrada, compelida, impulsionada a ir e fazer e ser.
Eu, pelo menos, ainda pondero as circunstancias. Eu ainda vejo o humano por trás da culpa, da escolha, do fato.
O que, aliás, há muito q não fazem comigo, antes de julgar. Há muito que tenho andado invisível.
Escolher ser o q serei é também abrir mão de esperar q me entedam, que me ouçam ao menos ou que simplesmente me vejam.
Não é que deixei de acreditar nos meus valores. Só desisti de querer encontrá-los em outros seres.
Eu sei, eu bem sei, que uma pessoa não é a profissão que exerce nem o cargo que ocupa. Mas acontece que estão todos surdos e eu já gritei tanto que, de tão rouca, fiquei muda.
Snow, nua.
A humanidade se perde em motivos, motivações, interesses...
Os interesses se envolvem em outros interesses, se entrelaçam. Quanto menos informação, melhor. Quanto menos a ponderar, melhor. Quanto menos se tiver que ouvir, melhor.
Não é só vc, não, são todos. Todos ao seu redor.
Cada um na sua, cada qual no seu cada quem.
Quem se interessa pelos agravantes? Atenuantes? Ninguém.
É o seguinte, se vc pode pagar, então tá tudo beleza. Se não pode, vc não existe. Não faz sequer diferença.
Como é q sobrevive a esperança numa atmosfera dessa?
O pior é q a turma do “no stress”, a mim, parece pior. Conheço criaturas q são capazes de tornar em caos todo o grupo, só pra manter a sua filosofia particular de "não esquentar". Há quem não faça nada além de fazer tudo o possível pra não ter que fazer nada, que pensar em nada, que decidir nada, que entender nada... Com esses eu nem me preocupo, porque em breve não terão mais acesso a mim. Mas lamento. É uma pena q a lama esteja em todo lugar.
Sobre o curso, eu não gostei do ambiente em que estudo. Da maioria dele. Do sistema.
E olha q eu faço um curso, senão de alma, o mais perto possível do contato com o outro, ao menos num nível científico, acadêmico!
Estou certa que não encontrarei pessoas melhores no mundo das leis e do Direito, por uma questão de probabilidade também. Até porquê, pessoas assim, não se pode procurar.
Mas não é por isso, não é também pelas coisas do espírito que vou. Mas por coisas que descartei durante muito tempo, me afastei, exclui, deixei pra lá.
Status, por exemplo.
Dinheiro.
Poder.
Poder existir, poder ser, poder falar.
E será assim mesmo, sabe? Preta, nordestina, mulher, de origem humilde, não sei sambar, não sairei na playboy... Juíza.
Alguma coisa q não posso mais conter me condiciona com tanta força que sinto-me empurrada, compelida, impulsionada a ir e fazer e ser.
Eu, pelo menos, ainda pondero as circunstancias. Eu ainda vejo o humano por trás da culpa, da escolha, do fato.
O que, aliás, há muito q não fazem comigo, antes de julgar. Há muito que tenho andado invisível.
Escolher ser o q serei é também abrir mão de esperar q me entedam, que me ouçam ao menos ou que simplesmente me vejam.
Não é que deixei de acreditar nos meus valores. Só desisti de querer encontrá-los em outros seres.
Eu sei, eu bem sei, que uma pessoa não é a profissão que exerce nem o cargo que ocupa. Mas acontece que estão todos surdos e eu já gritei tanto que, de tão rouca, fiquei muda.
Snow, nua.
terça-feira, janeiro 20, 2009
Registros
A minha escrita nasceu de duas vertentes distintas e opostas.
Uma delas, a mais bela, das cartas de amor...
A primeira escrita em primeira pessoa foram poucas palavras que não conseguiam dizer muito, porque nem eu me entendia àquela época – como ainda nem sempre entendo-me agora – mas tinham a pungente necessidade de registrar aquilo que sempre me pareceu sobrenatural: as emoções humanas, as sensações e os sentimentos de atração pelo outro, elemento motor do afeto, combustível do psiquismo.
A outra vertente veio tão logo descobri que tinha a capacidade incompreensível, ao menos pra mim, de esquecer completa e muito rapidamente o mal que me fizeram.
De tanto não entender como depois de uns dias passava pela rua por uma pessoa de quem algo me dizia que deveria odiar e eu sorria, por já não lembrar mais o porquê, decidi escrever.
Era assim que, ainda sob a umidade das lágrimas, registrava o cenário, o contexto, a data, descrevia a expressão, os gestos e o máximo que eu conseguisse lembrar das palavras e do diálogo da cena da discódia.
Feito isto, só então registrava em última linha como me sentia e o meu parecer final ao dossiê. Era algo como:
"Estou muito triste diante disso tudo.
Decidi que não devo mais permitir que haja qualquer aproximação entre nós."
E quando batia a dúvida, assim como as cópias das cartas guardadas, eu relia.
É, mas o tempo passa... E a gente vai estudar no Cefet, esquece o que nossa mãe ensinou sobre não pegar caronas. Vai pra internet, esquece que não se deve falar com estranhos... Esquecemos até nossas próprias regras de sobrevivência!
Era época diferente. Escrevia-se pra declarar, revelar, noticiar. Como quando foram feitos os primeiros perfis do orkut, de gente, com seus pecados e ações de graça.
Hoje em dia a escrita se especializou em ocultar. Vide a explosão de evasivas e fakes, cadeados, restrições e afins. Foi-se o tempo em que as palavras expressavam sentimentos. É chegado o tempo em que os sentimentos não expressam quase nada.
Hoje lembrei que faz tempo que não escrevo uma carta...
Faz tempo também que não relato uma briga.
A vida vai ficando cada vez mais cheia que parece cada vez mais vazia.
Eu era muito feliz e embora ande perdendo memória faça já uns anos, diferente de agora aonde tudo se deleta num piscar de olhos...
Ah, eu sabia!
Snow. Flake, flake...
Uma delas, a mais bela, das cartas de amor...
A primeira escrita em primeira pessoa foram poucas palavras que não conseguiam dizer muito, porque nem eu me entendia àquela época – como ainda nem sempre entendo-me agora – mas tinham a pungente necessidade de registrar aquilo que sempre me pareceu sobrenatural: as emoções humanas, as sensações e os sentimentos de atração pelo outro, elemento motor do afeto, combustível do psiquismo.
A outra vertente veio tão logo descobri que tinha a capacidade incompreensível, ao menos pra mim, de esquecer completa e muito rapidamente o mal que me fizeram.
De tanto não entender como depois de uns dias passava pela rua por uma pessoa de quem algo me dizia que deveria odiar e eu sorria, por já não lembrar mais o porquê, decidi escrever.
Era assim que, ainda sob a umidade das lágrimas, registrava o cenário, o contexto, a data, descrevia a expressão, os gestos e o máximo que eu conseguisse lembrar das palavras e do diálogo da cena da discódia.
Feito isto, só então registrava em última linha como me sentia e o meu parecer final ao dossiê. Era algo como:
"Estou muito triste diante disso tudo.
Decidi que não devo mais permitir que haja qualquer aproximação entre nós."
E quando batia a dúvida, assim como as cópias das cartas guardadas, eu relia.
É, mas o tempo passa... E a gente vai estudar no Cefet, esquece o que nossa mãe ensinou sobre não pegar caronas. Vai pra internet, esquece que não se deve falar com estranhos... Esquecemos até nossas próprias regras de sobrevivência!
Era época diferente. Escrevia-se pra declarar, revelar, noticiar. Como quando foram feitos os primeiros perfis do orkut, de gente, com seus pecados e ações de graça.
Hoje em dia a escrita se especializou em ocultar. Vide a explosão de evasivas e fakes, cadeados, restrições e afins. Foi-se o tempo em que as palavras expressavam sentimentos. É chegado o tempo em que os sentimentos não expressam quase nada.
Hoje lembrei que faz tempo que não escrevo uma carta...
Faz tempo também que não relato uma briga.
A vida vai ficando cada vez mais cheia que parece cada vez mais vazia.
Eu era muito feliz e embora ande perdendo memória faça já uns anos, diferente de agora aonde tudo se deleta num piscar de olhos...
Ah, eu sabia!
Snow. Flake, flake...
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Aurora
Apenas a escuridão a absorve.
Vagueia pelo caminho das árvores e colinas cheias de mistérios procurando por algo vivo, enquanto é tempo.
Nada mais além de andar como se de olhos fechados aonde o calor vem do sague que jorra por entre os lábios. E alimenta...
Sente sede e fome. O mais, há muito que esqueceu o gosto.
Já não sabe o quanto de humana carrega ainda desde a última vez que se viu num espelho. Está fria, faz tempo que já não reflete.
E enquanto os dentes roçam a carne ávida por ser devorada ela crava, sorvendo o que pra muitos deve ser vida.
Uma eternidade se passou desde que fora criada. Já não faz mais aniversário. Pouco importa se haverá lua, chuva, frio, calor, nuvem, estrelas... O único tempo que existe é a madrugada.
Se esconde da luz, foge da cruz, já não tem alma.
(Não entende porque ainda chora.)
Gosta do mar, da areia, do vento... Mas sua pele sensível se incineraria ao sol, numa praia.
Não respira, não cresce, não gera, sequer morre...
É assim que vive.
Só vive enquanto está escuro, só existe se anoitece...
E nos demais dias ela dorme.
Snow, shadows.
Vagueia pelo caminho das árvores e colinas cheias de mistérios procurando por algo vivo, enquanto é tempo.
Nada mais além de andar como se de olhos fechados aonde o calor vem do sague que jorra por entre os lábios. E alimenta...
Sente sede e fome. O mais, há muito que esqueceu o gosto.
Já não sabe o quanto de humana carrega ainda desde a última vez que se viu num espelho. Está fria, faz tempo que já não reflete.
E enquanto os dentes roçam a carne ávida por ser devorada ela crava, sorvendo o que pra muitos deve ser vida.
Uma eternidade se passou desde que fora criada. Já não faz mais aniversário. Pouco importa se haverá lua, chuva, frio, calor, nuvem, estrelas... O único tempo que existe é a madrugada.
Se esconde da luz, foge da cruz, já não tem alma.
(Não entende porque ainda chora.)
Gosta do mar, da areia, do vento... Mas sua pele sensível se incineraria ao sol, numa praia.
Não respira, não cresce, não gera, sequer morre...
É assim que vive.
Só vive enquanto está escuro, só existe se anoitece...
E nos demais dias ela dorme.
Snow, shadows.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Rechargeable Mosquito-hitting Swatter
Comprei uma raquete elétrica inseticida, dessas que os camelôs de todo o Brasil, imagino, resolveram importar de Taiwan ou de algum outro país que escreva em ideográficos.
Já havia experimentado uma vez e vi que a eficácia é realmente surpreendente, pois como consegue produzir uma tensão de saída de 2500V, o mosquito, ao encontrá-la, deixa apenas um cheiro de churrasco carbonizado no ar.
É certo que também dá uns choques na pele, se está ligada e encontra uma parte do corpo desprotegida. - Achei essa parte perigosíssimo para as crianças, embora pense que se na infância tivesse tido a felicidade de encontrar tal brinquedo, como não seriam mais radiantes as minhas tardes quando eu teria sido a mais invencível caçadora de mosquitos da galáxia!
Mas o que me motivou agora a adquiri-la foi mesmo esse verão que chegou com as suas peculiaridades da estação e que trouxe coisas que nunca tinha visto de tão perto quando ainda havia pessoas ao meu redor pela casa cuidando das coisas que eu nem notava.
Desta vez, os mosquitos vieram junto com o calor, de modo que já não posso abrir as janelas ou a porta sem ser obrigada a usar algum tipo de combate/proteção.
O ventilador existe, mas está ali no canto, na caixa ainda. Aguardando por ser instalado pelo filho do dono da casa e me lembrando com a sua impossibilidade que a casa não é exatamente minha. Nada é exatamente nosso – algum deus ou demônio já nos deve ter feito crer nisto. Mas, como esquecemos nossas crenças por algum hábito, um ou outro sempre arranja algum jeito material de nos lembrar.
Inseticidas também são muitos. Espalhados pela casa aos litros, em cada cômodo, dado o incômodo que me causam estes pequeninos seres, por vezes, invisíveis. Mas acontece que dei pra ter alergia aos que não são à base de água... E os que dizem que não têm cheiro também não me cheiram nada bem. Tentei aqueles que produzem fumaça, mas minhas roupas fedendo a incêndio no dia seguinte não compensaram não ter amanhecido toda cheia de picadas. Sem contar que a palhaçada toda não mata, só espanta os insetos que rapidamente se recolhem a guarda-roupas, gavetas e armários pra voltarem com mais fome mais tarde... Tudo fumaça.
Quando pequena, lembro de uma vez em que minha mãe comprou um desses que emitem um som inaudível aos humanos, mas que incomodam aos mosquitos, desses que são presos à tomada e a gente só troca o refil. Porém, não deu certo por dois motivos: a manutenção cara e amplitude de ação baixa. Dessa maneira, se era ligado no nosso quarto, os mosquitos atormentavam quem estivesse na sala além do que, essa exigência de sempre mais aparelhos e mais refis foi auto-eliminatória da tática.
Repelente é completamente desaconselhável pra ser usado no calor de quem prefere hidratante, mesmo os à base de água. Sem contar que o contato com os olhos que eles mandam evitar, é, por vezes, inevitável.
Por tudo isso a raquete veio bem a calhar. Exceto por um detalhe:
O momento do encontro do corpo com a tela eletrificada rompendo a rigidez dielétrica do ar produz um barulho, um tipo de “plackt” súbito, que me assusta e me vejo instantaneamente jogando tudo pra cima, ou deixando cair, ou gritando assustada, e sempre uma dessas três reações, de modo que ainda não consegui acostumar.
Tem algo a ver com a visão do poder fatal do objeto que mata.
A primeira vez que tive contato com essa sensação foi aos cinco ou seis anos, quando senti o peso da arma de meu pai, militar, voltando pra casa depois de um dia de trabalho. Aquele “deixe isso aí” determinado me fez sentir mais que o peso de uma taurus, trinta e oito, carregada. E eu deixei mesmo lá.
Há em minha cozinha um jogo de quatro facas que, por não cozinhar em grandes quantidades, mantenho na caixa ainda lacradas. Mas ontem um técnico esteve aqui pra consertar a geladeira... Foi a primeira vez que alguém estranho entrava em minha casa. E, por alguma estranha razão, eu me lembrei de guardá-las.
Os golpes fatais do Goshin também me despertam ao mesmo tempo a necessidade de aprender a neutralizar, ou atenuar. Embora no fundo eu saiba que... Pois é, tem certas coisas que a gente sabe que não dá pra ensinar.
Então a raquete está ali, do lado direito da cama, encima do criado que não fala nada, como uma bala engatilhada esperando vitimar...
Um mosquito, sabe? Uma coisinha de nada insignificante mesmo, que não fará falta alguma à natureza e cuja existência pode trazer uma série de transtornos à raça humana e contra a qual eu possuo o porte de uma, com toda a minha imodéstia infantil, poderosíssima e infalível arma...
Mas eu tenho medo de matar.
Snow. às moscas.
Já havia experimentado uma vez e vi que a eficácia é realmente surpreendente, pois como consegue produzir uma tensão de saída de 2500V, o mosquito, ao encontrá-la, deixa apenas um cheiro de churrasco carbonizado no ar.
É certo que também dá uns choques na pele, se está ligada e encontra uma parte do corpo desprotegida. - Achei essa parte perigosíssimo para as crianças, embora pense que se na infância tivesse tido a felicidade de encontrar tal brinquedo, como não seriam mais radiantes as minhas tardes quando eu teria sido a mais invencível caçadora de mosquitos da galáxia!
Mas o que me motivou agora a adquiri-la foi mesmo esse verão que chegou com as suas peculiaridades da estação e que trouxe coisas que nunca tinha visto de tão perto quando ainda havia pessoas ao meu redor pela casa cuidando das coisas que eu nem notava.
Desta vez, os mosquitos vieram junto com o calor, de modo que já não posso abrir as janelas ou a porta sem ser obrigada a usar algum tipo de combate/proteção.
O ventilador existe, mas está ali no canto, na caixa ainda. Aguardando por ser instalado pelo filho do dono da casa e me lembrando com a sua impossibilidade que a casa não é exatamente minha. Nada é exatamente nosso – algum deus ou demônio já nos deve ter feito crer nisto. Mas, como esquecemos nossas crenças por algum hábito, um ou outro sempre arranja algum jeito material de nos lembrar.
Inseticidas também são muitos. Espalhados pela casa aos litros, em cada cômodo, dado o incômodo que me causam estes pequeninos seres, por vezes, invisíveis. Mas acontece que dei pra ter alergia aos que não são à base de água... E os que dizem que não têm cheiro também não me cheiram nada bem. Tentei aqueles que produzem fumaça, mas minhas roupas fedendo a incêndio no dia seguinte não compensaram não ter amanhecido toda cheia de picadas. Sem contar que a palhaçada toda não mata, só espanta os insetos que rapidamente se recolhem a guarda-roupas, gavetas e armários pra voltarem com mais fome mais tarde... Tudo fumaça.
Quando pequena, lembro de uma vez em que minha mãe comprou um desses que emitem um som inaudível aos humanos, mas que incomodam aos mosquitos, desses que são presos à tomada e a gente só troca o refil. Porém, não deu certo por dois motivos: a manutenção cara e amplitude de ação baixa. Dessa maneira, se era ligado no nosso quarto, os mosquitos atormentavam quem estivesse na sala além do que, essa exigência de sempre mais aparelhos e mais refis foi auto-eliminatória da tática.
Repelente é completamente desaconselhável pra ser usado no calor de quem prefere hidratante, mesmo os à base de água. Sem contar que o contato com os olhos que eles mandam evitar, é, por vezes, inevitável.
Por tudo isso a raquete veio bem a calhar. Exceto por um detalhe:
O momento do encontro do corpo com a tela eletrificada rompendo a rigidez dielétrica do ar produz um barulho, um tipo de “plackt” súbito, que me assusta e me vejo instantaneamente jogando tudo pra cima, ou deixando cair, ou gritando assustada, e sempre uma dessas três reações, de modo que ainda não consegui acostumar.
Tem algo a ver com a visão do poder fatal do objeto que mata.
A primeira vez que tive contato com essa sensação foi aos cinco ou seis anos, quando senti o peso da arma de meu pai, militar, voltando pra casa depois de um dia de trabalho. Aquele “deixe isso aí” determinado me fez sentir mais que o peso de uma taurus, trinta e oito, carregada. E eu deixei mesmo lá.
Há em minha cozinha um jogo de quatro facas que, por não cozinhar em grandes quantidades, mantenho na caixa ainda lacradas. Mas ontem um técnico esteve aqui pra consertar a geladeira... Foi a primeira vez que alguém estranho entrava em minha casa. E, por alguma estranha razão, eu me lembrei de guardá-las.
Os golpes fatais do Goshin também me despertam ao mesmo tempo a necessidade de aprender a neutralizar, ou atenuar. Embora no fundo eu saiba que... Pois é, tem certas coisas que a gente sabe que não dá pra ensinar.
Então a raquete está ali, do lado direito da cama, encima do criado que não fala nada, como uma bala engatilhada esperando vitimar...
Um mosquito, sabe? Uma coisinha de nada insignificante mesmo, que não fará falta alguma à natureza e cuja existência pode trazer uma série de transtornos à raça humana e contra a qual eu possuo o porte de uma, com toda a minha imodéstia infantil, poderosíssima e infalível arma...
Mas eu tenho medo de matar.
Snow. às moscas.
quinta-feira, dezembro 25, 2008
Note e Net
Estou neste momento me perguntando se esta imperativa tecnologia recém chegada me deixará pelos próximos dias fazer alguma coisa que não seja fazer apenas tudo o que eu não fiz a vida inteira?
Não, a vida inteira é exagero. Mas uns 13 anos é a minha conta desde que desejei ver um pouco mais de perto tudo isto do que ainda hoje não entendo quase nada.
São seis da manhã e eu não pude fazer outra coisa desde ontem à noite... hipnotizada, enfeitiçada. Diria, terrivelmente amaldiçoada como um viciado. E já estou me perguntando se haverá mesmo uma cura – o que a esta altura, já tenho dúvidas.
Pode até haver, mas por hora vou baixar todos os pequenos arquivos que armazenei em e-mails e vou ler todos os que não foram ainda lidos e vou transformar tudo o que for de caractere em byte. E quando tudo o que hover pra fazer esgotar, porque tudo o que é infinito satura, então eu desde já tenho medo que, dependente, não saiba mais o que fazer a não ser ser... on line.
Desliguei agora à pouco porque já implorava o corpo, mas a ansiedade não quer deixar dormir, nem comer – claro, comigo o verbo comer é o primeiro que vai pro espaço – logo as outras funções vitais ficam todas debilitadas até que o corpo obriga a parar. Mas deitada, sinto que sou uma extensão dos pulsos elétricos. Como quando a gente chega de uma viagem de barco. Vejo que não é à toa a expressão “navegar” ter se adaptado tão bem a este universo. Confesso que estou meio tonta.
Olhei agora à pouco pra o Nietzsche em cima da cabeceira, meu velho companheiro nestas últimas noites antes do sono, estava quase terminando... Senti pena dele. Quando será novamente que terei a paz de ler em papel aonde a figura não está ao alcance de um clique? Nisso o Nietzsche ainda tá na frente dos 4 últimos que comprei. Meu Deus o que será do Garcia Márquez? Pobre Neruda sem hiperlynks... Será que ficarão todos na cabeceira observando impassíveis o piscar das janelas através da minha íris...? Ou será que serão recolhidos ao armário pra liberar espaço pros hardwares...?
Agora sinto um pouco de culpa e pena dos artesanatos que tava fazendo faz pouco tempo e que já quase escrevi que “fazia”... Quando será que terminarei aquelas florzinhas...? Pelo desenrolar dos acontecimentos, parece que só depois do último backup.
Como uma criança que ganhou um brinquedo complexo, quero entender como funciona e isso exigirá a remoção de algumas peças... - É claro que não farei isto, também por causa da garantia, etc. - Mas a sensação de curiosidade, deslumbramento e receio são idênticas.
Acabei de me dar conta que este talvez seja o último post em folha de papel que escrevo. Porque em breve a tecnologia dos RSSs chegarão pela rede, em fonte padrão, quase no automático.
Não sei, não sei mesmo. Estou com muito medo desse negócio de gerenciar tarefas, instalar aplicativos e administrar.
Mas já botei a máquina em stand by e já agendei as próximas atualizações pra mais tarde. E agora estou com muito sono...
Preciso reiniciar.
Snow, virtual.
Não, a vida inteira é exagero. Mas uns 13 anos é a minha conta desde que desejei ver um pouco mais de perto tudo isto do que ainda hoje não entendo quase nada.
São seis da manhã e eu não pude fazer outra coisa desde ontem à noite... hipnotizada, enfeitiçada. Diria, terrivelmente amaldiçoada como um viciado. E já estou me perguntando se haverá mesmo uma cura – o que a esta altura, já tenho dúvidas.
Pode até haver, mas por hora vou baixar todos os pequenos arquivos que armazenei em e-mails e vou ler todos os que não foram ainda lidos e vou transformar tudo o que for de caractere em byte. E quando tudo o que hover pra fazer esgotar, porque tudo o que é infinito satura, então eu desde já tenho medo que, dependente, não saiba mais o que fazer a não ser ser... on line.
Desliguei agora à pouco porque já implorava o corpo, mas a ansiedade não quer deixar dormir, nem comer – claro, comigo o verbo comer é o primeiro que vai pro espaço – logo as outras funções vitais ficam todas debilitadas até que o corpo obriga a parar. Mas deitada, sinto que sou uma extensão dos pulsos elétricos. Como quando a gente chega de uma viagem de barco. Vejo que não é à toa a expressão “navegar” ter se adaptado tão bem a este universo. Confesso que estou meio tonta.
Olhei agora à pouco pra o Nietzsche em cima da cabeceira, meu velho companheiro nestas últimas noites antes do sono, estava quase terminando... Senti pena dele. Quando será novamente que terei a paz de ler em papel aonde a figura não está ao alcance de um clique? Nisso o Nietzsche ainda tá na frente dos 4 últimos que comprei. Meu Deus o que será do Garcia Márquez? Pobre Neruda sem hiperlynks... Será que ficarão todos na cabeceira observando impassíveis o piscar das janelas através da minha íris...? Ou será que serão recolhidos ao armário pra liberar espaço pros hardwares...?
Agora sinto um pouco de culpa e pena dos artesanatos que tava fazendo faz pouco tempo e que já quase escrevi que “fazia”... Quando será que terminarei aquelas florzinhas...? Pelo desenrolar dos acontecimentos, parece que só depois do último backup.
Como uma criança que ganhou um brinquedo complexo, quero entender como funciona e isso exigirá a remoção de algumas peças... - É claro que não farei isto, também por causa da garantia, etc. - Mas a sensação de curiosidade, deslumbramento e receio são idênticas.
Acabei de me dar conta que este talvez seja o último post em folha de papel que escrevo. Porque em breve a tecnologia dos RSSs chegarão pela rede, em fonte padrão, quase no automático.
Não sei, não sei mesmo. Estou com muito medo desse negócio de gerenciar tarefas, instalar aplicativos e administrar.
Mas já botei a máquina em stand by e já agendei as próximas atualizações pra mais tarde. E agora estou com muito sono...
Preciso reiniciar.
Snow, virtual.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Ai, ai...
Toda esperança é uma presunção. Uma superestimarão de si ou do todo.
A esperança nasce do desejo e desejar é achar possível o que pode não ser.
Esperar é acreditar, ter fé. Seja por se achar merecedor apesar de difícil o objetivo ou por achar que o objetivo é fácil.
Ter esperança é "realizar" o talvez sob as melhores circunstâncias. É ver o ideal, é apostar na possibilidade. É desafiar a lógica às vezes e enxergar um túnel onde se tem cruzamentos. É entender que "só pode ser!" quando, na maioria das vezes, nem poderia... E encontrar mais um motivo pra agradecer a Deus, ao anjo-da-guarda, ao amuleto da sorte, ao orixá.
Ter esperança é eleger uma situação como melhor, embora pouco provável. Visualizar o caminho até o ideal. Andar por ele às cegas, sem a certeza se se afasta ou aproxima do acaso do encontro.
Pra se ter esperança é preciso não desejar detalhes. Só uma imagem difusa – sem este afastamento, seria impossível aceitar o “presente” quando este enfim chegasse.
É preciso deixar as lacunas para que a própria esperança as preencha. Sem as quais, ela ficaria de mãos atadas.
O paradoxo é que quanto mais a esperança esteja desfocada, maior a sua probabilidade de dar certo, se superados dois dos possíveis obstáculos que podem vir acoplados:
O primeiro, é que a gente pode não reconhecer o bem. E nesse caso acharmos que não era bem isso o que esperávamos;
No segundo caso, o bem pode não nos reconhecer. E aí ficaremos frustrados.
Na verdade, pra se ter esperanças é preciso desejar o mínimo possível, a menor unidade esperançável: um estímulo, um estado, uma sensação... Qualquer coisa de pessoal e subjetivo que se possa realizar com o material. Dessa forma será sempre emocionante quando tivermos conosco o algo tão almejado.
E olharemos nos seus olhos – se ele olhos tiver – e nossa alma ofegante falará pelos poros, pulmões e lábios:
Eu já sabia! Isto é tudo pelo qual há muito tenho esperado! E era exatamente assim, cada detalhe...
É... Tá explicado.
Snow, verde, verde...
A esperança nasce do desejo e desejar é achar possível o que pode não ser.
Esperar é acreditar, ter fé. Seja por se achar merecedor apesar de difícil o objetivo ou por achar que o objetivo é fácil.
Ter esperança é "realizar" o talvez sob as melhores circunstâncias. É ver o ideal, é apostar na possibilidade. É desafiar a lógica às vezes e enxergar um túnel onde se tem cruzamentos. É entender que "só pode ser!" quando, na maioria das vezes, nem poderia... E encontrar mais um motivo pra agradecer a Deus, ao anjo-da-guarda, ao amuleto da sorte, ao orixá.
Ter esperança é eleger uma situação como melhor, embora pouco provável. Visualizar o caminho até o ideal. Andar por ele às cegas, sem a certeza se se afasta ou aproxima do acaso do encontro.
Pra se ter esperança é preciso não desejar detalhes. Só uma imagem difusa – sem este afastamento, seria impossível aceitar o “presente” quando este enfim chegasse.
É preciso deixar as lacunas para que a própria esperança as preencha. Sem as quais, ela ficaria de mãos atadas.
O paradoxo é que quanto mais a esperança esteja desfocada, maior a sua probabilidade de dar certo, se superados dois dos possíveis obstáculos que podem vir acoplados:
O primeiro, é que a gente pode não reconhecer o bem. E nesse caso acharmos que não era bem isso o que esperávamos;
No segundo caso, o bem pode não nos reconhecer. E aí ficaremos frustrados.
Na verdade, pra se ter esperanças é preciso desejar o mínimo possível, a menor unidade esperançável: um estímulo, um estado, uma sensação... Qualquer coisa de pessoal e subjetivo que se possa realizar com o material. Dessa forma será sempre emocionante quando tivermos conosco o algo tão almejado.
E olharemos nos seus olhos – se ele olhos tiver – e nossa alma ofegante falará pelos poros, pulmões e lábios:
Eu já sabia! Isto é tudo pelo qual há muito tenho esperado! E era exatamente assim, cada detalhe...
É... Tá explicado.
Snow, verde, verde...
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Olha que coisa mais linda!
Canção do floco de neve
Aquela que está inquieta
não se pode conter
com afagos,
Há um soluço preservado da festa,
há uma semente de flor
que brotou entre os cardos.
Aquela que foi escolhida
irá dançar essa noite com o rei.
Não a verei de arco-iris vestida
nem colherei sua lagrima
inibida
ela recebeu da dor uma lei.
Aquela que brilha, sem ofuscar
que ama com sutileza e ardor
irá embarcar para o bosque da vida
nas raizes do mundo acolhida
irá explodir em um carrosel multicor.
(Hiltom Leal)
Snow, mais cheia de graça.
Aquela que está inquieta
não se pode conter
com afagos,
Há um soluço preservado da festa,
há uma semente de flor
que brotou entre os cardos.
Aquela que foi escolhida
irá dançar essa noite com o rei.
Não a verei de arco-iris vestida
nem colherei sua lagrima
inibida
ela recebeu da dor uma lei.
Aquela que brilha, sem ofuscar
que ama com sutileza e ardor
irá embarcar para o bosque da vida
nas raizes do mundo acolhida
irá explodir em um carrosel multicor.
(Hiltom Leal)
Snow, mais cheia de graça.
terça-feira, dezembro 09, 2008
Adentrismo
Quando a gente passa a ter um cachorro não há mais como não alimentá-lo. Ou lhe damos comida sempre ou ele nos devora.
Desconfio que em nossa alma more também um cachorro que, independente do comportamento, da raça ou do grau de adestramento, sente fome. E avança se lhes tiramos o osso. E obedece se chamado pelo nome.
Se o cachorro da alma é tratado de forma irregular porém, ora com afagos, ora com hostilidade, temos aí um caso típico de desamparo aprendido. O cachorro aprende que qualquer que seja o seu comportamento, pode lhe sobrevir recompensa ou castigo.
Nesse caso, o nosso maior erro é não compreendermos isto. Porque, ao invés de como pensamos, a agressividade devesse ser paga com hostilidade e o contrário, reciprocamente com afagos, o cachorro de nossas almas tanto poderá abaixar as orelhas para um grito, quanto mostrar os dentes em resposta a um carinho.
Esse animal que, imagino, já deva vir com nossa alma, serve para que lembremos que o espírito não admite ser machucado pelo corpo em que habita.
Assim, o cãozinho dócil que protege a casa onde minha almazinha reside é espirituoso.
E embora eu nunca saiba se será com choro, gracejo ou rosnado, ele, se maltratado, revida.
SnowFlake
P.S.
Como o texto anterior ficou muito impessoal e eu não sou assim tão infinitiva, veio este adendo.
Desconfio que em nossa alma more também um cachorro que, independente do comportamento, da raça ou do grau de adestramento, sente fome. E avança se lhes tiramos o osso. E obedece se chamado pelo nome.
Se o cachorro da alma é tratado de forma irregular porém, ora com afagos, ora com hostilidade, temos aí um caso típico de desamparo aprendido. O cachorro aprende que qualquer que seja o seu comportamento, pode lhe sobrevir recompensa ou castigo.
Nesse caso, o nosso maior erro é não compreendermos isto. Porque, ao invés de como pensamos, a agressividade devesse ser paga com hostilidade e o contrário, reciprocamente com afagos, o cachorro de nossas almas tanto poderá abaixar as orelhas para um grito, quanto mostrar os dentes em resposta a um carinho.
Esse animal que, imagino, já deva vir com nossa alma, serve para que lembremos que o espírito não admite ser machucado pelo corpo em que habita.
Assim, o cãozinho dócil que protege a casa onde minha almazinha reside é espirituoso.
E embora eu nunca saiba se será com choro, gracejo ou rosnado, ele, se maltratado, revida.
SnowFlake
P.S.
Como o texto anterior ficou muito impessoal e eu não sou assim tão infinitiva, veio este adendo.
Aforismo
Por piores que possam parecer as conseqüências da vida social, elas não podem superar as do isolamento.
Quem tem animal doméstico certamente já pôde perceber o que acontece se ficam privados por algumas horas do contato com seus donos, pois eles tornam-se tanto mais dóceis e afáveis quanto maior for a ansiedade e a esperança de serem afagados e acalantados. Os de maior porte parecem ainda mais patéticos. Os menorzinhos, totalmente vulneráveis.
Já se a privação é maior e a distância é aumentada em tempo, eles se tornarão tão hostis e agressivos para qualquer tentativa de aproximação que, independente de ser compreendida a intenção do dono, poderá ser respondida com violência.
É por isso que, embora saibamos que as pessoas que vivem rodeadas de pessoas são também rodeadas de problemas, não se pode julgar seus comportamentos fúteis e seus laços efêmeros como piores do que os daqueles que não têm laço social algum porque não aprenderam a não dizer o que machuca ou não sabem suportar as frivolidades do outro.
Mais árduo ainda do que ser definitivamente deste ou daquele modo é quando os dois tipos casualmente se encontram.
O raso sente-se entediado frente ao profundo.
O profundo, diante do raso, sente nojo.
Snow, da série "Diálogos da solidão com a multidão".
Quem tem animal doméstico certamente já pôde perceber o que acontece se ficam privados por algumas horas do contato com seus donos, pois eles tornam-se tanto mais dóceis e afáveis quanto maior for a ansiedade e a esperança de serem afagados e acalantados. Os de maior porte parecem ainda mais patéticos. Os menorzinhos, totalmente vulneráveis.
Já se a privação é maior e a distância é aumentada em tempo, eles se tornarão tão hostis e agressivos para qualquer tentativa de aproximação que, independente de ser compreendida a intenção do dono, poderá ser respondida com violência.
É por isso que, embora saibamos que as pessoas que vivem rodeadas de pessoas são também rodeadas de problemas, não se pode julgar seus comportamentos fúteis e seus laços efêmeros como piores do que os daqueles que não têm laço social algum porque não aprenderam a não dizer o que machuca ou não sabem suportar as frivolidades do outro.
Mais árduo ainda do que ser definitivamente deste ou daquele modo é quando os dois tipos casualmente se encontram.
O raso sente-se entediado frente ao profundo.
O profundo, diante do raso, sente nojo.
Snow, da série "Diálogos da solidão com a multidão".
sábado, dezembro 06, 2008
Confissão
Sempre que me sinto descoberta
Sinto-me também ré descoberta
Como se o flagra fosse também flagrante
E prova do meu crime de existir.
Tenho medo que me peguem evadida
Que me enquadrem, me aprisionem, me condenem.
E evito testemunhas oculares
Escondendo-me entre olhares evasivos
Restringindo todo o acesso a mim possível
Sob táticas e estratégia de segurança.
Dificulto toda forma de contato
(Excetuo a esta regra as crianças,
E aos que não se podem imputar qualquer contravenção)
Pros demais ando armada até os dentes
Limitando-os a não chegarem perto
Com restrições, percalços, contratempos.
Dificulto e dissimulo parecer inocente
A tudo quanto me interrogam eu lhes nego.
E todo o meu desejo é de escapar
Meu receio é que percebam que me entrego
Com a sutileza as vezes de um olhar...
SnowFlake
P.S. Foi como compor em outro idioma...
E sei que ainda vou editar diversas vezes.
Sinto-me também ré descoberta
Como se o flagra fosse também flagrante
E prova do meu crime de existir.
Tenho medo que me peguem evadida
Que me enquadrem, me aprisionem, me condenem.
E evito testemunhas oculares
Escondendo-me entre olhares evasivos
Restringindo todo o acesso a mim possível
Sob táticas e estratégia de segurança.
Dificulto toda forma de contato
(Excetuo a esta regra as crianças,
E aos que não se podem imputar qualquer contravenção)
Pros demais ando armada até os dentes
Limitando-os a não chegarem perto
Com restrições, percalços, contratempos.
Dificulto e dissimulo parecer inocente
A tudo quanto me interrogam eu lhes nego.
E todo o meu desejo é de escapar
Meu receio é que percebam que me entrego
Com a sutileza as vezes de um olhar...
SnowFlake
P.S. Foi como compor em outro idioma...
E sei que ainda vou editar diversas vezes.
Diversão e Arte
Alguma coisa no ato de comer me desmotiva.
Não sei se o sabor ou o meu despreparo ao preparar a comida, não sei.
Só sei que sinto uma fome ensandecida.
E vontade de comer zero.
Salvo algumas vezes em que como desesperadamente e chego até ficar otimista. Mas aí, logo canso. Do gosto, do cheiro... nada me dá mais prazer e sei que não pode ser sadio.
Morro de inveja dos devoradores de pratos. Desses que não deixam passar nada, matam e morrem por comida e depois ainda ficam com água na boca, um gostinho de "quero mais"... e repetem!
Sei que Freud explicaria num piscar de olhos. Mas prefiro Pavlov com seu cãozinho que salivava só de pensar...
Odeio ser tão magrinha, odeio! Embora os outros gostem... Não posso negar que quanto a isto ao menos sou mais feliz que as que odeiam ser tão gordinhas já que, depois de adulta, ouvi raríssimas criticas à minha forma esguia.
Ontem mesmo um cidadão me chamou de “mulheródromo”! Não olhei pra cara do cabra, acho até que inventou na hora esta palavra. Mas depois de alguns passos soletrando vi que esse era candidato a um dos maiores elogios que já recebi em matéria de polissílabo! Rs
Pensei depois que o fato de ouvir mais elogios que criticas de certa forma me incentivam pois não me acham tão mal por ser tão magra. Reforço. Pra mim, uma desgraça.
Só por isso sei que não sou anorexica. Mas por outro lado esse “só por isso” em nada me agrada.
Desde a infância tive o sonho de não ser tão magrela. Com o estirão da adolescência, então... vieram mais infinitos motivos: “magricela”, “vara-pau”, “seriema”, “papa-vento”... Lembro nitidamente que o menino que me colocou este último uns dias depois me pediu pra namorar. Era um moreno cor de canela com dois olhões verdes hipnotizastes que até hoje ainda consta da lista dos + + + do bairro... Mas eu não consegui perdoar.
Ao longo do tempo anotei algumas “simpatias populares” pra mudar esse meu quadro:
• Comer 3 bananas por dia.
• Comer farinha, muita farinha, encher o parto de farinha.
• Comer aipim, batata-doce, fruta-pão e inhame.
• Comer feijão antes de dormir.
• Comer doces e frituras.
• Comer coisas com alto teor calórico.
• Tomar muito refrigerante depois de comer.
• Comer salgado, depois comer doce.
• Comer rápido.
• Comer seis vezes pro dia.
É incrível como essas magias são mesmo bastante eficazes, mas... quem vai colocar o guizo no pescoço da gatinha?
Não tem aí nada que engorde que não seja preciso comer, não?
Ah, tem sim!
• Anticoncepcional.
• Deca, Megamass, Sustagem, Cobavital.
• Postafen e Buclina com Rarical.
Tomei doses cavalares. Overdosei e nada.
Falta tentar silicone... Mas não estou bem certa se terei cabeça pra ter corpo da noite pro dia. Prefiro pensar que será gradual, quase como se Deus assim tivesse feito. Ai, ai...
Aliás, tem um jeito! Há uma coisa que faz engordar sem comer. – Mas nesse caso teria que ser sem contraceptivos. – E eu não gosto de dar razão a Freud, sou behaviorista.
No Piauí tive a oportunidade de comer tatu. Legal mesmo tatu. Difícil é criar... e aí tem sempre um piauiense pra explicar que tem que fazer uma piscina, cimentar bem o chão, encher de terra e só depois colocar o tatu. Também lembram que é proibido caçar tatu. E criar, só com autorização do IBAMA. Mas se eles souberem que é pra comer, não autorizam.
Pensar em comer me tira a fome. Mesmo uma coisa gostosa como tatu, sabe? E eu vi os gominhos dele...
Até os vegetais! E mesmo os produtos industrializados como biscoito... ainda que de chocolate, aquela coisa boa que muita gente adora... Fico pensando no suor dos homens derramado... – e isso tem vários sentidos.
Já me vi muitas vezes pensando sob o ponto de vista do alimento. Ninguém merece virar, ah você sabe! Nem vegetais, nem carne, nem peixe e nem galinha.
Preciso de um divã!
Falando nisto, meu terapeuta anda muito ocupado com a tese dele de mestrado.
E eu se tivesse uns quilinhos a mais – não demais, um pouco mais – certamente já estaria mais bem resolvida.
Snow, slim. Pensando bem, quase de plasma.
Agosto de 2008.
Não sei se o sabor ou o meu despreparo ao preparar a comida, não sei.
Só sei que sinto uma fome ensandecida.
E vontade de comer zero.
Salvo algumas vezes em que como desesperadamente e chego até ficar otimista. Mas aí, logo canso. Do gosto, do cheiro... nada me dá mais prazer e sei que não pode ser sadio.
Morro de inveja dos devoradores de pratos. Desses que não deixam passar nada, matam e morrem por comida e depois ainda ficam com água na boca, um gostinho de "quero mais"... e repetem!
Sei que Freud explicaria num piscar de olhos. Mas prefiro Pavlov com seu cãozinho que salivava só de pensar...
Odeio ser tão magrinha, odeio! Embora os outros gostem... Não posso negar que quanto a isto ao menos sou mais feliz que as que odeiam ser tão gordinhas já que, depois de adulta, ouvi raríssimas criticas à minha forma esguia.
Ontem mesmo um cidadão me chamou de “mulheródromo”! Não olhei pra cara do cabra, acho até que inventou na hora esta palavra. Mas depois de alguns passos soletrando vi que esse era candidato a um dos maiores elogios que já recebi em matéria de polissílabo! Rs
Pensei depois que o fato de ouvir mais elogios que criticas de certa forma me incentivam pois não me acham tão mal por ser tão magra. Reforço. Pra mim, uma desgraça.
Só por isso sei que não sou anorexica. Mas por outro lado esse “só por isso” em nada me agrada.
Desde a infância tive o sonho de não ser tão magrela. Com o estirão da adolescência, então... vieram mais infinitos motivos: “magricela”, “vara-pau”, “seriema”, “papa-vento”... Lembro nitidamente que o menino que me colocou este último uns dias depois me pediu pra namorar. Era um moreno cor de canela com dois olhões verdes hipnotizastes que até hoje ainda consta da lista dos + + + do bairro... Mas eu não consegui perdoar.
Ao longo do tempo anotei algumas “simpatias populares” pra mudar esse meu quadro:
• Comer 3 bananas por dia.
• Comer farinha, muita farinha, encher o parto de farinha.
• Comer aipim, batata-doce, fruta-pão e inhame.
• Comer feijão antes de dormir.
• Comer doces e frituras.
• Comer coisas com alto teor calórico.
• Tomar muito refrigerante depois de comer.
• Comer salgado, depois comer doce.
• Comer rápido.
• Comer seis vezes pro dia.
É incrível como essas magias são mesmo bastante eficazes, mas... quem vai colocar o guizo no pescoço da gatinha?
Não tem aí nada que engorde que não seja preciso comer, não?
Ah, tem sim!
• Anticoncepcional.
• Deca, Megamass, Sustagem, Cobavital.
• Postafen e Buclina com Rarical.
Tomei doses cavalares. Overdosei e nada.
Falta tentar silicone... Mas não estou bem certa se terei cabeça pra ter corpo da noite pro dia. Prefiro pensar que será gradual, quase como se Deus assim tivesse feito. Ai, ai...
Aliás, tem um jeito! Há uma coisa que faz engordar sem comer. – Mas nesse caso teria que ser sem contraceptivos. – E eu não gosto de dar razão a Freud, sou behaviorista.
No Piauí tive a oportunidade de comer tatu. Legal mesmo tatu. Difícil é criar... e aí tem sempre um piauiense pra explicar que tem que fazer uma piscina, cimentar bem o chão, encher de terra e só depois colocar o tatu. Também lembram que é proibido caçar tatu. E criar, só com autorização do IBAMA. Mas se eles souberem que é pra comer, não autorizam.
Pensar em comer me tira a fome. Mesmo uma coisa gostosa como tatu, sabe? E eu vi os gominhos dele...
Até os vegetais! E mesmo os produtos industrializados como biscoito... ainda que de chocolate, aquela coisa boa que muita gente adora... Fico pensando no suor dos homens derramado... – e isso tem vários sentidos.
Já me vi muitas vezes pensando sob o ponto de vista do alimento. Ninguém merece virar, ah você sabe! Nem vegetais, nem carne, nem peixe e nem galinha.
Preciso de um divã!
Falando nisto, meu terapeuta anda muito ocupado com a tese dele de mestrado.
E eu se tivesse uns quilinhos a mais – não demais, um pouco mais – certamente já estaria mais bem resolvida.
Snow, slim. Pensando bem, quase de plasma.
Agosto de 2008.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Pessoa
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Nem há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma,
Senão da nossa.
As almas dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Supondo-se qualquer semelhança no fundo.
Entendemo-nos porque nos ignoramos.
A vida que se vive é um desentendimento fluido,
Uma média alegre entre a grandeza que não há
E a felicidade que não pode haver.
(Poesia de Fernando Pessoa, recitado ontem por Antonio Abujamra, Provocações.)
Snow, que apenas "colocou" o título e ouviu o poema...
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Nem há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma,
Senão da nossa.
As almas dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Supondo-se qualquer semelhança no fundo.
Entendemo-nos porque nos ignoramos.
A vida que se vive é um desentendimento fluido,
Uma média alegre entre a grandeza que não há
E a felicidade que não pode haver.
(Poesia de Fernando Pessoa, recitado ontem por Antonio Abujamra, Provocações.)
Snow, que apenas "colocou" o título e ouviu o poema...
É Primavera...
Aniversário do Blog.
Queria ter um blog todo colorido. Com fotos, gliter, pássaros voando no cursor, estrelas cadentes talvez... – Uma coisa ou outra pra não estragar. – Mas não sem nada, seco.
Fotos. Acho legal essa galera que arruma a casa. Filmes, música, ilustrações... Só que não deu certo. Tenho que confessar que não foi por falta de tentativas, e sim porque em matéria dessas coisas todas eu sou uma desgraça!
Também porque isso leva tempo e parece que é preciso uma máquina pra armazenar o arquivo original, não sei. Tem coisa que é difícil pra caramba fazer quando a única base é a lan house. Então foi ficando sempre pra depois.
O relógio ta quebrado. Deu um trabalho danado pra botar e já chamei o técnico umas mil vezes e nada. Continua na hora errada.
O contador, que era o que eu mais queria, não veio porque parece que é mais difícil.
Faz muito tempo que não mudo nada aqui porque tem coisas demais e eu não tenho nada disso em outro canto. Medo de mexer e quebrar, perder. A vulnerabilidade dos bytes on line é um dos fantasma que mais me assusta. Aliás, o nome...
Tento me acalantar por saber que nada é imortal, por mais que o ser humano custe a se conformar. Nada poderá ser preservado por toda a eternidade. A própria vida é provisória.
Dia desses vi um cachorro ser atropelado.
O cara freou, tentou parar, fechei os olhos, mas não pude deixar de ouvir o baque.
E os uivos desesperados do pobre que alguns segundos depois apareceu sangrando... Agora só podia contar com três das quatro patas.
Eu que o tinha visto alegre, brincando, pouco antes... é foda!
Nada me controla mais que a responsabilidade de preservar minhas faculdades. Sei que há um abismo indescritível entre o ter o não ter mais, ou o não ter tido. E há infinitas possibilidades de dar errado...
Por isso que não faria cirurgia de miopia, astigmatismo, essas coisas.
Por isso que não troquei ainda este layout.
Já ta na hora, é verdade, faz 4 anos. Mas as coisas já estiveram tão piores antes... Sinto até que deveria comemorar.
Mas a inspiração não veio.
Melhor, até que veio. Porém não bonitinha, enfeitadinha, engraçada.
A inspiração veio faminta, veio suja, rasgada. Adoecida de tanto frio e repulsa. De tanta falta que, suspeitei que seria melhor não mexer em nada.
Lamento mesmo que por aqui não tenha nada legal além dessas palavras desgrenhadas. Mais um ano se passou e eu não coloquei a porra dos passarinhos ou da estrela ali, pelos lados...
Mas é bom.
Menos um pra ficar assustado.
Snow, bodas de plástico.
P.S. O correto é bodas de flores e frutas, mas não cabe.
P.S.1. Era pra ter sido postado há 3 meses. O ruim de reciclar é que vc fica com uma cara que já não tem mais, mas que era mesmo a cara do texto.
P.S.2. Essa distância entre a pessoa e as palavras antigas tem seu ar de sadia.
Saber que embora fiel a foto, o rosto já não é mais daquele jeito...
Tal qual o cheiro das coisas que só a gente lembra.
Ou as bactérias da alma digerindo o beijo...
Queria ter um blog todo colorido. Com fotos, gliter, pássaros voando no cursor, estrelas cadentes talvez... – Uma coisa ou outra pra não estragar. – Mas não sem nada, seco.
Fotos. Acho legal essa galera que arruma a casa. Filmes, música, ilustrações... Só que não deu certo. Tenho que confessar que não foi por falta de tentativas, e sim porque em matéria dessas coisas todas eu sou uma desgraça!
Também porque isso leva tempo e parece que é preciso uma máquina pra armazenar o arquivo original, não sei. Tem coisa que é difícil pra caramba fazer quando a única base é a lan house. Então foi ficando sempre pra depois.
O relógio ta quebrado. Deu um trabalho danado pra botar e já chamei o técnico umas mil vezes e nada. Continua na hora errada.
O contador, que era o que eu mais queria, não veio porque parece que é mais difícil.
Faz muito tempo que não mudo nada aqui porque tem coisas demais e eu não tenho nada disso em outro canto. Medo de mexer e quebrar, perder. A vulnerabilidade dos bytes on line é um dos fantasma que mais me assusta. Aliás, o nome...
Tento me acalantar por saber que nada é imortal, por mais que o ser humano custe a se conformar. Nada poderá ser preservado por toda a eternidade. A própria vida é provisória.
Dia desses vi um cachorro ser atropelado.
O cara freou, tentou parar, fechei os olhos, mas não pude deixar de ouvir o baque.
E os uivos desesperados do pobre que alguns segundos depois apareceu sangrando... Agora só podia contar com três das quatro patas.
Eu que o tinha visto alegre, brincando, pouco antes... é foda!
Nada me controla mais que a responsabilidade de preservar minhas faculdades. Sei que há um abismo indescritível entre o ter o não ter mais, ou o não ter tido. E há infinitas possibilidades de dar errado...
Por isso que não faria cirurgia de miopia, astigmatismo, essas coisas.
Por isso que não troquei ainda este layout.
Já ta na hora, é verdade, faz 4 anos. Mas as coisas já estiveram tão piores antes... Sinto até que deveria comemorar.
Mas a inspiração não veio.
Melhor, até que veio. Porém não bonitinha, enfeitadinha, engraçada.
A inspiração veio faminta, veio suja, rasgada. Adoecida de tanto frio e repulsa. De tanta falta que, suspeitei que seria melhor não mexer em nada.
Lamento mesmo que por aqui não tenha nada legal além dessas palavras desgrenhadas. Mais um ano se passou e eu não coloquei a porra dos passarinhos ou da estrela ali, pelos lados...
Mas é bom.
Menos um pra ficar assustado.
Snow, bodas de plástico.
P.S. O correto é bodas de flores e frutas, mas não cabe.
P.S.1. Era pra ter sido postado há 3 meses. O ruim de reciclar é que vc fica com uma cara que já não tem mais, mas que era mesmo a cara do texto.
P.S.2. Essa distância entre a pessoa e as palavras antigas tem seu ar de sadia.
Saber que embora fiel a foto, o rosto já não é mais daquele jeito...
Tal qual o cheiro das coisas que só a gente lembra.
Ou as bactérias da alma digerindo o beijo...
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna...
Há coisas que não devem ser ditas antes de poderem ser ouvidas.
Essa frase parece óbvia, mas acreditem, é preciso algum tempo pra que possa ser compreendida em toda a sua profundidade. E esse tempo está bem longe da infância e da adolescência. Talvez até da idade madura. Sim, porque é preciso mais sabedoria pra calar que pra dizer.
Antes desse estado temos aí a “manha”, a “malícia”, a “experiência” que são precursores brutos da chamada “sabedoria”.
Há quase um mês uma vizinha me encontrou num ônibus e veio sentar do meu lado pra conversar comigo. Saber das minhas viagens, provas, concursos, de como vão meus estudos... O brilho em seu olhar quase me envaideceu mais do que me permito, porém tive que lembrá-la de que nada daqueles elogios muitos que me fez poderia ainda ser dito. Porque é ainda meio do caminho. Talvez pré-história, início.
É pelo menos assim que a Historia nos é contada. Existe sempre um modelo do que é “dar certo”, ser “bem-sucedido”, obter “êxito”, e dentro destes padrões e seus opostos é que se traçam os personagens e seus atributos. Quando eles conseguem é “revolução”, “conquista”. Se perdem é “revolta”, “motim”, “rebelião”, “tetativa”. E é preciso esperar. Até porque, as vezes, no meio, é impossível predizer o que virá depois de um tempo. Principalmente quando já vimos muitos começos se perderem...
Dos 17 aos 22 eu estive fascinada pelos começos. Adorava começos. Todos: um novo curso, uma nova turma, um novo encontro, um novo dia, uma nova possibilidade... todos eram flores!
Dos 23 aos 29 no entanto, me converti calorosamente aos meios. E danassem-se os fins! Ou o que tivesse ocorrido ocasionalmente para que fosse assim. Importava o que era, o que tinha, o que vinha sendo. Dar certo era sinônimo de ter tido um meio. Ter passado do começo por um caminho...
Também, começar havia ficado bem mais arriscado. Começar de novo então, meu Deus! Tudo menos o desconhecido! Já os velhos erros eram bem-vindos...
Alguma coisa parece ter mudado discretamente porque já não me sinto próxima do primeiro nem do segundo nível.
Sinto-me mais inclinada ao fim.
Um dia termina, sabe? Acaba.
E aí a gente vê se deu ou não certo. Mas antes desse ponto tudo é metade. É rabisco, é projeto... rastro.
E há coisas que ainda devem se manter impronunciadas.
É preciso passar o portão pra rir do cachorro, ter uma câmera pra falar das próprias fotos, pedir demissão pra mandar o chefe tomar no cu, sair de casa pra testar a potência das caixas-de-som, pagar a conta pra apagar as luzes...
Adolescentes pensarão ter mil e um argumentos pra cada uma destas frases/ períodos. Mas não usarão nenhum corretamente. Baterão portas, arremessarão pratos, dirão alguma palavra feia, um grito, uma evasiva.
Crianças não compreenderão. E nem todos os adultos. Porque idade não basta.
Eu já fiz coisas geniais com quase nenhuma prática. Mas já não quero mais fazer pedidos nem esfregar lâmpadas...
Nos próximos tempos, do esforço brotará o talento limado a ferro e fogo.
E depois do começo será meio até o fim.
Porque meu espírito de gênio já foi genioso demais comigo.
Snow, Idade Contemporânea.
P.S.
Este é novinho, tem uns 15 dias. Nasceu logo depois da certeza de que o anterior estava pronto, era parte do P.S. Mas aí ficou grande demais...
As metáforas vão ficando mais evasivas mesmo. É esse tal pós-modernismo.
P.S.1.
Um dia eu vou atrasar os textos só porque deu preguiça...
Ai, ai...
Essa frase parece óbvia, mas acreditem, é preciso algum tempo pra que possa ser compreendida em toda a sua profundidade. E esse tempo está bem longe da infância e da adolescência. Talvez até da idade madura. Sim, porque é preciso mais sabedoria pra calar que pra dizer.
Antes desse estado temos aí a “manha”, a “malícia”, a “experiência” que são precursores brutos da chamada “sabedoria”.
Há quase um mês uma vizinha me encontrou num ônibus e veio sentar do meu lado pra conversar comigo. Saber das minhas viagens, provas, concursos, de como vão meus estudos... O brilho em seu olhar quase me envaideceu mais do que me permito, porém tive que lembrá-la de que nada daqueles elogios muitos que me fez poderia ainda ser dito. Porque é ainda meio do caminho. Talvez pré-história, início.
É pelo menos assim que a Historia nos é contada. Existe sempre um modelo do que é “dar certo”, ser “bem-sucedido”, obter “êxito”, e dentro destes padrões e seus opostos é que se traçam os personagens e seus atributos. Quando eles conseguem é “revolução”, “conquista”. Se perdem é “revolta”, “motim”, “rebelião”, “tetativa”. E é preciso esperar. Até porque, as vezes, no meio, é impossível predizer o que virá depois de um tempo. Principalmente quando já vimos muitos começos se perderem...
Dos 17 aos 22 eu estive fascinada pelos começos. Adorava começos. Todos: um novo curso, uma nova turma, um novo encontro, um novo dia, uma nova possibilidade... todos eram flores!
Dos 23 aos 29 no entanto, me converti calorosamente aos meios. E danassem-se os fins! Ou o que tivesse ocorrido ocasionalmente para que fosse assim. Importava o que era, o que tinha, o que vinha sendo. Dar certo era sinônimo de ter tido um meio. Ter passado do começo por um caminho...
Também, começar havia ficado bem mais arriscado. Começar de novo então, meu Deus! Tudo menos o desconhecido! Já os velhos erros eram bem-vindos...
Alguma coisa parece ter mudado discretamente porque já não me sinto próxima do primeiro nem do segundo nível.
Sinto-me mais inclinada ao fim.
Um dia termina, sabe? Acaba.
E aí a gente vê se deu ou não certo. Mas antes desse ponto tudo é metade. É rabisco, é projeto... rastro.
E há coisas que ainda devem se manter impronunciadas.
É preciso passar o portão pra rir do cachorro, ter uma câmera pra falar das próprias fotos, pedir demissão pra mandar o chefe tomar no cu, sair de casa pra testar a potência das caixas-de-som, pagar a conta pra apagar as luzes...
Adolescentes pensarão ter mil e um argumentos pra cada uma destas frases/ períodos. Mas não usarão nenhum corretamente. Baterão portas, arremessarão pratos, dirão alguma palavra feia, um grito, uma evasiva.
Crianças não compreenderão. E nem todos os adultos. Porque idade não basta.
Eu já fiz coisas geniais com quase nenhuma prática. Mas já não quero mais fazer pedidos nem esfregar lâmpadas...
Nos próximos tempos, do esforço brotará o talento limado a ferro e fogo.
E depois do começo será meio até o fim.
Porque meu espírito de gênio já foi genioso demais comigo.
Snow, Idade Contemporânea.
P.S.
Este é novinho, tem uns 15 dias. Nasceu logo depois da certeza de que o anterior estava pronto, era parte do P.S. Mas aí ficou grande demais...
As metáforas vão ficando mais evasivas mesmo. É esse tal pós-modernismo.
P.S.1.
Um dia eu vou atrasar os textos só porque deu preguiça...
Ai, ai...
quarta-feira, dezembro 03, 2008
A minha Rolley-flex...
Queria ter fotos.
É. Essa coisa simples que a gente simplesmente deleta agora na era dos cartões de memória e que gosto tanto...
São provas, sabe? São quase fatos. São lembranças, são o momento congelado, a recordação...
Lembro-me que quando criança me olhava muito no espelho e principalmente quando chorava. Precisava ter um espelho pra abrir os olhos vez em quando e ver como ele me dizia que era, e não como me sentia de olhos fechados, já que a imagem que tinha de mim no escuro não podia ser fotografada - porque ninguém acreditaria ser minha... Então tentava o contrário. Usava o espelho pra acreditar que existia alguém diferente do que eu imaginava.
Ainda me olho muito no espelho. Alem da vaidade feminina, pra não perder o referencial. Senão o rosto que tenho é gradualmente sobreposto pelo resto do que sinto. Que penso que sinto.
Li uma vez numa página avulsa de um livro que um amigo lia que havia num certo lugar certos monges cuja ordem não permitia que vissem um espelho. Estes monges permaneciam por toda a vida sem nunca conhecer o que os outros sabiam dos seus próprios rostos. O objetivo da doutrina era que nunca precisassem confrontar seu eu imaginado (alma) com o eu físico (corpo).
É claro que parece uma grande utopia e não funcionaria comigo, mesmo que eu fosse uma monja enfim, porque tenho sempre um espelho comigo. Eu que me aproximo de tudo o que me reflete quase que como vicio. Dessa forma janela de carro, vidro, monitor desligado, maçaneta de porta, tampa de panela, verso de CD/DVD ou qualquer outra superfície polida me atraem como água. Poça d’água, no caso. Mas o modo de vida dos monges do livro, achei bonito.
Só não trocaria pro ter fotos.
Em especial dos lugares que queria ter ido, dos sorrisos que queria ter tido, das sensações que queria ter vivido...
Tenho cicatrizes, marcas, sulcos que margeiam o caminho percorrido por lágrimas. Isto não prova nada, sequer registra.
Deve ter havido coisas boas, é verdade. Coisas que só eu vi de olhos fechados. Mas que não eram o que o espelho me dizia.
Lembro de resmungos, reclamações, descontentamentos, vontade de não estar ali, ou de que não fosse eu quem estivesse... Lembro de ter ouvido gritos.
Lembro de frustrações inquestionáveis, de mal-estar, choro, estupidez... mal humor, grosserias, cenas tão nítidas...
Ele até que se esforçou pra fazer bem feito. Lembro do esforço - pra isto sempre há de haver em mim espelhos. Já as fotos, que contrastariam com as imagens que só eu tenho dele... elas não existem.
Nem ele.
Snow, janeiro de 2006.
P.S.
Esse texto tem quase três anos. Reli muitas vezes desde que foi pro papel e muitas vezes antes também. Em todas as releituras foi reprovado.
Dava um intenso mal-estar saber que ainda existia inédito por ser impublicável. Carregando cada vez mais o fardo insustentável do fracasso.
Nesse espaço de tempo em que vi todos os amigos, conhecidos e afins comprar câmeras, filmadoras, celulares e toda sorte de tecnologia retratável - foi-se o tempo da Polaroyd - , me sentia cada vez mais distante. Tanto que sequer tive coragem de pedir emprestada deles pra "dar uma volta".
O peso sobre as pálpebras vinha da certeza de que não podia dar prioridade a isso em detrimento de... nada! Porque não conseguiria construir nenhum argumento justificável.
Toda dor vem do que não se justifica, sabe? É. Dói o que não tem porquê, ou não parece ter.
O que não pode ser entendido, aceito, elaborado. A partir do momento em que há símbolos que respaldem, a dor já não alcança mais a alma.
E o texto também doía...
Há alguns dias me inquietava por já poder vir ao mundo consciente e por um motivo bem pequeno e simples: 8.3 mega pixels, eu agora tenho uma câmera.
Sei que ainda vai demorar um tempão pra conseguir ter fotos que façam algum sentido, que expressem algo além do meu vislumbre pela imagem que quase sempre não é a que meu espelho interior me mostra e, talvez demore muito mais pra eu visitar os cenários e estar com ilustres companhias fotografáveis, mas agora o problema deixou de ser bytes, entende?
Não? Ok.
Depois teremos fotos melhores.
P.S. 1.
Tirei recentemente uma foto só pra saber que existiu...
Mas é dessas que não se pode revelar.
SnowFlake
É. Essa coisa simples que a gente simplesmente deleta agora na era dos cartões de memória e que gosto tanto...
São provas, sabe? São quase fatos. São lembranças, são o momento congelado, a recordação...
Lembro-me que quando criança me olhava muito no espelho e principalmente quando chorava. Precisava ter um espelho pra abrir os olhos vez em quando e ver como ele me dizia que era, e não como me sentia de olhos fechados, já que a imagem que tinha de mim no escuro não podia ser fotografada - porque ninguém acreditaria ser minha... Então tentava o contrário. Usava o espelho pra acreditar que existia alguém diferente do que eu imaginava.
Ainda me olho muito no espelho. Alem da vaidade feminina, pra não perder o referencial. Senão o rosto que tenho é gradualmente sobreposto pelo resto do que sinto. Que penso que sinto.
Li uma vez numa página avulsa de um livro que um amigo lia que havia num certo lugar certos monges cuja ordem não permitia que vissem um espelho. Estes monges permaneciam por toda a vida sem nunca conhecer o que os outros sabiam dos seus próprios rostos. O objetivo da doutrina era que nunca precisassem confrontar seu eu imaginado (alma) com o eu físico (corpo).
É claro que parece uma grande utopia e não funcionaria comigo, mesmo que eu fosse uma monja enfim, porque tenho sempre um espelho comigo. Eu que me aproximo de tudo o que me reflete quase que como vicio. Dessa forma janela de carro, vidro, monitor desligado, maçaneta de porta, tampa de panela, verso de CD/DVD ou qualquer outra superfície polida me atraem como água. Poça d’água, no caso. Mas o modo de vida dos monges do livro, achei bonito.
Só não trocaria pro ter fotos.
Em especial dos lugares que queria ter ido, dos sorrisos que queria ter tido, das sensações que queria ter vivido...
Tenho cicatrizes, marcas, sulcos que margeiam o caminho percorrido por lágrimas. Isto não prova nada, sequer registra.
Deve ter havido coisas boas, é verdade. Coisas que só eu vi de olhos fechados. Mas que não eram o que o espelho me dizia.
Lembro de resmungos, reclamações, descontentamentos, vontade de não estar ali, ou de que não fosse eu quem estivesse... Lembro de ter ouvido gritos.
Lembro de frustrações inquestionáveis, de mal-estar, choro, estupidez... mal humor, grosserias, cenas tão nítidas...
Ele até que se esforçou pra fazer bem feito. Lembro do esforço - pra isto sempre há de haver em mim espelhos. Já as fotos, que contrastariam com as imagens que só eu tenho dele... elas não existem.
Nem ele.
Snow, janeiro de 2006.
P.S.
Esse texto tem quase três anos. Reli muitas vezes desde que foi pro papel e muitas vezes antes também. Em todas as releituras foi reprovado.
Dava um intenso mal-estar saber que ainda existia inédito por ser impublicável. Carregando cada vez mais o fardo insustentável do fracasso.
Nesse espaço de tempo em que vi todos os amigos, conhecidos e afins comprar câmeras, filmadoras, celulares e toda sorte de tecnologia retratável - foi-se o tempo da Polaroyd - , me sentia cada vez mais distante. Tanto que sequer tive coragem de pedir emprestada deles pra "dar uma volta".
O peso sobre as pálpebras vinha da certeza de que não podia dar prioridade a isso em detrimento de... nada! Porque não conseguiria construir nenhum argumento justificável.
Toda dor vem do que não se justifica, sabe? É. Dói o que não tem porquê, ou não parece ter.
O que não pode ser entendido, aceito, elaborado. A partir do momento em que há símbolos que respaldem, a dor já não alcança mais a alma.
E o texto também doía...
Há alguns dias me inquietava por já poder vir ao mundo consciente e por um motivo bem pequeno e simples: 8.3 mega pixels, eu agora tenho uma câmera.
Sei que ainda vai demorar um tempão pra conseguir ter fotos que façam algum sentido, que expressem algo além do meu vislumbre pela imagem que quase sempre não é a que meu espelho interior me mostra e, talvez demore muito mais pra eu visitar os cenários e estar com ilustres companhias fotografáveis, mas agora o problema deixou de ser bytes, entende?
Não? Ok.
Depois teremos fotos melhores.
P.S. 1.
Tirei recentemente uma foto só pra saber que existiu...
Mas é dessas que não se pode revelar.
SnowFlake
quinta-feira, novembro 27, 2008
Noite
Eu acho que nasci para a madrugada.
O silêncio da noite, com ou sem solidão, me acalma.
Escrevo de noite, durmo de noite, vivo o dia inteiro esperando pela noite...
Ficar sozinha é um momento escuro...
E, por vezes, cheio de estrelas.
Snow, Flake.
O silêncio da noite, com ou sem solidão, me acalma.
Escrevo de noite, durmo de noite, vivo o dia inteiro esperando pela noite...
Ficar sozinha é um momento escuro...
E, por vezes, cheio de estrelas.
Snow, Flake.
Olho do furação
Alguma coisa na minha noção de tempo sutilmente mudou.
Passou-se o tempo em que achava que tinha que correr. E já corri tanto... e vejo que em muito pouco adiantou e que eu não cheguei à frente do que poderia ter chegado se tivesse tido um pouco mais de calma.
Sabe quando você tem a lucidez de compreender que daqui a 24 horas será um novo dia e o Sol nascerá novamente e tudo o que puder acontecer terá acontecido se precisar acontecer...? É assim.
Dessa forma o tempo dói bem menos.
Eu me sinto mais jovem agora do que a impressão que tinha há 10 anos quando achava que tinha ainda muito que fazer e tinha um terrível medo que não desse certo, que não desse tempo, que não conseguisse, enfim, resolver.
Imagino que alguém que não me conhece bem pense que estou falando de felicidade. E que alguém que me conheça pense que estou falando de amor. Mas me refiro a algo que considero o contrário: a calmaria.
Mas ou menos como dizem que é a paz que se sente e que é antecedente do ato final de morrer. A tranqüilidade que só a fatalidade traz.
O mundo continua caindo ao meu redor, sabe? Tive um desconto esse mês no meu $ que acho até que vou passar fome! Rs. Calma. Não é uma fome como a fome é realmente. É uma fome moderna. Diferente dos tempos de antigamente em que já fui muito pobre e as coisas já foram muito piores.
Mas eu prefiro a fome ao frio.
E se existir mesmo o inferno, imagino que seja um lugar gelado. Sem edredom nem companhia e... um pouco mais severo do que foi o meu último inverno.
Por falar em tempo ruim, um dos invernos mais rigoroso de minha vida foi lá pelos meados de 93, quando minha avó mudou-se para o interior e levou minha irmã e eu fiquei morando com minha mãe e padrasto...
Nessa época eu conheci um lindo rapaz que morava numa rua vizinha e que ficou desempregado. E deu pra vender as coisas que tinha em casa. Jogava no bingo e parecia que nunca ganhava. Vendeu tudo. Por ultimo um botijãozinho com uma boca de fogão em cima que ofereceu lá em casa. Mas não compramos. Porque também não tínhamos.
Uma vez, de tanto insistir, permiti que me desse um beijo no rosto. Mas a sensação da língua quente em minha pele e um turbilhão vertiginoso de sensações incontinentes e incompreensíveis me fez afastá-lo com um empurrão... E um tapa.
Depois foi dado como morto e só veio a reaparecer quase um ano mais tarde, mais magro e ainda vendendo coisas. Só que dessa vez, já também roubava.
Ele ainda me pediu outras tantas vezes em namoro, porém aos 15, tenho que reconhecer que a inocência me salvou do que, não fosse, eu teria sido facilmente predada...
Pelo mesmo monstro que fez com que seu corpo aparecesse meses depois, cravado de balas, num lugar chamado Saramandaia...
Nesse tempo a vida foi um temporal imenso.
O mundo perde um pouco da beleza quando a gente enxerga as coisas com menos fé, como menos emoção, é verdade. Não deve haver progresso sem prejuízo da arte. E não há melhoras sem que uma série de pioras cresça em torno das coisas novas. Assim pensava Nietzsche.
Nunca esteve tão distante o colorido da vida. Mas nunca isso doeu tão pouco.
O tempo trouxe a certeza de que o tempo continuará passando. Até que se acabe o meu tempo.
Aliás, o tempo como percebemos só existe mesmo dentro da cultura humana. Não é um elemento puro, natural. O Sol não tem pressa pela pontualidade de chegar ao trabalho. Ele apenas vem. Vai... E nós o acompanhamos. Da mesma forma como a lua, as estações do ano.
O meu Samsung mobile que ganhei da última visita de minha irmã ao Brasil veio com um joguinho que gostei muito: Paris Hilton’s Diamond Quest. É uma mistura de Tetris com Jogo da Memória, só que mais colorida e dividida em puzzles com algumas premiações. Mas a versão free só permite que eu jogue 57 segundos dos 3 minutos que são o default para cada fase.
Já tentei comprar a versão full diversas vezes, mas parece que eles entendem que os meus Reais não são Pounds e meu pedido é sempre negado.
Mesmo assim eu jogo. Sempre. E, às vezes, pelo cansaço da máquina ou por uma velocidade de pensamento excepcionalmente viciado ou ajudada pela sorte, eu até venço.
Já joguei quase 40 horas dividas em tempos impreterivelmente cortados automaticamente aos 57 segundos e, como as fases vão ficando cada vez mais difíceis, calculei que é mecanicamente impossível que eu continue avançando de fase.
Desse tempo todo que brinco, quase sempre madrugadas insones ou caminhos de ônibus, aprendi que este jogo não tem nada, absolutamente nada o que ensinar pra humanidade. Mas apesar disto, uma vez eu fui tão bem numa partida que apareceu a personagem da Paris me dizendo algo que traduzi como: “Você é tão rápida que merecia uma multa por excesso de velocidade!”.
Não pude evitar o riso.
Não é porque algo não se propõe a ensinar que não se poderá com ele aprender. E mesmo esse meu passatempo inútil me disse com a acuidade de um sábio que não há como impedir, e não importa o que você faça, se jogou bem ou teve azar, se está ganhando ou perdendo, num certo momento... o tempo acaba.
E assim, daqui a mais 15 serão 45. depois 60, 75... quem sabe, 90! Ou talvez alguns dias mais, horas, min.! Rs. Quem sabe...?
Estou vivendo um dia de cada vez. E sempre que lúcida, com bastante calma.
As coisas que até aqui dei valor nessa vida, como o mar, o nascer da lua, o pôr-do-sol, os amigos, os humanos, o amor... elas não sofrem assim tanta influência nossa como as vezes sentimos.
Algumas vão continuar acontecendo sempre como sempre aconteceram. E outras, o acontecimento ou manutenção dependerá muito menos de quaisquer de nossas ações que dos ventos aleatórios do acaso.
Com o tempo a dor que fica é saber que cada vez mais a soma dos acontecimentos dói cada vez menos.
Snow, aos 30, depois de anos e anos.
P.S. Enquanto eu escrevia este, emprestei o celular pro meu sobrinho brincar. Ele, sem querer, deletou a Paris.
Passou-se o tempo em que achava que tinha que correr. E já corri tanto... e vejo que em muito pouco adiantou e que eu não cheguei à frente do que poderia ter chegado se tivesse tido um pouco mais de calma.
Sabe quando você tem a lucidez de compreender que daqui a 24 horas será um novo dia e o Sol nascerá novamente e tudo o que puder acontecer terá acontecido se precisar acontecer...? É assim.
Dessa forma o tempo dói bem menos.
Eu me sinto mais jovem agora do que a impressão que tinha há 10 anos quando achava que tinha ainda muito que fazer e tinha um terrível medo que não desse certo, que não desse tempo, que não conseguisse, enfim, resolver.
Imagino que alguém que não me conhece bem pense que estou falando de felicidade. E que alguém que me conheça pense que estou falando de amor. Mas me refiro a algo que considero o contrário: a calmaria.
Mas ou menos como dizem que é a paz que se sente e que é antecedente do ato final de morrer. A tranqüilidade que só a fatalidade traz.
O mundo continua caindo ao meu redor, sabe? Tive um desconto esse mês no meu $ que acho até que vou passar fome! Rs. Calma. Não é uma fome como a fome é realmente. É uma fome moderna. Diferente dos tempos de antigamente em que já fui muito pobre e as coisas já foram muito piores.
Mas eu prefiro a fome ao frio.
E se existir mesmo o inferno, imagino que seja um lugar gelado. Sem edredom nem companhia e... um pouco mais severo do que foi o meu último inverno.
Por falar em tempo ruim, um dos invernos mais rigoroso de minha vida foi lá pelos meados de 93, quando minha avó mudou-se para o interior e levou minha irmã e eu fiquei morando com minha mãe e padrasto...
Nessa época eu conheci um lindo rapaz que morava numa rua vizinha e que ficou desempregado. E deu pra vender as coisas que tinha em casa. Jogava no bingo e parecia que nunca ganhava. Vendeu tudo. Por ultimo um botijãozinho com uma boca de fogão em cima que ofereceu lá em casa. Mas não compramos. Porque também não tínhamos.
Uma vez, de tanto insistir, permiti que me desse um beijo no rosto. Mas a sensação da língua quente em minha pele e um turbilhão vertiginoso de sensações incontinentes e incompreensíveis me fez afastá-lo com um empurrão... E um tapa.
Depois foi dado como morto e só veio a reaparecer quase um ano mais tarde, mais magro e ainda vendendo coisas. Só que dessa vez, já também roubava.
Ele ainda me pediu outras tantas vezes em namoro, porém aos 15, tenho que reconhecer que a inocência me salvou do que, não fosse, eu teria sido facilmente predada...
Pelo mesmo monstro que fez com que seu corpo aparecesse meses depois, cravado de balas, num lugar chamado Saramandaia...
Nesse tempo a vida foi um temporal imenso.
O mundo perde um pouco da beleza quando a gente enxerga as coisas com menos fé, como menos emoção, é verdade. Não deve haver progresso sem prejuízo da arte. E não há melhoras sem que uma série de pioras cresça em torno das coisas novas. Assim pensava Nietzsche.
Nunca esteve tão distante o colorido da vida. Mas nunca isso doeu tão pouco.
O tempo trouxe a certeza de que o tempo continuará passando. Até que se acabe o meu tempo.
Aliás, o tempo como percebemos só existe mesmo dentro da cultura humana. Não é um elemento puro, natural. O Sol não tem pressa pela pontualidade de chegar ao trabalho. Ele apenas vem. Vai... E nós o acompanhamos. Da mesma forma como a lua, as estações do ano.
O meu Samsung mobile que ganhei da última visita de minha irmã ao Brasil veio com um joguinho que gostei muito: Paris Hilton’s Diamond Quest. É uma mistura de Tetris com Jogo da Memória, só que mais colorida e dividida em puzzles com algumas premiações. Mas a versão free só permite que eu jogue 57 segundos dos 3 minutos que são o default para cada fase.
Já tentei comprar a versão full diversas vezes, mas parece que eles entendem que os meus Reais não são Pounds e meu pedido é sempre negado.
Mesmo assim eu jogo. Sempre. E, às vezes, pelo cansaço da máquina ou por uma velocidade de pensamento excepcionalmente viciado ou ajudada pela sorte, eu até venço.
Já joguei quase 40 horas dividas em tempos impreterivelmente cortados automaticamente aos 57 segundos e, como as fases vão ficando cada vez mais difíceis, calculei que é mecanicamente impossível que eu continue avançando de fase.
Desse tempo todo que brinco, quase sempre madrugadas insones ou caminhos de ônibus, aprendi que este jogo não tem nada, absolutamente nada o que ensinar pra humanidade. Mas apesar disto, uma vez eu fui tão bem numa partida que apareceu a personagem da Paris me dizendo algo que traduzi como: “Você é tão rápida que merecia uma multa por excesso de velocidade!”.
Não pude evitar o riso.
Não é porque algo não se propõe a ensinar que não se poderá com ele aprender. E mesmo esse meu passatempo inútil me disse com a acuidade de um sábio que não há como impedir, e não importa o que você faça, se jogou bem ou teve azar, se está ganhando ou perdendo, num certo momento... o tempo acaba.
E assim, daqui a mais 15 serão 45. depois 60, 75... quem sabe, 90! Ou talvez alguns dias mais, horas, min.! Rs. Quem sabe...?
Estou vivendo um dia de cada vez. E sempre que lúcida, com bastante calma.
As coisas que até aqui dei valor nessa vida, como o mar, o nascer da lua, o pôr-do-sol, os amigos, os humanos, o amor... elas não sofrem assim tanta influência nossa como as vezes sentimos.
Algumas vão continuar acontecendo sempre como sempre aconteceram. E outras, o acontecimento ou manutenção dependerá muito menos de quaisquer de nossas ações que dos ventos aleatórios do acaso.
Com o tempo a dor que fica é saber que cada vez mais a soma dos acontecimentos dói cada vez menos.
Snow, aos 30, depois de anos e anos.
P.S. Enquanto eu escrevia este, emprestei o celular pro meu sobrinho brincar. Ele, sem querer, deletou a Paris.
terça-feira, novembro 11, 2008
Anestesia
O meu dentista novo tem qualidades e defeitos como todo ser humano. Os anteriores só tinham um ou outro aspecto e se em um nuances de outro, sempre discretos. Mas este de agora tem tudo muito bem ressaltado.
Primeiro ele quase não fala. E quando abre a boca não deseja ser ouvido. Isto para mim é um defeito gravíssimo! Estressa-me, me deixa nervosa. Só de pensar, meu dente já dói.
Depois, ele marca minhas consultas toda semana e às vezes até duas vezes por semana! (Antes eu só era atendida um vez no início do mês e outra no final do mês seguinte. E me diziam que era regra do plano...). Então eu vou pra tudo o que ele marca, e sorrindo.
Aí vem que ele trabalha sozinho. Não tem isso de auxiliar, assistente ou instrumentista na sala pra esterilizar, pegar a luva ou fazer amálgama. Ele mesmo faz tudo! Muito melhor. Menos gente a observar nossos ridículos.
A secretária dele é um amor. Sabe meu nome, liga pra eu não perder o dia da consulta, pra marcar a próxima e pra colocar o papo em dia. Rs. Quando eu chego ela abre um lindo sorriso e conversa sem parar. Compensa até a afonia do dentista.
Ele, por sua vez, não gosta muito de anestesiar. E ao invés de tomar uma picadinha de agulha eu tenho quase sempre que sentir o frio do motor perto de minha polpa e fazer o possível para conter o impulso de esmurrá-lo, já que meus dentes são muito sensíveis - e nisso puxaram a dona. Ele diz que não justifica tomar uma furada (usa este termo) para uma intervenção tão pequena.
Mas tenho que confessar que ele é muito rápido mesmo. Quando você pensa que mandou abrir a boca só pra olhar, ele já está com seu dente em uma das mãos e com a outra faz a sutura. Isso é bom porque as dores rápidas passam rapidamente também.
Ainda ontem eu tive uma dessas experiências depois de pedir até pelo amor de Deus pra que me anestesiasse e ele não ter acatado. Uma lágrima quase escorre enquanto eu gemia e me contorcia naquele divã maldito ouvindo o som do motorzinho congelar minha espinha e me provocar impulsos involuntários enquanto ele dizia:
- Eu não acredito nisso! Não acredito mesmo. Eu não acredito que você esteja sentindo essa dor toda. Eu tô vendo aqui! Não é profundo. Ah, eu não acredito!
Quando terminou eu parecia ter saído de uma sessão de choque elétrico. Contente, claro! Menos uma cárie em minha vida e mais próximo está o dia de comer chocolate. Mas os meus cabelos... lá em cima!
Medo. Angústia. Agonia.
Havia passado a dor fina.
Há algo nesse meu tratamento que me remete a um elemento humano dos mais primitivos. Eu realmente entendo quando o doutor diz que não acredita.
O ser humano tem mesmo essa dificuldade de acreditar no que ele não sente. E isso em todas as esferas da vida. Da mesma forma que para as coisas que sente ele, frequentemente, supervaloriza.
O doutor não acreditou na minha dor porque não a pôde ver, é verdade. Os olhos, a visão é um dos sentidos mais obedecidos. E até o coração deixa de padecer quando eles não vêem... (Sempre penso nos cegos quanto a isso.)
Eu também sou assim. Digo não sempre que não acredito. E eu só não acredito quando também não sinto.
Semana passada um rapaz me pediu em namoro. (É, ainda existe isso!). Quarenta e seis anos, divorciado, funcionário público, mora sozinho, filhos crescidos. (Essa descrição social me pareceu mais precisa que a dos meus sentidos.)
Mas era festa... Casamento de um amigo, lá depois de algumas horas de brincadeiras, alguns copos de cerveja, madrugada alta, música e duas doses de Wisky. - Eu não. Por causa do ante-inflamatório dado o novo gesso no pezinho.
Devido a insistência pela resposta precisa, disse-lhe um sonoro “não”, embora polido. E como instantaneamente ele emudeceu, estremeceu e desmanchou-se inteiro sob meus olhos eu o expliquei que era por causa das circunstâncias e não por ele que eu dava aquela resposta. Não era pessoal, apesar de parecer. Não significava que ele não podia verdadeiramente sentir algum afeto por mim ou algo mais, mas ali, sob aquela atmosfera, eu simplesmente não conseguia validar nada daquilo.
Os noivos passaram, um colega do lado brincou, o garçom encheu os copos, alguém trocou o disco... Ele parou um pouco. Lembrou-me que era tudo uma brincadeira e em seguida pediu licença para ir ao banheiro. Necessidade orgânica de desfazer-se do álcool ingerido.
Ou, quem sabe o pudor de não gemer nem lacrimejar por sentir a ponta do motor fria sobre o nervo exposto e ainda assim ouvir de mim o que por mais sincero pareceria sarcástico:
-Me desculpe, mas eu não acredito.
Snow, sobre certas dores invisíveis.
Primeiro ele quase não fala. E quando abre a boca não deseja ser ouvido. Isto para mim é um defeito gravíssimo! Estressa-me, me deixa nervosa. Só de pensar, meu dente já dói.
Depois, ele marca minhas consultas toda semana e às vezes até duas vezes por semana! (Antes eu só era atendida um vez no início do mês e outra no final do mês seguinte. E me diziam que era regra do plano...). Então eu vou pra tudo o que ele marca, e sorrindo.
Aí vem que ele trabalha sozinho. Não tem isso de auxiliar, assistente ou instrumentista na sala pra esterilizar, pegar a luva ou fazer amálgama. Ele mesmo faz tudo! Muito melhor. Menos gente a observar nossos ridículos.
A secretária dele é um amor. Sabe meu nome, liga pra eu não perder o dia da consulta, pra marcar a próxima e pra colocar o papo em dia. Rs. Quando eu chego ela abre um lindo sorriso e conversa sem parar. Compensa até a afonia do dentista.
Ele, por sua vez, não gosta muito de anestesiar. E ao invés de tomar uma picadinha de agulha eu tenho quase sempre que sentir o frio do motor perto de minha polpa e fazer o possível para conter o impulso de esmurrá-lo, já que meus dentes são muito sensíveis - e nisso puxaram a dona. Ele diz que não justifica tomar uma furada (usa este termo) para uma intervenção tão pequena.
Mas tenho que confessar que ele é muito rápido mesmo. Quando você pensa que mandou abrir a boca só pra olhar, ele já está com seu dente em uma das mãos e com a outra faz a sutura. Isso é bom porque as dores rápidas passam rapidamente também.
Ainda ontem eu tive uma dessas experiências depois de pedir até pelo amor de Deus pra que me anestesiasse e ele não ter acatado. Uma lágrima quase escorre enquanto eu gemia e me contorcia naquele divã maldito ouvindo o som do motorzinho congelar minha espinha e me provocar impulsos involuntários enquanto ele dizia:
- Eu não acredito nisso! Não acredito mesmo. Eu não acredito que você esteja sentindo essa dor toda. Eu tô vendo aqui! Não é profundo. Ah, eu não acredito!
Quando terminou eu parecia ter saído de uma sessão de choque elétrico. Contente, claro! Menos uma cárie em minha vida e mais próximo está o dia de comer chocolate. Mas os meus cabelos... lá em cima!
Medo. Angústia. Agonia.
Havia passado a dor fina.
Há algo nesse meu tratamento que me remete a um elemento humano dos mais primitivos. Eu realmente entendo quando o doutor diz que não acredita.
O ser humano tem mesmo essa dificuldade de acreditar no que ele não sente. E isso em todas as esferas da vida. Da mesma forma que para as coisas que sente ele, frequentemente, supervaloriza.
O doutor não acreditou na minha dor porque não a pôde ver, é verdade. Os olhos, a visão é um dos sentidos mais obedecidos. E até o coração deixa de padecer quando eles não vêem... (Sempre penso nos cegos quanto a isso.)
Eu também sou assim. Digo não sempre que não acredito. E eu só não acredito quando também não sinto.
Semana passada um rapaz me pediu em namoro. (É, ainda existe isso!). Quarenta e seis anos, divorciado, funcionário público, mora sozinho, filhos crescidos. (Essa descrição social me pareceu mais precisa que a dos meus sentidos.)
Mas era festa... Casamento de um amigo, lá depois de algumas horas de brincadeiras, alguns copos de cerveja, madrugada alta, música e duas doses de Wisky. - Eu não. Por causa do ante-inflamatório dado o novo gesso no pezinho.
Devido a insistência pela resposta precisa, disse-lhe um sonoro “não”, embora polido. E como instantaneamente ele emudeceu, estremeceu e desmanchou-se inteiro sob meus olhos eu o expliquei que era por causa das circunstâncias e não por ele que eu dava aquela resposta. Não era pessoal, apesar de parecer. Não significava que ele não podia verdadeiramente sentir algum afeto por mim ou algo mais, mas ali, sob aquela atmosfera, eu simplesmente não conseguia validar nada daquilo.
Os noivos passaram, um colega do lado brincou, o garçom encheu os copos, alguém trocou o disco... Ele parou um pouco. Lembrou-me que era tudo uma brincadeira e em seguida pediu licença para ir ao banheiro. Necessidade orgânica de desfazer-se do álcool ingerido.
Ou, quem sabe o pudor de não gemer nem lacrimejar por sentir a ponta do motor fria sobre o nervo exposto e ainda assim ouvir de mim o que por mais sincero pareceria sarcástico:
-Me desculpe, mas eu não acredito.
Snow, sobre certas dores invisíveis.
segunda-feira, novembro 03, 2008
Busca
Sobre a pauta branca rabisca o que arriscaria ser a solidão
Às duas da manhã de um dia morno
E mais uma despedida.
Mexe na gaveta, rasga um papel impresso, dá adeus a outro sonho
E o sono não vem ainda.
Conhece de perto essas noites de silêncio
Sabe de cór o cheiro dos muitos perfumes das suas loções, cremes e produtos de beleza espalhados pela penteadeira...
Nada se move a não ser ela mesma
E agora esta caneta.
Houvesse amor, faria sentido
Mas nem isso.
Só uma tentativa frouxa e sem direção de poema
Tal qual os seus pensamentos...
O coração bem que podia parar agora, sem emoções maiores
Ou os olhos se fecharem num sono profundo pra acordar outro dia, quase sem seqüelas.
Mas secretamente ele bate
E sem que ninguém veja, permanecem abertos.
A ausência enche cada cômodo e impregna cada utensílio, cada fresta, cada objeto vermelho
Enquanto a falta enche os pulmões e a atmosfera
E o gosto do nada impera.
Pra enganar o relógio relê papéis amarelados, revê cadernos, folheia velhas agendas
Encontra uma foto perdida, junta às outras, reencaderna.
Procura por um poema do passado, uma carta de amor não lida, o esboço para uma tela
Talvez, dentro de outras folhas soltas, haja algo que não mais se lembra
Com um projeto não cumprido, um sonho que já tivera
Quem dera encontrasse asas ou quem sabe raízes!
Já que não se reconhece nos papéis recentes...
E em meio a antigos escritos, procura por ela.
SnowFlake
Às duas da manhã de um dia morno
E mais uma despedida.
Mexe na gaveta, rasga um papel impresso, dá adeus a outro sonho
E o sono não vem ainda.
Conhece de perto essas noites de silêncio
Sabe de cór o cheiro dos muitos perfumes das suas loções, cremes e produtos de beleza espalhados pela penteadeira...
Nada se move a não ser ela mesma
E agora esta caneta.
Houvesse amor, faria sentido
Mas nem isso.
Só uma tentativa frouxa e sem direção de poema
Tal qual os seus pensamentos...
O coração bem que podia parar agora, sem emoções maiores
Ou os olhos se fecharem num sono profundo pra acordar outro dia, quase sem seqüelas.
Mas secretamente ele bate
E sem que ninguém veja, permanecem abertos.
A ausência enche cada cômodo e impregna cada utensílio, cada fresta, cada objeto vermelho
Enquanto a falta enche os pulmões e a atmosfera
E o gosto do nada impera.
Pra enganar o relógio relê papéis amarelados, revê cadernos, folheia velhas agendas
Encontra uma foto perdida, junta às outras, reencaderna.
Procura por um poema do passado, uma carta de amor não lida, o esboço para uma tela
Talvez, dentro de outras folhas soltas, haja algo que não mais se lembra
Com um projeto não cumprido, um sonho que já tivera
Quem dera encontrasse asas ou quem sabe raízes!
Já que não se reconhece nos papéis recentes...
E em meio a antigos escritos, procura por ela.
SnowFlake
Assinar:
Postagens (Atom)
