sexta-feira, março 13, 2009

Encerrando Ciclos

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração, e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa, nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era... e se transforme em quem vc é!"


(*)


P.S. Esse texto circula na internet atribuído a Fernando Pessoa. Li tb que Paulo Coelho traduziu da psicóloga colombiana Sonia Hurtado e assumiu a autoria, mas ela o processou por plágio. Enfim, não investiguei isso a fundo ainda.
Me parece um texto de auto-ajuda e eu tb não sei até que ponto não auto-atrapalha, já que cada ser tem seu momento de passar as coisas adiante e, de certa forma, forçar alguém a dar um passo que ele ainda não alcansa só pq esse passo precisa ser dado, ainda pode resultar numa queda com consequências maiores.
...
Sempre ouço o mesmo disco por semanas e mesmo assim não é garantia que aprenderei as músicas. E, aprendendo ou não, se ouvi por tanto tempo, é certo que não o jogarei fora.
Minha mãe ainda guarda o meu primeiro vestidinho...
Eu ainda tenho bonecas das quais nunca me desfiz.
Visualiso duas formas das coisas acontecerem, ambas com suas vantagens e problemas:
Uma, de dentro pra fora, onde vc muda e as coisas ao seu redor não precisam ser alterdas, pq vc já as percebe diferentes.
Outra, de fora pra dentro, as coisas mudam, e vc tb. As coisas te enquadram numa situação diferente e vc não pode ter mais a visão antiga sobre elas, nem sobre si mesmo.
É claro que é muito mais fácil imaginar que alguém que perdeu uma perna deseja aprender a andar de moletas do que pensar que alguém que quer aprender a andar de moletas deseja cortar uma perna. Mas muitas vezes é assim que a gente age e assim que a vida acontece. (Vide o filho que se acha crescido, quer ser independente, e despreza os ensinamentos dos mais velhos.).
...
Acredito que já vivi o bastante pra aceitar que a maneira como cada um se desenvolve não é uma questão de opção volitiva. Assim, às vezes vc escolhe os caminhos, às vezes é escolhido pelas circunstancias e, às vezes não faz diferença nenhuma. Estou começando a pensar sobre a moldagem do tempo...
A semente, o embrião, a planta, a fruta verde, a fruta madura, a fruta podre, a semente...
Cada etapa com seu brilho, seu cheiro, seu gosto, seu viço...
Crianças agem como crianças em qualquer lugar do mundo. Adolescentes, velhos...
Um dia o tempo passa e a gente entende que acabou. Essa frase me parece mais lógica, mas natural que "um dia a gente entende que acabou e aí então o tempo passa"...
Embora possa ser que o tempo passe... e ainda assim a gente não entenda.
Embora tb, tão logo a gente entende, nos damos conta de que já passou um tempão.

É por isso que há amores que nunca serão resolvidos.
Há desejos que não serão satisfeitos.
Há etapas das quais a gente não sai. Outras, pelas quais nem se passa.
Há feridas que não cicratizarão... Há cortes que realmente matam.
Há velhos que morrerão adolescentes...

Só o tempo realmente acaba.´
Seja lá o que quer que se faça.


Snow, auto-não-auto.



P.S. Falta reler, falta reeditar.

Um comentário:

Mefisto disse...

Ontem à noite, relendo O amor nos tempos do colera pela 3ª vez, cheguei num trechinho q me deu arrepios. A viaje del olvido de Fermina Daza. Uma viagem para esquecer. Coisa que eu vou fazer e que, nas outras leituras do livro tb fiz. Coincidência?
UI!